Pesquisa indica peptídeo como principal arma contra bactérias

Eu sou um cara feliz. Feliz por dois motivos. Um porque sou um beta. Não tenho as grandes preocupações dos alfas, responsáveis por conduzir a nossa sociedade e nação; mas também não sou como os gama. Olhem só para eles! Em segundo lugar, fico muito contente de não viver num mundo que sofre mudanças. Nosso querido universo fixista faz com que não tenhamos doenças nem tenhamos que nos deparar com situações drásticas, como ver bactérias evoluindo e se tornando imunes a antibióticos, e é por isso as erradicamos todas.

Só que não.

Mas como não podemos contar com ajuda metafísica, só nos resta pesquisar um jeito de fazer com que estas malditas bactérias não se tornem resistentes aos antibióticos. Quem poderá nos ajudar? (A) Descartes ; (B) Aristóteles ; (C) Jesus ; (D) Cientificismo inútil

O dr. Robert Hancock é careca, tem alguns tufos laterais meio desgrenhados, bigode e cara de quem quer acabar com o mundo…. das bactérias. Ele é um Zé Ruela que trabalha como professor no Departamento de Microbiologia e Imunologia, tendo seu próprio laboratório na Universidade British Columbia. Ele é um bundão, espertão mesmo é seu professor de Filosofia que fica discutindo coisas muito importantes em meio a uma névoa de ideias, se me compreendem.

O dr. Hancock não estava de bobi em seu laboratório, e, junto com sua equipe, identificou uma pequena molécula que impede que as bactérias formarem biofilmes, uma causa frequente de infecções.

De acordo com o Microbiologia Online,

biofilmes são uma conglomeração de bactérias, fungos, algas, protozoários, resíduos ou produtos de corrosão aderidos em uma matriz auto-produzida e secretada de Substâncias Poliméricas Extracelulares (SPE). A SPE pode ser composta de polissacarídeos, proteínas, ácidos nucléicos e lipídeos. Essencialmente, um biofilme pode se formar quando bactérias aderem a superfícies em ambientes aquosos e começam a excretar SPE, uma substância pegajosa e grudenta que pode ancorá-las a todos os tipos de materiais, tais como metais, plásticos, partículas de solo, materiais de implantes médicos e tecidos. Uma vez ancoradas à uma superfície, os microrganismos do biofilme carregam uma variedade de reações prejudiciais ou benéficas (para os padrões humanos), dependendo das condições ambientais circundantes. Um exemplo de reação benéfica é a aplicação de biofilme para degradar cloreto de vinila, um solvente tóxico que pode contaminar o lençol freático e colocar em risco os recursos de água potável.

O que a estranha equipe de Bob fez foi pesquisar um peptídeo que impedisse a formação deste biofilme, funcionando contra numa bela quantidade de bactérias, incluindo muitos que não podem ser tratadas por antibióticos. Muitas bactérias que crescem na pele, pulmões, coração e outras superfícies de tecidos humanos formam esta desgraça desses biofilmes, comunidades altamente estruturadas de bactérias que são responsáveis ??por dois terços de todas as infecções humanas.

Hancock e seus colegas descobriram que o peptídeo 1018, uma pequena molécula com apenas em 12 aminoácidos, demonstrou ter capacidade não só para evitar que as bactérias se formassem em biofilmes como mandou os biofilmes bacterianos já existentes doce e gloriosamente pra vala da inexistência. Amem, Graças a Deus Ciência, cuja publicação foi feita no periódico PLOS Pathogens.

O badass peptídeo 1018 demonstrou ainda que funciona contra uma grande quantidade de microrganismos resistentes a antibióticos como Pseudomonas aeruginosa, que está na origem de infeções hospitalares, a Escherichia coli que provoca gastroenterites e infeções urinárias e a Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM), uma bactéria resistente a vários antibióticos.

Sorte nossa que nada disso é necessário, pois ciência não resolve os males da humanidade, ainda mais que estes males só existiriam se as bactérias mudassem com o passar do tempo.

E sempre estivemos em guerra com a Eurásia.

3 comentários em “Pesquisa indica peptídeo como principal arma contra bactérias

  1. Ainda mais difícil que a descoberta desse peptídeo, será lidar com a burocracia ao uso desta, principalmente num tal lugar chamado Brasil, onde pessoas acham que qualquer gripezinha já é motivo de usar amoxicilina e/ou outros antibióticos potentes; qualquer inicio de febre já é hora de correr desesperado atrás de antitérmico. Poderia até mencionar que deveria haver conscientização da população ante ao uso de qualquer medicamento, e que não deveriam aceitar qualquer medicação que o farmacêutico da esquina recomende. Mas como não quero ser vitima de escárnios…

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