Brinquedo de carro de polícia é condenado por educadores

julieandrews.jpgBom dia, meus amores! <3 Vejam como o Sol, nosso amigo Sol, está radiante e maravilhoso! Vejam as nuvenzinhas brancas passando e olhemos para os lírios do campo e para as margaridas, com borboletinhas voando para lá e para cá. Oh, que mundo lindo é este em que vivemos! Vamos correr pelas colinas, com o vento sussurrando melodias e os passarinhos cantando em uníssono. Mas, queridos, esta harmonia linda do nosso planeta (oh, que vontade de abraçar uma árvore!) está ameaçada, pois um bando de sacripantas, malvados e feios resolveram destruir a pureza de nossos coraçõezinhos. Acreditam que tiveram a pachorra de venderem um… HORROROSO carro de polícia? E todo preto? Não! Não! Não! Não podemos permitir que isso vá adiante.

Eu vi essa ignomínia numa notícia do jornal O Globo. Nossa, fiquei sem palavras! Eu nem sei como começar. Essa mania de termos ações policiais mostradas à toda hora na TV mostra como estamos conduzindo nossas criancinhas. Policiais de preto, uma cor medonha que evoca escuridão, prendendo bandidos. Não entendem que estes bandidos são fruto de nossa própria sociedade? Nós somos os culpados, pois temos que entender as necessidades das pessoas. Elas querem comer, querem ter as coisas que nós temos. Como não podem trabalhar, porque não estudaram, se voltam para a marginalidade. E isso é tarefa de nós, educadores e profissionais de Ensino. O mestre Paulo Freire nos ensina que a escola é um lugar de conflito, onde somos testados, além de nos dizer que nós, professores e psicopedagogos, devemos entender a realidade do educando, pois o professor deve aprender enquanto ensina e isso é bem descrito na maravilhosa Pedagogia da Autonomia, que eu não canso de ler. Não devemos levar em conta que nossos aluninhos sejam tábulas rasas, mas agentes da ação, como Vigotsky teria reafirmado; não esquecendo, contudo, tudo o que Freinet nos passou ao idealizar nosso mundinho mágico, onde levamos nossas crianças para passeios pedagógicos. Por que não fazer isso no lugar onde vivem? Fico tão emocionado ao imaginar educadores passeando pelas comunidades, com as crianças atrás cantando!

Mas não podemos esquecer que assaltos, tráfico de drogas, corrupção, desrespeito, preconceito e desigualdade social levam a atos violentos e criminosos. Violência gera mais violência, e ao combatermos com atos violentos atitudes criminosas, estaremos mostrando às nossas crianças que o diálogo e a paz são desprezados. Como uma criança crescerá com a polícia entrando em seu convívio social? Imaginem que muitas crianças resolvem entrar para a criminalidade. Mas não será por nossa culpa? A polícia não pode ser militarizada, ela tem que fazer papel social, com policiais arrumados, bem vestidos com camisa social e gravata, mas sem mostrar uma arma na cintura, o que já é uma declaração de violência gratuita!

Agora, vendedores capitalistas, movidos pela ânsia neo-liberalista de ganho exarcebado, resolve lucrar com a violência, fazendo com que nossas criancinhas comprem e brinquem de polícia, quando elas deveriam estar jogando bola na rua ou colhendo flores no parque. E se não fosse a polícia entrar nas comunidades para prender os pobres coitados que procuram ascender socialmente — ainda que por vias ilícitas, mas plenamente justificáveis –, não teríamos troca de tiros, o que faz com que balas atinjam pessoas inocentes, mesmo que algum deles estivesse tentando se defender ao apontar um revolver ara um policial. Se a polícia não combatesse com violência e sim com paz e amor, os facínoras se renderiam à paz (A paz… invadiu o meu coração…). Teríamos um mundo melhor e nossos governantes ficariam livres para melhorar nossa cidade, fazendo calçadinhas com lindos tijolos amarelos.

O psiquiatra Fábio Barbirato, chefe do Serviço Infanto-Juvenil de Psiquiatria da Santa Casa de Misericórdia, acha um absurdo um brinquedo como o caveirão. Para ele, o produto é uma analogia à guerra; pois, segundo o bom doutor, “vivemos em um momento de combate à violência e cria-se um brinquedo como esse, que só faz estimulá-la mais ainda”; com isso, a ação da polícia fica demonstrada que há a geração de violência e, por isso, devemos desencorajar este tipo de ação, posto que Piaget jamais seria a favor de expor as crianças em estado pré-operatório a níveis de violência e estímulo de ações contrárias a uma sociedade responsável e sustentável, em pleno Estado Democrático de Direito, quando temos que pensar na sua psicomotricidade.

É lamentável que vivamos num mundo de absurdos, mas devemos ter fé que isso está tendo um fim, pois nossas ações em colégios e na sociedade mostra-se cada vez mais condizente com o que esperamos ser um mundo melhor, belo e civilizado, onde nossas crianças poderão caminhar com seus cãezinhos pelas ruas e cantando alegremente, enquanto batem seus sapatinhos vermelhos.

Dó é um dia, um lindo dia
Ré reluz é ouro em pó
Mi é assim que eu chamo a mim
Fá é fácil decorar
Sol, o nosso amigo Sol
Lá é bem longe daqui
Si indica a condição
Depois disso vem o dó! :mrgreen:


NOTA DOS ADMINISTRADORES DO CETICISMO.NET

Infelizmente, o André está sob o efeito adverso causado pela leitura de comentários idiotas e e-mails retardados. Ao tentar reagir, ele foi mordido por uma pedagoga-zumbi radioativa (os únicos zumbis que têm aversão a cérebros). O dr. Reed Richards e o professor Xavier estão trabalhando na cura, que se dará em breve, e estamos contentes em saber que não é lupus. O dr. House já se predispôs a doar um pouco de sangue. Enquanto isso, rez… bem, confiem na Ciência e o mais ela fará. Obrigado pela compreensão.

— a Gerência.

31 comentários em “Brinquedo de carro de polícia é condenado por educadores

  1. Este post foi escrito ao som de Justin Bieber Featured Restart.

    Mas PQP: Podem criar bonecos de bandidos, mas os carros da polícia são alvo de mimimi? APAPQP!

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  2. Como é que não havíamos pensado nisso? A solução pro controle da violência está nesses malditos brinquedos. E eu achando que era por causa da Lei de Gerson, além de outras mazelas sociológicas desse povo.

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  3. “O psiquiatra Fábio Barbirato, chefe do Serviço Infanto-Juvenil de Psiquiatria da Santa Casa de Misericórdia, acha um absurdo um brinquedo como o caveirão”
    ¬¬
    concordo em tirar o caveirão como brinquedo se tirar também a bíblia como livro de modelo de ética,moral,virtude,amor e tolerância…
    Gostaria que o talzinho avaliasse a mal que faz uma bíblia pra crianças.Não falo daquelas versões edulcoradas de histórinhas não,falo da verdadeira…

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  4. Eu aconselho para o André, tratamento com cristais, aromaterapia, homeopatia, regressão a vidas passadas. E, se quiser melhorar mesmo, assista O Segredo, Quem Somos Nós e complete com leitura do Neale Walsch, Abraham-Hicks ou Ptaah. Eu deveria ter sido médica :cool: .

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  5. (Off) Minha indignação só aumenta, minhas esperanças em ver um país laico (que só é no papel mesmo)… Vou aproveitar o texto “feliz” e terminar em lamúrias, principalmente depois de ver essa “guerra santa”, digo, o debate: Reportagem.

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  6. Engraçado, na minha época, todo mundo jogava Mortal Kombat, tinha vários bonecos dos comandos em ação (aqueles que vinham com uma profusão de armas), assistíamos desenhos “violentíssimos”, e eu, pelo menos, nunca dei um soco na cara de ninguém (se bem que alguns mereceram). A tempo: tenho 22 anos.

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    1. @fred.egito,

      Pois é.

      eu Assistia

      Dragon Ball;
      Pica Pau;
      Tom e Jerry;
      Pernalonga;

      E nunca joguei um piano na cabeça de ninguém, embora tenha brincado de atropelamento com as bonecas da minha irmã e minha bicicleta.

      Tb Jogava DOOM, Duke Nuken, Mortal Kombat, Street Fighter e Tetris, mas nunca tentei dar um gancho na minha irmã (embora as vezes ela merecesse).

      E, por mais interessante que seja: Jogava MUITO Carmageddon, mas NUNCA atropelei ninguém, embora aqui em Monteiro os pedestres e motociclistas implorem para serem atropelados…

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      1. @Guz,

        Gostaria de saber pq Tetris está na relação dos jogos? Por acaso encaixar peças faz alguém perigoso? Bem, eu acabei virando Engenheiro Civil, jogava Sim City, Tetris, Constructor…

        A única influência dos nossos amados desenhos é uma vontade incontrolável de fumar aqueles charutos que apareciam no Pica Pau.

        Também joguei Carmageddon e GTA, nunca tive desejos de atropelar alguém ou sair roubando carros…mas tem gente que alega que sofreu influência: http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3051033-EI8143,00.html – Jovem mata taxista na Tailândia e culpa jogo ‘GTA’

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        1. @Hugo L, Você se refere àqueles “charutos-bomba” que ele dava para o Leôncio? :lol:

          Putz… já vi muita gente criticando jogos violentos, desenhos violentos, brinquedos violentos, etc. Nada pode ser mais imbecil. Bem, a rigor existem coisas mais imbecis, mas é um modo de falar.

          Idiotas como esse que saiu tentando dar uma de “CJ” depois de jogar GTA são retardados mentais e devem ser tratatos como tal (talvez ele queria realizar algumas missões de “Fare”?). Pessoas normais não saem roubando táxis depois de jogar GTA. E tenho certeza que a maioria dos traficantes, gangsters e outros joinhas do mundo real não escolheram “a carreira” por causa de algum jogo ou brinquedo.

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          1. @leumatiello, já que vc respondeu o meu comentário, gostaria de dizer que eu realizei minha vontade de fumar charuto. Foi no dia do nascimento da minha filha, há poucas semanas. Realmente é bom, apesar de estranho no começo.

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          2. @Hugo L, Parabéns cara! Tudo de bom pra vcs! Por um acaso, realizei esse mesmo ritual (novo pai tb ;) ) há alguns meses, mas com cachimbo em vez de charuto, aproveitando o know-how do meu avô na arte.
            Boa sorte!

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      2. @Guz,

        Tem essa famosa frase do presidente da Nintendo:

        Perguntaram ao presidente da Nintendo se os videogames não estavam influenciando as crianças, e ele respondeu: “É claro que não, se o Pacman tivesse influenciado a nossa geração, estaríamos todos correndo em salas escuras, mastigando pílulas mágicas e escutando músicas eletrônicas repetitivas”. (Kristian Wilson, Nintendo Inc., 1989)

        :shock:

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  7. Então temos um problema: quando era criança assisti Pica-Pau, Pernalonga, Tom e Jerry, Corrida Maluca, Leão da Montanha, Pantera Cor de Rosa, bem como jogava Mortal Kombat, Street Fighter, Doom, Day of The Tentacle, Alone in the Dark, e sou um cara normal (pelo menos eu acho haha).
    De onde esses educadores, psiquiatras e psicólogos tiram essas teses doidonas?

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  8. Hipocrisia pura e falta do que fazer. Aposto que esses educadores e psicoloucos tem os piores filhos possíveis.
    Nao vi ninguem reclamando dos tanques de guerra da minha infancia, sem falar das imitaçoes de trabuco…..

    Bando de fresco!

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  9. Agora lembrei, as críticas não são apenas em relação aos brinquedos. Já ouvi algumas músicas do folclore popular nesse sentido, se não me engano, de cantoras infantis famosas, pelo menos na época, como: “não atirei o pau no gato, pois ele é meu amigo”, entre outros, para não fazer apologia à violência. Sempre ouvi essas cantigas e brincava com brinquedos de menino, inclusive desenhos infantis desse “gênero” e nunca cometi um crime. Gostaria de saber de onde eles retiram essas pesquisas.

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  10. Isso ai é falta do que fazer, na verdade, falta de vontade de fazer o que tem pra se fazer, ao invés de ficarem correndo atrás de mimimi de empresas rivais que não tiveram a idéia de comercializar isso antes, deveriam correr atrás do porque o RJ é cercado pelo tráfico, o motivo de não estarem na escola, utópico demais, porque não resolvem qualificar e dar um salário digno aos professores, investindo na educação, trabalhando com projetos extra-curriculares, tentando motivar o jovem a estudar e a permanecer na escola?(pergunta retórica, pois todos nós sabemos porque). É que começando pelas prefeituras e câmaras de vereadores até o plenário, só tem gente querendo tirar sua fatia no bolo, enquanto a população é enganada com quociente eleitoral, onde votam em um palhaço para avacalhar e de repente entra um tanto de marginal (ficam com cara de porque?), é mais cômodo termos os menos favorecidos de informação, controle do povo. Enfim sai demais do contexto hahah desculpem.
    Antes bonequinhos e carrinhos de policial que são seres humanos como todos, que se preocupam com suas familias, saem de casa pra tentar fazer sua, e somente sua parte na sociedade, prendendo enquanto o legislativo solta novamente, heróis, onde a unica diferença dos HQ’s são: não usarem cueca por cima da calça e não serem a prova de projéteis anti aéreo, do que comercializar bonequinhos de Osama Bin Laden, Lula, Dilma (esse é de terror).

    Att.

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