As tentações que os olhos vêem e o cérebro pira

Disse Oscar Wilde que ele resistia a tudo, menos às tentações. O que a bee inglesa não sabia direito era o que acontecia no cérebro, aquela coisa que todos têm e 90% não sabe pra que serve. Agora, cientistas se voltam para estudar o que acontece no interior do cérebro quando duas informações contrárias se encontram, jogando na mesa a mais vil de todas as armas: as doces tentações.

A drª. Cendri Hutcherson trabalha com pesquisas em Neuroeconomia no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Sua pesquisa visa entender o que acontece no cérebro durante os sistemas de auto-regulação; por exemplo, quando você está de dieta e vê aquele doce lindo e maravilho na vitrine, e o diabinho pula de alegria e lhe grita: VAI EM FRENTE! MANDA VER! O anjinho (e eu fico me perguntando se realmente é um anjinho mesmo) lhe lembra que você está de regime e mal entra na calça manequim 50. A boca saliva, os olhos ficam esbugalhados e o dono da padaria fica pensando se você não avançará em cima feito uma lunática.

Bem, o que Hutcherson descobriu, mediante suas pesquisas, é que o cérebro (esta gambiarra evolutiva), ao que tudo indica, possui dois sistemas independentes na hora de tomar decisões, sendo que estes dois sistemas competem entre si e ao vencedor, o ouro (ou o doce)!

Quando os dois sistemas de controle tendem a apontar uma mesma direção, tudo beleza. Mas, como no caso da dieta, os dois sistemas meio que saem na porrada. O resultado da decisão parece depender de qual dos dois sistemas, leva o controle do comportamento. Tudo depende do grau de valor que você (consciente ou inconscientemente) atribui a determinada coisa. Quanto maior, maior será a tentação, até que você acabe cedendo. Isso vale para doces, salgados, a vizinha da porta ao lado e outros acepipes (neste momento, um bando de feminazis vai me xingar, e criaturinhas que governam louças de chá estrebucham).

Quando há apenas um valor envolvido na equação,  a capacidade de dizer "não" para o pudim mágico (ou a vizinha quando ela vem pedir uma xícara de açúcar, usando um shortinho menor que a vergonha que eu tenho na cara) seu cérebro entrará em parafuso medindo os prós e contras. Há ainda a hipótese de não ter apenas um valor absoluto para cada coisa, mas vários envolvidos, o que deixa a tentação mais tentadora ainda, em que você pesa o valor do shortinho, do top de malha e do pau-de-macarrão que acertará sua cabeça se continuar olhando para as vizinhas dessa maneira. A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Neuroscience.

A pesquisa demonstrou também que por mais que seu cérebro resista à tentação, há um lapso de tempo, pois a tomada dessa decisão não é instantânea. É o diabinho e o anjinho competindo para saber a quem caberá a decisão final, e ilustra porque é tão difícil nós tomarmos decisões, mesmo as mais corriqueiras sofrem esse lapso temporal, que no mais das vezes é imperceptível a nós, mas está lá. Quanto mais complexa, maior será esse lapso.


Fonte: Caltech

3 comentários em “As tentações que os olhos vêem e o cérebro pira

  1. Fico pensando se a analogia infantil do “anjinho e diabinho” foi realmente o ponta-pé inicial para iniciar essa pesquisa. ;-)

  2. Sei que estarei sendo folgada demais, André, mas sabe de algum lugar aonde eu possa ler o pdf completo da publicação? Muito interessante que haja um lapso de tempo na tomada da decisão, e principalmente a briga entre esses dois centros de decisões. Queria ler mais :/

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