Felicidade: Seu direito constitucional garantido ou seu dinheiro de volta

Nunca confie num clone. Alice dormiu no ponto e alguma pedagoga-zumbi-radioativa fugiu, mordendo todo mundo em seu caminho. Um deles, ao que parece, foi o senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) que teve a “brilhante” ideia de protocolar uma proposta de emenda constitucional (PEC). O que vem nesta emenda? Pena de morte? Demissão sumária para político safado (com direito a algumas chibatadas em pra pública)? Não, isso não é importante. o importante é garantir o bem-estar das pessoas e, para isso, a PEC em questão visa incluir o direito à busca da felicidade na Constituição. Esta proposta recebeu a alcunha de “PEC da Felicidade” e esta é a segunda edição da SEXTA INSANA!

No artigo 6º da Constituição Federal, lemos: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. São direitos que eu, você e até aquele vizinho escroto que ouve banda Calypso no último volume temos. Se bem que ter direito a algo é uma coisa, verdadeiramente termos acesso a este algo é completamente diferente e efetivamente termos o tal “algo” é ainda mais diferente. No mundo real, só temos direitos ideais e deveres reais.

Ante-ontem (10/11), a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ, mas não sei porque não colocaram o último “C”) aprovou a inclusão da felicidade no artigo 6º, a qual ficou com a seguinte redação: “São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados".

Que lindo, Cristóvam, lindo mesmo. Estou com os olhos marejados e estou ouvindo a Julie Andrews cantando ao longe: The hills are aliiiiiiiiiiiive by the sound of muuuuuuuuuuuuuuuuuuuusic!

Estou tocado, vejo passarinhos cantando e ouço o desabrochar de rosas. Eu até penso comigo mesmo: What a wonderful world!

MAS EM QUE ISSO MUDA O PAÍS, CRIATURA?

Bem, tio Cris argumentou que realmente a frase acrescentada não muda nada, mas “quando ela pegar, quando a população perceber que por não ter amplo acesso aos direitos sociais tem sua busca à felicidade reprimida, podemos ter uma revolução no País."

Alguém, PELO AMOR DE HADES, dá um pedala-robinho no Cristóvam para ver se o distinto acorda pra realidade. Não será a merda de umafrase patética que mudará a situação do País. A felicidade do povo será alcançada quando o SUS funcionar de forma adequada e eficiente, sem marcar consultas para o ano que vem. Some-se a isso água e esgoto encanados, pois larga parcela da população não tem acesso a esta última inovação tecnológica chamada “saneamento básico”. Felicidade é uma meta que será alcançada quando o percentual de analfabetos se firmar em um número de apenas um dígito (e mesmo assim acho muito). A felicidade não é alcançada com blábláblá de masturbadores intelectuais, SENADOR! Dar chequinho-esmola e uma frase na CF não resolve PICAS!

Nas palavras do próprio senador, veiculadas em seu blog, “essas poucas palavras a mais, no art. 6 º, humanizam um pouco a Constituição. Direitos sociais é uma questão política e felicidade é uma questão de sentimentos.”

Isso é uma vergonha para duas pessoas. Para o distinto Cristóvam Buraque e para mim, pois ele era a minha ultima esperança que políticos não teriam ideias retardadas e totalmente desprovidas de qualquer lógica. É o chamado sentimento de vergonha alheia. MUITA Vergonha Alheia!

Sociólogos devem estar salivando que nem os cães de Pavlov, pois foi conseguido uma coisa que suas mentes imbeciloides não param de ruminar: palavras vazias tentando dar sentido às suas ridículas existências. Enquanto isso, vemos que no mundo real nem todas as pessoas têm direito a moradia, segurança pública, educação ou mesmo atendimento médico. Mais insano ainda é o fato de haver “leis que pegam” e “leis que não pegam”. Eu procurei em sites dos governos da Suécia, Holanda, Canadá, Finlândia, Noruega, Austrália, Inglaterra etc e não vi nada parecido com isso. Lei que não pega? Só aqui no Brasil mesmo, mas não podemos levar nada disso em conta, pois é tudo invenção da Imprensa Golpista.

27 comentários em “Felicidade: Seu direito constitucional garantido ou seu dinheiro de volta

  1. Hum… garanto que se fosse o Carl Sagan que sugerisse em um de seus belos textos que a busca pela felicidade fosse um direito constitucionalmente assegurado, vocês todos estariam pulando de alegria.

    O que vai parar na Carta Magna não é apenas uma coleção de achismos. É muito importante. Ter assegurado a felicidade como objetivo de toda uma nação pode influenciar políticas públicas, centrar o desenvolvimento para este fim e, principalmente, nortear uma sociedade mais justa.

    Perseguição ao preconceito, direito de credo e expressão, leis trabalhistas e tudo mais são igualmente conceitos abstratos. E constam na Consituição. E é a presença desses enunciados que os fazem tão caros a todos que conseguem entender a importância das leis e das cláusulas pétreas em que uma constituição está calcada.

    Você pode divergir dizendo que, afinal, é muito difícil estabelecer o que é felicidade e mesmo patrociná-la às mais diferentes pessoas. O que não pode é dizer que é invalida e insana a iniciativa de torná-la, sim, um direito constitucional de todos e um objetivo a ser buscado pelo Estados.

    Na boa, a qualidade do Ceticismo caiu muito, mas muito, muito mesmo nos últimos tempos. Revisem, encontrem redatores que não apelem sempre para os mesmos tipos de frases feitas, que não esgrimam sempre com os mesmo termos e, principalmente, que enxerguem algo a mais que o próprio umbigo.

    Porque num lugar onde fala-se de Sagan fica muito mal tamanho preconceito, falta de conhecimento e capacidade de discernir o que simples atos podem significar no longo prazo.

    1. Perseguição ao preconceito, direito de credo e expressão, leis trabalhistas e tudo mais são igualmente conceitos abstratos. E constam na Consituição.

      Leis trabalhistas, caro desinformado, são regulamentadas na CLT. Até mesmo se Martin Luther King, Carl Sagan ou a minha avozinha quisesse colocar tal frase inútil numa constituição não deixaria de ser idiota. Salário decente, moradia, saneamento básico, hospitais, escolas e policiamento não são conceitos abstratos.

      Na boa, a qualidade do Ceticismo caiu muito, mas muito, muito mesmo nos últimos tempos.

      Sem problemas, ué. Você não precisa nos visitar mais não. Aqui damos primazia a leitores com cérebro. Taqui um site bem adequado à sua capacidade intelectual: http://www.pudim.com.br

      Bái.

    2. @filipe.garrett,
      É Filipe.garrett, eu também acho a Constituição algo muito importante, por isso eu acho que ela deveria ser levada bem mais a sério pelos legisladores (que NÓS elegemos).
      Felicidade é um conceito muito vago. O que é felicidade?
      Não acho que a busca pela felicidade seja algo a ser criticado, mas eu só posso buscá-la se eu sei o que ela é. Agora, se o próprio Cristóvão Buarque admite que a emenda não muda nada aí fica difícil…

  2. Se eu disser que, para ser feliz, preciso de depósitos mensais de um milhão de doletas em minha conta bancária, o governo terá o dever de me conceder isso, de acordo com essa PEC? :P

    Afinal, eu tenho direito à felicidade, não? :P

  3. Bem, se o negócio é felicidade então que se distribua Prozac pro povo. Muito mais fácil do que garantir meios de se alcança-la !!!!

  4. Eles só trabalham três dias por semana e ainda fazem isso! Meu voto em branco veio a calhar(até tu Cristóvão!)…

  5. Aí você fica imaginando quantas pessoas (“açessores”) estavam envolvidos na elaboração do projeto (custo horas-homem inútil)… o tempo desperdiçado para decidir pela aprovação na CCJ… o tempo desperdiçado com a deliberação nas duas casas do Congresso (e, posteriormente, na Presidência!)… o gasto com toda a infra-estrutura e pessoal para manutenção predial… (ah, sim: tudo muito beeeeem pago com o seu, o meu, o nosso suado dinheirinho!)
    Caracas!!! Implodam aquela merda!!! O mal da “Máquina” (quinquilharia!?) Pública é que ela não tem concorrência! (acho que deveriam privatizar o Governo!! Pra um grupo extrangeiro, de preferência!!) :shock:

    PS.: obrigado pela risada provocada pela imagem que abre o artigo! Muito bem escolhida!

    1. @MXuinguel,
      Uma PEC já começa a tramitar em regime de prioridade, passando à frente de muitas outras coisas, daí você já pode começar a calcular o desperdício de recursos…

      o tempo desperdiçado (…) (e, posteriormente, na Presidência!)
      Emendas à Constituição não estão sujeitas a sanção do Executivo (assim como Resoluções e Decretos Legislativos), mas entram em vigor com a promulgação pelo Legislativo, se a Presidência não gostar, tem que recorrer a uma ADIN, no STF.

      Ah, ainda sobre custos, de cada alteração na Constituição (ou outra norma legal qualquer) começa o efeito cascata de todos os que dependem dela terem que correr atrás das atualizações.
      Só para se ter uma idéia, aqui em Terra Brazilis, uma nova norma tributária é criada a cada 10 minutos (1). Período.
      Tente não cometer um deslize ao pagar seu imposto.

      Nossa Constituição é tratada como piada, com seus zilhões de artigos (uma Constituição que cria imposto e impõe teto a taxa de juros? Onde mais no mundo?), dá até pena (não muita) de quem tem que se manter atualizado em matéria constitucional e legal.

      (1) varia de acordo com a fonte:
      http://contabilidadeecontroladoria.blogspot.com/2010/10/apos-22-anos-da-atual-constituicao.html
      http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=15495&sid=9
      http://www.conjur.com.br/2008-jan-15/cada_tres_minutos_surge_norma_tributaria

      1. “Emendas à Constituição não estão sujeitas a sanção do Executivo (…)”
        É verdade! Eu, que já prestei alguns concursos públicos, já soube disso um dia (e deveria continuar sabendo, eu sei!)… :mrgreen:

        O efeito cascata que você citou é o pior, visto que é realmente pouco lembrado por nossos legisladores: quando, por exemplo, surgem em suas cabeças de jerico a brilhante idéia de alterar os nomes de parques, vias, rios, etc para homenagear novos personagens da história. É incrivel que o egoísmo e a autopromoção através de marqueting vagabundo (como esse no artigo) passam por cima da noção das nefastas conseqüencias. A mudança do nome de um rio, por exemplo, acarreta a necessidade de alteração de todas as certidões dos imóveis lindeiros e, mesmo assim, há sempre projetos mirabolantes nesse sentido.

        “Nossa Constituição é tratada como piada, com seus zilhões de artigos”
        É isso que dá deixar 594 políticos (muitos de ego hipertrofiado, megalomaníacos, incompetentes, corruptos…) tomarem conta do rumo do país. Cão com muitos donos morre de fome (ainda mais com esta alcatéia!).

        Quanto ao comentário do André: os contratos para confecção e manutenção de sites, juntamente aos de implantação de sistemas informáticos específicos são sempre os que dão maior discrepância em relação aos preços praticados no mercado. Acho que vocês já sabem o porquê.

        Sem mais, grato pelas informações adicionais!

  6. Cristóvam Buarque é um dos poucos políticos que pensa realmente na educação.

    Ontem vi uma entrevista dele para a TV Senado. Ele disse uma coisa interessante: Se Dilma não conseguir construir os estadios para a copa do mundo de 2014, o povo vai fazer uma revolução, mas se o IDH continuar a vergonha que está, ninguém vai ligar, na verdade não vão nem saber. Então ele defendia um investimento anual de 7 bizinho na educação.

    Na minha opinião, sua intenção como político é boa, mas nessa PEC ele foi infeliz.

    Votei nele quando foi candidato a presidente e TALVEZ votaria de novo caso se candidatasse.

    1. Eu nunca discordei da preocupação dele com a Educação, só que o MEC nunca foi levado a sério neste país (bem, nada é levado a sério), mas essa PEC só remonta a uma expressão: Porra, Cristóvam!

  7. Não sou intelectual nem metido a. Simplesmente vejo ele utilizando esse termo o tempo todo para criticar o jornalismo que é feito no Brasil. E você vem utilizando o termo também.

    1. Sei. De início, eu estava me referindo ao Paulo Henrique e não a você. Interpretação de texto é excelente, às vezes. Experimente.

      “Segundamente”, a possibilidade de eu estar sendo sarcástico sobre a besteira de “imprensa golpista” e merdas semelhantes não passou pela sua cabeça, pois não?

      (pronto, agora vão pensar que eu sou da linha do Reinaldo Azevedo ou do Olavo de Carvalho)

  8. Se a felicidade entrar na conta do PIB, ficarem ainda mais rebaixados. Isso não é loucura, têm muita gente que pensa que a felicidade deveria ser contabilizada. :???:

  9. Quando fiquei sabendo dessa PEC também fui atrás para investigá-la e minha conclusão foi a mesma: Porra, Cristovão!

    Entretanto, mantenho minha opinião que ele seja um bom político na área da educação, pois como governador não foi muito bem.

  10. ‘Tá certo, sem os direitos sociais minha felicidade é reprimida. Mas quem bloqueia meu acesso aos direitos são os próprios governantes e deputados, ou seja, é um ciclo sem fim. Acho que a mudança no artigo só serviu para decretar o fim deste país e sua nação :/

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