El Niño pode ter sido mais forte do que sonha seus vãos computadores

Se você não está em nenhum buraco na Ucrânia, contando todos os soldados russos que efetivamente não estão lá (ou é isso que me contaram, ao menos), você já deve ter ouvido falar do El Niño, o fenômeno atmosférico-oceânico que é caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico Tropical. Esse aquecimento, que não é suficiente para fazer café ou cozinha rum ovo, afeta não apenas o clima local e sim do planeta todo, pois a Natureza dá um "que se dane" se você gosta ou não do que acontece.

Cientistas criaram vários modelos computacionais que procuram retratar e prever o que acontece durante o El Niño. Mas será que os modelos estão certos? É ora de usar uma tecnologia um pouco ais antiga: observação. E para isso se usa como ferramentas… conchas!

O dr. Julian Sachs é uma pessoa excelente. Não há sujeito como ele em toda Universidade de Washington, salvo seus colegas químicos. Ele é professor de oceanografia química na UW e estuda como são os efeitos do El Niño em toda vida marinha e quais os registros fósseis que ele tem deixado por aí (no caso, o El Niño, não o dr. Sachs).

A pesquisa do dr. Juju é sobre paleoclimatologia e geoquímica orgânica, o tipo e coisa que você não faz a menor ideia do que seja, e é por isso que lê meus artigos. Se você entendesse algo disso, também leria meus artigos. De qualquer forma, continue lendo meus artigos, que traz o material de laboratório amado em 3 dias e este parágrafo pode ser lindamente ignorado, por estar aqui só enchendo linguiça num domingo entediado, enquanto espero o almoço do Dia dos Pais.

Estava-se quase chegando a um consenso (ou o mais próximo disso em termos de Ciência, já que nunca existe consenso realmente) que o El Niño era mais fraco antigamente (e quando falo "antigamente", eu quero dizer bem antes da sua avozinha), por causa de alguma configuração diferente da órbita da Terra. Então, chega o dr. Juju e seus colaboradores e analisaram pilhas de quase 10 metros de conchas antigas. Deve ter sido o máximo ficar coletando este montão de conchas (só que não).

Os resultados das análises induzem a questionar o quão perfeitos são os modelos computadorizados dos ciclos climáticos, bem como a perfeição das previsões para o futuro próximo (já que nenhum maluco vai perder tempo prevendo o clima para daqui a 100 anos ou mais).

Os pesquisadores criaram uma técnica de medir o teor de carbono oriundo de carvão vegetal a partir de incêndios e identificaram, indiretamente, o teor de oxigênio nas camadas de crescimento das conchas para poderem saber quais eram as temperaturas de água quando a referida concha estava se formando.

Essas conchas fornecem registros com intervalos entre 1 a 3 anos da temperatura mensal do Oceano Pacífico ao longo da costa do Peru. Combinando camadas de conchas de cada sítio, temos as temperaturas da água para intervalos abrangendo 100 a 1.000 anos, durante os últimos 10.000 anos.

Isso significa um estudo divertidamente chato, examinando camada por amada, anotando os dados para depois tabular esta porcaria toda. Se bem que estagiário existe pra isso. Existe inclusive para montar uma base de dados com registros de 10.000 anos os ciclos de El Niño, demonstrando como eram fortes, contrariando as atuais interpretações principais.

A pesquisa foi publicada na Science e mostra que tecnologia (odeio esta palavra como sinônimo de "computadô") é bom, mas checar vestígios eixados é melhor ainda. Pensem nisso ao achar que computadores resolvem todos os nossos problemas.

5 comentários em “El Niño pode ter sido mais forte do que sonha seus vãos computadores

  1. Os resultados das análises induzem a questionar o quão perfeitos são os modelos computadorizados dos ciclos climáticos, bem como a perfeição das previsões para o futuro próximo (já que nenhum maluco vai perder tempo prevendo o clima para daqui a 100 anos ou mais).”
    Não deixe o pessoal do IPCC e seus simpatizantes lerem isso heim! Isso é teoria da conspiração. (Pronto para a 3° guerra mundial).

    1. O que isso tem a ver com IPCC, meu caro? Ah, sim, não há aquecimento global. A Antártida até está cheinha de gelo, como diz o Molion. Só esqueceram de contar isso pra Antártida.

    2. @observer,
      Os resultados das análises induzem a questionar o quão perfeitos são os modelos computadorizados dos ciclos climáticos,(…)
      .
      Nenhum é, se fosse não seriam modelos. E toda previsão é passível de erros, exceto, é claro, previsão astrológica.

  2. Hahahah…acredito que você tenha uma fixação enorme em Molion, mas deixa pra lá – era sobre isso que eu falei (baseado em seu texto):
    Advances in climate change modelling now enable best estimates and likely assessed uncertainty ranges to be given for projected warming for different emission scenarios. Results for different emission scenarios are provided explicitly in this report to avoid loss of this policy-relevant information. Projected global average surface warmings for the end of the 21st century (2090–2099) relative to 1980–1999 are shown in Table SPM.3. These illustrate the differences between lower and higher SRES emission scenarios, and the projected warming uncertainty associated with these scenarios. {10.5}. Link: http://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/wg1/en/spmsspm-projections-of.html

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