Em São Paulo, sacola biodegradável ofende a Natureza

Paulistas e paulistanos não têm agora pra onde correr. Até hoje os supermercados podiam dar a famosa sacolinha amiga para que os pobres mortais possam levar para casa todas as suas compras. A partir de amanhã, quarta-feira 4 do 4, nada feito. Ema, Ema, Ema, cada um com seu pobrema. Nisso, um acordo foi firmado entre o Ministério Público e os supermercados, que dava 2 meses a todo mundo se enquadrar, e o consumidor que se ralasse. Ninguém consulta a nós, povão. Isso gerou até uma certa doideira, já que nem sacola biodegradável pode ser usada.

Sim, eu sei o que você está pensando: alguém tá levando muita vantagem com isso.

Segundo notícia do G1, ao que parece, o Ministério Público e o Procon cheiraram pó que passarinho não cheira. No entendimento dos supermercados era possível a venda de sacolas biodegradáveis, já que estas… bem, são biodegradáveis. O ambiente cuida da sacola, não haveria dano (pelo menos, não muito. Sempre causa-se impacto de um jeito ou de outro) e as Pollyanas viveriam felizes. Só que não foi isso o que aconteceu. Tanto o MP quanto o Procon resolveram que isso não pode, isso tá errado e que a Natureza falaria "Não! Não! Não!". Ambas instituições determinaram (ou quase, já que nenhum dos dois tem poder para isso diretamente) o fim definitivo da venda das sacolas biodegradáveis, já que elas também são descartáveis. O fato do ambiente dar um fim nelas é secundário.

Senão, vejamos. Os mercados apelam para uma alternativa ecológica. As pessoas continuariam a levar seus mantimentos pra casa, pagando pelas sacolas. Tudo bem que eu acho que 60 centavos está meio caro, mas é uma alternativa. Mas o pessoal ecologicamente correto acha que algo biodegradável, sei lá, não é biodegradável e ofende não só o meio ambiente, como o ambiente inteiro? (sim, eu sei.) Não, o ecologicamente correto é distribuir caixas de papelão. Eu gostaria muito de saber como uma família de, digamos, 4 pessoas carregaria suas compras em caixas. Ah, bem, claro que o Governo entrará com um bolsa carro, de forma que todos possam colocar suas compras bem acondicionadas e possam levar com tranquilidade seus mantimentos, sem se preocuparem com chuva ou algo molhado fazer com que o papelão desmanche. Eu me lembro de quando as sacolas de supermercado eram bolsas de um papel cartão grosso, mas que virava manteiga se molhasse.

Os supermercados estão obrigados a vender até agosto um modelo de sacola reutilizável por até R$ 0,59. A Revista Brasil fez um artigo muito interessante sobre isso tudo, o qual eu soube pelo pessoal do Discutindo Ecologia em fevereiro. que merece Isso sem falar nas famigeradas eco-bags. O pelo mesmo Discutindo Ecologia que eu tinha chegado a uma artigo do Coluna Zero, que questiona essa maravilha do 3º milênio, que são as eco-bags e as sacolas biodegradáveis, mostrando que o impacto ecológico não é apenas o descarte, mas sim a feitura das ditas sacolas, bem como a produção da matéria-prima.

É estranho que tanto o Procon e o Ministério Público posem-se como conhecedores de processos industriais e bioquímicos quando defendem o que é melhor pro meio ambiente. Sim, as sacolas plásticas causam muitos transtornos e isso é devido principalmente em como o lixo é descartado. Entretanto, deve-se levar em conta não só uma forma de impacto ambiental, mas todos eles, e daí só posso concluir que, assim como no caso das malditas tomadas do chamado "padrão brasileiro", alguém está ganhando com isso. Quem é? Não é a população. Seria a população se os governos investissem em coleta seletiva de lixo, coisa que aqui no Rio de Janeiro só se vê em doces sonhos dos defensores da Natureza.

O comércio de bairro é algo que está acabando. Não vemos mais quitandas e sim "horti-frutis". É difícil de ver um açougue, como aqueles da rua perto de casa. Agora, só nos mercados. Os mercadinhos estão acabando e só são facilmente encontrados em bairros mais pobres, pois nos de classe média, média-alta, só os grandes mercados dominam, ainda mais por poderem oferecer preços mais competitivos, pois suas compras são feitas direto com os produtores, ou com um mínimo de atravessadores. Com o término do mercadinho de bairro, as pessoas tendem a sair pra comprar mantimentos de uma só vez, seja compra mensal ou quinzenal. Alguma coisa em termos de compra semanal. Logo, o transporte de um volume maior implica em um problema logístico: como carregar as coisas? Carrinho de feira? Haja carrinho. Você anda de ônibus? Tente entrar em um com 3 carrinhos de feira cheios de comida num ônibus no fim do dia, hora que as pessoas largam do trabalho e saem pra fazer as compras. Há o caso de fazerem nos fins-de-semana, coisa que muitas pessoas fazem e, portanto, mais pessoas nos transportes públicos, seja ônibus, trem ou van (pirata ou não). Dar a estas pessoas umas 3 caixas de papelão é, no mínimo, piada de mau gosto. Se bem que ninguém se lembra do povão, mesmo, focando-se em como o pessoal que tem carro faz seu translado.

Obviamente, ter um carro não implica culpa, mas também não apaga o problema de quem não tem. E disso temos que as pessoas deixam de usar as sacolas plásticas que usaram para trazer sua comidinha, como embalagem de lixo, para comprarem sacos plásticos de lixo, vindo embalados em pacotes de plástico. Ou seja, você não jogou sacola plástica fora como saco de lixo para comprar saco de lixo para ser jogado fora junto com o seu lixo. Lógica? Você está por aqui? Dizer que isso diminuirá a quantidade e/ou a frequência com que se coloca lixo fora pro lixeiro levar e uma boçalidade, já que as pessoas não vão acumular lixo em casa. Se acumularem? Moscas, mosquitos e ratos adorarão e isso é bem ecológico, já que estamos alimentando os bichinhos, certo?

Ainda de acordo com a reportagem do G1, João Sanzovo, diretor de Sustentabilidade da Apas, afirma que várias foram as ações adotadas por alguns comerciantes, entre eles o de levar as compras de seus clientes em casa, usando veículos automotores, muitas vezes usando óleo diesel como combustível, pois é o perfeito exemplo de uma maneira sustentável e ecologicamente correta, pois não causa impacto nenhum ao ambiente. Estou orgulhoso de você, João. Parabéns.

12 comentários em “Em São Paulo, sacola biodegradável ofende a Natureza

  1. Aff!

    Esse lance de proibir a distribuição da sacolinha está enchendo o saco (trocadilho péssimo).

    O governo continua querendo empurrar para o povo toda a responsabilidade que ele deveria ter, pois melhorar o sistema de coleta e reciclagem seria uma medida muito melhor que proibir a distribuição das sacolinhas.
    Além dos transtornos para os consumidores, temos que lembrar que existem famílias que tiram seu sustento da produção das sacolas, logo existe um impacto social que não está sendo levado em conta (penso eu).
    Nosso governo prefere mascarar problemas ao invés de os combater.

    1. @skin

      Não adianta nada querer que o governo queira se meter num nó logistico desses, até porque é se meter num vespeiro perigoso e de pouco resultado positivo no campo político.

      Mais fácil fingir que faz alguma coisa para tentar se marquetizar do que fazer alguma coisa de fato. Melhor manter os conchavos como tão com o minimo de distensões possível.

  2. resultado: agora tenho que comprar sacolas reutilizáveis para carregar as compras (cuja eficácia ambiental é questionável), e sacos plásticos para as lixeiras de casas, além de sacos maiores para descartar o lixo. qual foi o ganho ambiental mesmo?

  3. PROIBIR sacolas plásticas é uma idéia muito cretina. Aqui no Japão estão cobrando 5 ienes (10 centavos) por elas em alguns super-mercados e mesmo assim acho um absurdo.

    Aqui tento resolver esse impasse guardando as sacolas para usar mais de uma vez, já que para o lixo usam outros tipos de sacos. E claro, evito ir aos super-mercados que cobram por sacolas plásticas. Agora me pergunto: aonde os ecochatos querem chegar com isso?

  4. Olha, estou fula com isso, pq vivo aqui nesse país de bananas chamado sampa e sei bem que supermercado nenhum nao tá nem aí com o ambiente inteiro, trata-se de economizar a grana gasta com as sacolas outrora concedidas gratuitamente. Veja bem: sacolas plásticas aqui em sampa eram utilizadas, ao menos, duas vezes: uma para carregar compras e outra como sacos de lixo. Agora as pessoas terão de comprar sacos-de-lixo que são mais grossos e contém mais plásticos. E aí, comofas?

    Ah, os caras levam as compras? Sei, além do problema do combustível, revelado neste artigo, ainda tem o dos produtos perecíveis que o consumidor tem de levar sozinho, pq eles não entregam.

    E as compras de ocasião? Tipo: vc tem de comprar ‘mistura’ para fazer o goró (mentira, cozinho bem prá dedéu, sou quase uma Gordon Ramsay de saias!) para o maridão e, como não é dia de ‘fazer as compras do mês’ vc não está portando a sua ‘sacola retornável com desenhos ridículos estampados’; vai no mercado…. E então?

    O problema dessa cidade é que o povo aceita tudo passivamente, até o Kassab aceitamos!

  5. Pergunta destinada aos toscoecos:
    Existe maneira de se produzir, usar, consumir, descartar ou guardar qualquer coisa ou ate mesmo respirar, neste mundo, sem que cause danos ao meio ambiente ou qualquer parte desta galaxia?
    Como disse George Carlin (o comediante)..”A Terra possibilitou o plastico e Ela encontrara um jeito de absorve-lo. O homem? bem, esse ser nao estara mais aqui e a Terra permanecera salva e renovada por milhoes de anos.”

    p.s. Os acentos graficos foram ecoconcientemente evitados, para colaborar com o meio-chato-ambiente.

  6. Nossa, a situação está feia, hein? Vou ficar muito mal acostumada aqui em Okazaki, aonde cada lixo tem seu saco próprio de destinação e temos que fazer a separação de plástico, PET, papel, queimável, não queimável, lixo perigoso, latas, vidros e tampas de garrafas PET (sendo as últimas utilizadas apenas na criação de ampolas e seringas para vacinação).

    Ah São Paulo, Brasil, ou onde quer que seja, por que não agir na coleta seletiva? Ah sim, porque 99% das pessoas são como a minha mãe que acha que papelão da caixa de pizza é reciclável no lixo de papel.

    1. @Mari.,

      Eu faço parte dessas 99% das pessoas que acham que o papelão é reciclável no lixo de papel rs. Dúvida sincera, em que lixo ele deve ser descartado então?

      1. @Baldim, Se você estiver no Japão, há um centro próprio para reciclagem de papelão. Agora, se você está no Brasil, a diferença é se o papel está engordurado ou não. Se estiver é lixo normal não podendo ser reciclado. Se não estiver então você considera como papel. Mas não importa que apenas uma mancha de gordura haja no papelão, não ajuda jogar só aquela parte no lixo comum e o resto no reciclável, porque se houve esse simples contato, pode haver gordura em mais partes do material e que você não esteja vendo e durante o processo de reciclagem isso possa atrapalhar a confecção dos produtos reciclados.

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