Protozoário causador da malária evolui e agrava a doença

Mais uma da série: Evolução não existe, mas esqueceram de dizer isso pra Natureza. Todo mundo sabe ()ou deveria saber) que um dos maiores problemas quando se combate uma infecção é quando os medicamentos não são suficientemente fortes para aniquilar com os safados, mas algumas cepas estão resistentes ao remédio, enquanto que a maioria morre. Estes mais fortes se reproduzem, pois foram naturalmente selecionados, gerando descendentes mais resistentes, que terão mais descendentes cada vez mais resistentes.

Se isso não bastasse, ainda temos outro evento onde a Seleção Natural atua: quando o vetor não é exterminado pelos inseticidas, e os resistentes têm descendentes, que geram descendentes etc. A Seleção Natural dá, a Seleção Natural tira.

A drª Victoria Barclay, que está p´reparando seu pós-doutorado na Universidade Estadual da Pennsylvania, estuda a evolução do Plasmodium, o parasita malvado, mal-cheiroso, maledicente e feio, além de ser bobo e chato. Sua pesquisa indica que as vacinas usadas para combater a malária está deixando o protozoário mais forte. Não que o plasmodium "tome bomba" para ficar marombado. Simplesmente, ele é naturalmente selecionado, onde as cepas mais fortes sobrevivem, como foi dito no primeiro parágrafo.

Apesar do decréscimo na ocorrência de malária, principalmente devido ao uso de simples telas usadas nas camas, os famosos mosquiteiros, e de medicação adequada, um problema ficou evidenciado: inseticidas não estavam resolvendo o problema dos mosquitos pertencentes à espécie Anopheles gambiae, o vetor que carrega o protozoário causador da malária. De acordo com um artigo publicado no jornal médico The Lancet, países africanos poderiam ter uma redução maior ainda na incidência da malária, mas o processo evolutivo selecionou naturalmente alguns mosquitos que sobreviveram aos inseticidas, gerando descendentes mais fortes.

Voltando à pesquisa da drª Barclay, que não é dona de nenhuma ilha, diversos ratos foram vacinados com uma proteína específica e, em seguida, expostos ao Plasmodium. Depois de algumas gerações, o parasita dos infernos tornou-se mais virulenta, mal feito o Pica-Pau, causando uma doença bem mais grave. A pesquisa foi publicada na PLoS Biology.

Agora vem a parte que dirão que Evolução não existe?

Até a minha avó sabia, dizia, lembrava e bronqueava que "gripe não cuidada fica encubada volta mais forte". Minha avó, já falecida aos 94 anos sabia mais sobre evolução biológica que muito estudante. E isso com a educação clássica que as mulheres recebiam no século passado.

Isso ilustra o quanto devemos nos preocupar ao desenvolver vacinas e em sua aplicação. Não basta a vacina mandar pra vala 99% do contingente se o 1% restante ainda seguirá as santas linhas codificadas em seu código genético, gerando novos "filhotes". Na mesma medida, mosquitos devem ser aniquilados de vez, oque pode ser considerado como fora de qualquer esperança. O que se foca, então, é a combinação de frentes e princípios ativos para nossas vacinas, de forma que tenhamos uma espécie de coquetel anti-protozoários, de forma a aniquilar de vez esta praga, desenvolvendo algum tipo de "predador bioquímico" para o Plasmodium. É usar a Seleção Natural contra a Seleção Natural.

3 comentários em “Protozoário causador da malária evolui e agrava a doença

  1. Por falar nisso (ou não) no Brasil recentemente foi executado um projeto onde aedes aegypt machos geneticamente modificados para serem inférteis foram soltos em algumas cidades nordestinas, a fim de copularem com fêmeas e não gerarem filhotes (ou gerarem ovos que não de desenvolvem, não lembro ao certo).

    Esta coisa de inserir animais na natureza (nem que seja na natureza modificada de hoje) a fim de combater algum outro organismo me lembra aquele episódio dos Simpsons da infestação de lagartos na cidade… :-)

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