O que é Luminol?

Todo mundo conhece luminol, aquela linda maravilha química que fica brilhando no escuro, ajudando peritos criminalísticas a pegar os bandidos, para depois colocarem o óculos escuros like a boss, soltando alguma frase de efeito. O luminol, ao contrário do que se acredita, não serve apenas para determinar quem matou a vizinha gostosa.

Mas o que é e como funciona o luminol? Você saberá no capítulo de Química Orgânica, subcapítulo Quimioluminsecência, parágrafo "Quediabeisso"?

Luminol é o nome vulgar do 5-amino-2,3-dihidro-1,4-ftalazinediona. Esta coisinha lindinha tem a fórmula estrutural aqui do lado, e seu ponto de fusão é 319-320 ºC. Ele foi descrito primeiramente pelo químico alemão H. O. Albrecht, em 1928, no artigo U?ber die Chemiluminescenz von Aminophthalsa?urehydrazid (Sobre a quimiluminescência da hidrazida do ácido aminoftálico).

A quimioluminescência é uma reação química que produz emissões luminosas. Quando a reação química é produzida por meio de algum tipo de atividade biológica, chamamos de "bioluminescência". O luminol é um dos compostos quimioluminescentes mais conhecidos, principalmente graças às séries de TV, que fazem um uso exagerado dele. Na base de "pulverizou, WEEEEEE, ficou brilhando". Não é bem assim. Mas antes, precisamos entender como é que o luminol funciona.

Antes, façamos uma distinção.

  • Fluorescência: Quando uma substância emite emissões eletromagnéticas (aka, Luz) porque foi previamente "bombardeada" com uns fótons safados. Um exemplo são os interruptores usados em instalações elétricas e ponteiros de relógios. Se você colocar um foco de luz sobre o dispositivo, ele absorverá energia, ao retirar o foco de luz, essa energia será reemitida, brilhando.
  • Fosforescência: Durante uma reação química, parte da energia é liberada sob diversas formas, na maioria das vezes: calor. Mas há o caso de emitir energia sob a forma de luz de comprimento de onda visível ou não.

Tudo isso é graças aos poderes místicos da Mecânica Quântica, os quais eu farei o favor a todos vocês de não mencionar mais ou sequer colocar uma equação matemática aqui, pois eu tenho pena das suas almas (mentira, eu tenho pena da MINHA alma e quero poupar minha santa mãezinha de seus xingamentos).

O luminol segue o caso da fosforescência, mas ele não trabalha sozinho, nem fica "brilhando" porque ele encontra o sangue e fica aterrorizado. Ele precisa de um agente oxidante, e este agente oxidante precisa de um catalizador. Sem o agente oxidante, o luminol não se oxida. Para ser oxidado, é preciso um catalisador, uma substância que acelere, ou mesmo permita que uma reação ocorra.

O duplo anel benzênico é fortemente modificada com três átomos de nitrogênio e dois oxigênios. Há um bocado de energia armazenada naquelas ligações. Quando em contato com um oxidante, como o o peróxido de hidrogênio (a nossa amiguinha água oxigenada), algumas ligações se quebram, liberando energia e essa energia vem sob a forma de luz visível. Esta reação se processa em meio básico (pH > 7) e é preciso de algo que permita que ela ocorra, um catalisador. O catalisador normalmente é uma enzima e, no caso do do uso em criminalística, são as enzimas do sangue, mas não funciona com sêmen. Sêmen brilha no escurinho com luz negra. Assim, queridos pais, quando filhota chegar em casa, desliguem a luz da sala e liguem uma lâmpada de luz negra. Ou não, já que a ignorância é uma bênção, às vezes.

O uso do luminol como técnica forense foi idealizado pela primeira vez pelo cientista forense alemão Walter Specht em 1937. Curiosamente, já se sabia da reação do luminol com o sangue, mas ninguém tinha idealizado uma aplicação útil. Mais curioso ainda é que Specht descobriu que quanto mais velha a mancha de sangue, mais tempo e mais brilhante é a luz produzida pela reação, e como normalmente o sangue cairá em alguma superfície rugosa, como paredes, por exemplo, uma lavada superficial não tirará os vestígios. Quando é numa cozinha, por exemplo, com azulejos e bancadas bem lisas, é mais difícil; entretanto, outros materiais poderão se sujar do sangue da vítima, como peças de madeira ou mesmo nos rejuntes entre as peças de revestimento, por exemplo, que dada a porosidade guardarão o sanguezinho feliz até que o Gil Grissom chegue.

O brilho é tão intenso que uma máquina fotográfica (uma decente e não este lixo tekpix que você tem em casa) registra fácil. O problema é que a Química não é lindinha como você gostaria. Outras substâncias reagem com o luminol, como o ferricianeto de potássio. Claro, um laboratório forense que preste fará outros testes para comprovar.

Entretanto, nada é imune aos sagrados poderes da Química, além de Murphy. Qualquer criminoso inteligente apagfará seus rastros com água sanitária, ou cloro, mesmo. Sendo uma substância muito oxidante, o hipoclorito de sódo desnatura as proteínas e ataca as enzimas do sangue. Sem enzimas, nada de brilhinho. Sorte que normalmente bandidos de uma forma geral são extremamente burros (mesmo porque, se fossem inteligentes não seriam bandidos). Entretanto, como eu falei, uma equipe forense bem treinada buscará por todo tipo de substância e não ficar com o dedo no canto da boca, olhando contemplativamente pro teto: "Dããã, não encontramos nada com o luminol. Dããããã"

O problema do luminol é que ele reage com o sangue, logo, ele desnatura o próprio. Fazer contra-provas é muito difícil, se algum mané sair inundando o lugar com o luminol, além de atacar outras substâncias. Ninguém disse que a Química tinha que ser boazinha.

Alguns ensaios forenses usm fenolftaleína. Não porque ela reage com sangue, mas porque reage com bases tomando uma coloração róseo-avermelhada.

Pega-se uma solução básica (de NaOH, por exemplo) e adiciona-se gostas de fenolftaleína, ficando a solução com uma coloração rósea. Neutraliza-se a solução com peróxido de hidrogênio. O H2O2 possui propriedades ácidas, o que neutraliza a base e, por conseguinte, a solução fica incolor (sem base, a fenolftaleína não tem o que indicar).

O sangue possui uma enzima chamada peroxidase. Esta enzima ataca a água oxigenada, liberando oxigênio. É ela que faz a "espuminha" quando você coloca água oxigenada sobre um ferimento. Não tem nada a ver com infecção ou sujeira. Aquilo é o próprio sangue que causa. Nada demais.

Quando você adiciona sangue na solução básica neutralizada com H2O2, a peroxidase atacará a água oxigenada, destruindo-a quimicamente. Assim, o equilíbrio vira e a solução torna-se básica, sendo identificada pela fenolftaleína, aparecendo a já citada coloração rósea, mas não é um ensaio muito preciso.

O luminol ficou famoso, mesmo entre leigos, e isso deu uma dor de cabeça a cientistas forenses, o chamado CSI Effect (ou Síndrome CSI), onde jurados esperam ver um festival de técnicas forenses durante os julgamento, mesmo quando não são necessárias. Promotores têm uma bomba na mão e acabam tendo que criar o seu teatrinho (e todo julgamento é um teatro), apresentando os cientistas como heróis, quando na verdade eles acham que os jurados não passam de um bando de idiotas que viram TV demais.

Hoje, o Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos (LASAPE) da UFRJ tem um luminol eficiente e mais barato, fornecendo para o laboratório de criminalística da Polícia Civil, e sim, eu quero um pouco para brincar. Acho que vou telefonar pra lá e pedir um pouco.

Quanto a você, se quiser brincar de CSI, escreva por aí, bem de leve, com caneta marca-texto (dê preferência a lugares que não fique permanente) e experimente ligar luz negra. A tinta de caneta marca-texto é solúvel em água. Suje-se com ela e lave bastante com água, mas ligue a luz UV e veja que você não lavou tanto assim. ;)

Não é quimioluminescência em si, mas já dá pra se achar um grande investigador e ensinar algo legal para as crianças. Escreva com caneta marca-texto na sua camisa branca ou mesmo no rosto e parta para uma festa rave. Vai fazer sucesso, e graça a quem? À Química!

De nada! ;)

10 comentários em “O que é Luminol?

  1. Por quê “quanto mais velha a mancha de sangue, mais tempo e mais brilhante é a luz produzida pela reação” se a reação química ocorre devido à enzima? O que a idade da mancha de sangue tem a ver com a intensidade da luz?

          1. @André, Ah desculpa André, mas nesse caso o cara tá querendo saber mais. Negar esse saber só pq ele está usando um pseudonimo (proxy tb?) não é um pouco de ranzinzisse demais?

            Concordo que um simples conte mais é chato, mas até aí….

          2. Artigo 5º da Constituição proíbe o anonimato. Fim. Meu blog, minhas regras e aqui não se violam leis constitucionais.

          3. JCFerranti,
            Ah desculpa André, mas nesse caso o cara tá querendo saber mais.

            O mal das pessoas é praticar a lei do menor esforço. Querem tudo mastigadinho.
            E a Política de Comentários é clara ao dizer:

            Não nos estenderemos além do conteúdo do artigo em comentários a não ser para possível correção ou atualização dentro do próprio artigo. Não fazemos trabalhos escolares, nem nos sentimos na obrigação de responder perguntas de dever de casa.

            Just that.

          4. Daí o cara, que se esconde, faz declarações racistas, solta calúnias, defende pedofilia e outras tosqueiras que são consideradas crime pela lei vigente, fica na boa e, de acordo com as leis que regem a internet brasileira, EU é que serei o denunciado e considerado réu, tendo que responder processo.

  2. só pra lembrar: Desenhar uma rola na cara daquele amigo viciado em balada com uma caneta marca texto. Depois limpar . :V

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