Tem algum telefone sobrando? Ele pode virar um satélite

Das pequenas grandes coisas
A deusa obscurecida pela Lua

Desde que eu vi um satélite voando pelo céu pela primeira vez, eu sempre quis ter um. Ao me lembrar do tempo que vi o Sputnik voando pelo céu como um ponto brilhante (acho que entreguei a minha idade), sempre fico pensando se não poderia um satélite meu, só meu, totalmente meu. Nem precisava ter armas atômicas (um simples raio da morte seria o suficiente). Agora, a NASA pesquisa se poderiam usar um smartphone como um satélite. Sonhar demais? Ir à Lua também era.

O Ames Research Center é um centro de pesquisa, mas acho que você já sabe disso. Eles desenvolvem muita tecnologia, incluindo um sensor de produtos químicos para celulares (onde compro? Onde compro?). Levados pelo alto custo na fabricação de satélites (e como a NASA vive tendo cortes de verbas, mas não tanto quanto governos toscos fazem com seus ministérios de Ciência & Tecnologia), eles estão pesquisando alternativas que possam substituir as atuais tecnologias de construção de satélites.

Redução de custos é o que sempre fez a indústria avançar, caso contrário ainda estaríamos usando escravos para girar moinhos. Escravos andam caros devido à escassez no mercado. Dessa forma, teve-se a ideia de usar celulares do tipo smartphone, o que faz o seu Nokia de 1,99 ficar fora do projeto.

O princípio é que celulares dispõe de muita tecnologia envolvida, como processadores poderosos, câmeras e o Angry Birds. Com isso, surgiu o projeto PhoneSat, baseado no sistema operacional Android, já que a Apple adora tirar BILHÕES E BILHÕES de todo mundo.

A construção do PhoneSat 1.0 custa cerca de 3.500 dólares, praticamente o meu salário (de dez anos). É um cubo do tamanho de uma caneca de café — o tipo de coisa que você pôde comprovar com a imagem ao lado — projetado para suportar a radiação cósmica, tendo um smartphone HTC Nexus One como célebro em eu interior. Como quem tem um smartphone qualquer sabe a maravilha da autonomia dele em termos de bateria, o Nexus (eu estou rindo muito aqui com a ironia da coisa, ainda mais se você curte filmes da década de 80) dispõe de baterias externas. Fora isso, não tem diferença nenhuma pro seu celular aqui na Terra, ainda mais na capacidade de captar sinal da Tim.

Mas eu vejo problemas com isso, principalmente na própria facilidade de construção dele. Não que o PhoneSat 1.0 sirva para muita coisa; claro que desenvolveram algo melhor e melhor. Não é este desenvolvimento que é ruim, pelo contrário. Só que grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Com a facilidade de construção e baixo custo pra mandar isso lá pra cima, teremos a possibilidade de termos uma constelação de satélites pequenos, baratos e… perigosos. Imaginem um troço desses viajando a milhares de quilômetros por hora. Já temos um grande problema com lixo espacial; entretanto, a tecnologia não pode ser desinventada, e ninguém quer isso. Nem mesmo eu.

O entretanto do entretanto é que só alguém bem pedante acharia que isso serviria para usar apenas aqui. Uma tecnologia dessas pode ter várias aplicações, ainda mais se for para jogar contra um asteroide para estudá-lo que nem a sonda Deep Impact, lançada em 2005. Desenvolvendo satélites baratos, que possam ser construídos de maneira fácil e rápida, poderemos estudar muito mais, já que criancinhas na África não comerão celulares, mesmo. No máximo, criarão sistemas de energia autossustentável para recarregá-los.

O satelitinho já foi testado com sucesso em vários ambientes extremos, incluindo câmaras de vácuo-térmico, mesas de vibração e choque, vôos sub-orbitais de foguetes, balões de alta altitude e com o filho de 3 anos de um dos pesquisadores. O PhoneSat só quase sucumbiu no último teste, mas foi aprovado no geral, o que não é muita novidade, já que o Google já tinha mandado um dos seus filhotes para o Espaço antes. Abaixo, uma reportagem sobre o teste de lançamento do PhoneSat, ocorrido em 2010:

O próximo lançamento está previsto para 2013e eu fico cá imaginando se as fotos geradas pelo satelitinho serão tratadas via Instagram e publicadas direto no Facebook. E quando um astronauta da ISS acessar dados coletados pelo PhoneSat, a fim de retransmiti-los aqui pra baixo, ficará mais do que justificada a expressão "ET Phone Home."


Fonte: NASA

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Sobre André Carvalho

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