Vice-diretora de colégio britânico é silenciada por suas opiniões

katharine-birbalsingh.jpgNo mundo sombrio das amaldiçoadas pollyannas, fronteiras são algo inexistente. Trolls educacionais vicejam nos quatro cantos do mundo, arrastando tudo e a todos para as trevas da ignorância, pois na ignorância está o poder dos déspotas. Mas o Jedi é o cristal da Força, e a Força é a lâmina do coração; e tal como Luminara Undi nos ensina, Mestra Katharine Birbalsingh, vice-diretora do colégio St Michael and All Angels, mostra que não devemos nos calar ante as atrocidades, como se o anormal fosse normal, e o Duplipensar é mais sutil do que fazem crer. Em uma convenção, do Partido Conservador, realizada em Birmingham, Mestra Birbalsingh meteu o dedo da ferida, mostrando que a escória pseudoeducacional que vemos assombrando os castelos do Ensino é algo que está se alastrando igual a uma praga. Como déspotas não gostam que falhas sejam apontadas, Birbalsingh foi obrigada a se silenciar, apagando inclusive o próprio blog.

A convite de Michael Gove, o secretário da Educação, a professora Katharine não fingiu que vivemos num mundo onde Juddy Garland sai saltitando com Totó (para falar a verdade, sempre a achei que a Fada Boa do Leste parecia um traveco com aquela maquiagem mal-feita). Seu colégio está situado na região sul de Londres, o que não é uma vizinhança muito tranquila. Pelo contrário, é ali onde a violência manda e desmanda, a ponto de precisarem revistar os alunos na entrada. Aqui tentaram fazer a mesma coisa (o que sou totalmente a favor), apreendendo facas, tesouras e até armas de fogo. Daí, algum retardado PPQP (psicopedagogo da puta que pariu) acha que isso é inibir os alunos e causar algum transtorno psicológico ou afetivo ou alguma merda imbecil que só estes idiotas acreditam. Daí, não se pode tomar nenhuma medida, pois a droga do ECA diz que que a escola deve encaminhar o trombadinha para o Conselho Tutelar, que não fará nada. E não me venham com blábláblá. Se você coloca uma arma na mochila, é para alguma coisa além de mostrar pros amiguinhos que seu pai é “O cara”. Aliás, me lembro dos meus áureos dias de professor de colégio estadual onde um dos alunos teve a estúpida ideia de colocar um .38 em cima da mesa da carteira. Como bom educador psicofreudiano da vertente de Paulo Freire, eu disse a ele para guardar aquilo antes que eu enfiasse a arma no rabo dele. Ele preferiu me obedecer.

A questão das armas é simples de resolver: Porte ilegal de arma é crime grave e inafiançável. A Constituição diz que ninguém está acima da Lei (sim, eu sei. Não precisam me lembrar). Logo, é caso de delegacia pro meliante-mirim e pros pais. Mas, não. Políticos preferem escapar disso, pois marginal também vota. O mesmo está acontecendo na Inglaterra, onde estão varrendo o lixo pra debaixo do tapete enquanto colocam os professores em sacos pretos e colocam pros lixeiros levarem (ou seja lá como chamam a COMLURB na Inglaterra).

Mestra Birbalsingh resolveu que não se calaria e num incisivo artigo publicado pelo Daily Mail, ela deixa claro que não se calará e que tudo aquilo é uma “ilusão grotesca” além de afirmar que “as sucessivas gerações de crianças estão sendo traídas por um ethos destrutivo, que promove baixas expectativas baixas, indisciplina e verniz de rigor acadêmico em sala de aula.”

O que a profª Katharine nos traz é a mesma ideia politiqueira vagabunda que temos aqui, onde baixa-se cada vez mais as expectativas, de forma a encobrir o lixo educacional que vivemos, onde mostramos os altos números de aprovação escolar, enquanto “esquecemos” que há aprovações automáticas e métodos avaliativos do tipo “se não tirou zero, passou. Se tirou, fica-se na reclassificação”. Tudo isso com aval dos ridículos burrocratas do MEC, servindo para eleger a escória do Legislativo e Executivo. Depois, cria-se os PROUNIs da vida, onde os alunos acabam desistindo, pois não sabem escrever direito nem fazer contas básicas, quanto mais conseguir entender Cálculo Diferencial e Integral. Ah, mas agora algum débil mental deve estar me chamando de elitista, pois eu pude estudar com livros e em colégios decentes, quando o que deveríamos fazer é transformar todos os colégios em colégios decentes. Mas, não, a filosofia do coitadismo impera e temos que proteger as criancinhas, pois senão o Bicho-Papão vai me levar num saco e me entregar pra Loira do Banheiro (se for a Sharon Stone, não me incomodo).

Por curiosidade, o colégio St Michael and All Angels é mantido pela Igreja da Inglaterra, mas parece que educação de qualidade e ação para coibir a violência esteja nos planos superiores da cópula, digo, cúpula da referida igreja (AVISO: não desviem o tema do artigo ao comentar. Não estamos falando sobre religião). Da mesma forma, políticos também não fazem questão de dar qualidade de ensino a alunos multiétnicos (deu pra perceber que a distinta professora não é cockney, né?). O problema é que as “cabeças” do sistema educacional de lá, tal qual aqui, não querem qualquer publicidade negativa, pois isso pode ser uma ameaça aos financiamentos, desvios de verba e outras safadezas escondidas, como desvios de dinheiro da merenda escolar que ocorrem em Terra Brasilis.

O blog da profª Katharine foi fechado, típico de autocracias (oi, Roseana. Tudo bem?) e ela esta sofrendo pressões para se calar. Mas toda ação deste tipo é idiota e déspotas ainda não entenderam que para pessoas como Kathy não são intimidadas facilmente e ela está botando a boca no trombone, expondo toda a sujeira. A própria Katharine reconhece que muitos professores se calam por medo de perder o emprego, e isso fica bem demonstrado por um discurso de 5 minutos da parte dela acarretando em ser mandada pra casa com o cargo em disponibilidade.

O Jedi é o cristal da Força.

Se todos os professores fossem Katharine, e erguessem o dedo médio e dissessem “NÃO”, tais desmandos não aconteceriam. O que fariam? Demitiriam TODOS os professores? E ser o fizessem, bastava que o restante intensificasse os discursos. Não com violência, mas levando a público tudo o que sabem. Mas ainda há aqueles que simplesmente dão de ombros, não se comportam. É como acontece aqui, onde muitos prestam concurso sabendo que não precisam trabalhar, garantindo um emprego vitalício, ainda que ganhando pouco, mas sem se esforçar em nada. A solução é acabar com a estabilidade para qualquer funcionário público e intensificar a política de meritocracia. Não dando aumento ou bônus por alunos aprovado, o que fará com que os professores aprovem qualquer um (afinal, o objetivo desse “bônus” é justamente aprovação de qualquer jeito para mascarar resultados). Mas ninguém quer isso; nem quem vota por tais bônus nem por quem está ganhando os bônus. Depois, ficam em fóruns e comunidades xingando este ou aquele partido, quando são todos um câncer que deveria ser extirpado.

A Força é a lâmina do coração.

Eu gostaria que todos os professores fossem Katharine Birbalsingh, que merece todo respeito pela sua luta em prol da verdade e da melhoria do Ensino. Mas ela é apenas a exceção e vocês, prefeçores não passam de algo que nem meu cachorro cagaria em cima.


Fonte The Telegraph

15 comentários em “Vice-diretora de colégio britânico é silenciada por suas opiniões

  1. (AVISO: não desviem o tema do artigo ao comentar. Não estamos falando sobre religião)

    Mas será que o palmeiras ganha hoje?

    Falando sério, Infelizmente há uma raça de seres humanos menos evoluidos que a gente.
    BTW: na minha época o pessoal superior chegaria ali e faria uma proposta irrecusavel a pobre professora..

    1. @marcelusmedius,

      Bem colocado o comentário… é o sistema educacional de empurrar a Novilíngua goela a baixo (ou num referencial inverso) e ficar por isso mesmo…
      Cada dia que passa os mais dos melhores profissionais vão ficando com as mãos atadas por politicagens e essas pedagogias de merd…

  2. Quanto mais leio em seu blog, mas sinto inveja de seus alunos. Gostaria de ter professores como você. Gostaria de deixa rum relato: Em minha escola (pública, rodeada por uma favela aqui de São Paulo) já vi uma professora que dá aula de Matematica dizendo que só vinha trabalhar pra poder pagar uma boa escola pro filho dela (O Objetivo) e pra ele não precisar passar pelo que (nós bons alunos) estamos passando. Ela complementou dizendo que a escola era uma merda e que a maioria dos alunso também era. Estou no fim do 8 ano, sempre estudei em escola pública, e posso dizer que isso é o inferno pros bons alunos (homens… Porque mulher ninguém mexe. Agora, homens que se destacam levam na cabeça).

    Já vi alunos batendo em professores. O professor não gostou de ver um bom aluno apanhando em sala de aula, em plena prova, o aluno se esquentou e professor e aluno entraram na porrada! Foi horrivel… Não conheço escolas privadas, mas para o aluno não deve ser pior que escola publica, pelo menos na privada você não corre tanto risco de levar um tiro e ser espancado por gangues (isso ocorre na minha)…

    1. @Johnny J. S., Meu caro, como dizia o Crimson: “Por pior que seja a escola, um dia ela termina.” Mas o que vc aprendeu vai ficar. Eu passei por situação parecida, mas decidi dirigir minha vida. Estudei o mais que pude, mas não dependendo só da escola. Minhas tardes eram na biblioteca da cidade. E garanto que valew. No brasil se vc não cuidar de si mesmo não espere mais q bolsa família.

  3. Sempre estudei em escola particular. E até tinha medo das públicas, falavam muito da violência, principalmente uma em frente à minha escola. Certa vez, fui trabalhar em uma e fiquei admirada, era bem organizada, desde a escolha dos lanches (merendas) até o uso do uniforme – a coordenadora muitas vezes faziam os alunos voltarem para casa. Um dos principais problemas era a localização, de noite era preciso coragem para ir estudar.

    1. @Tati, Seu comentario sobre a atual realidade das escolas públicas chega a ser jacoso. Deve ser pré-escolar… Vá trabalhar em uma escola com 1ªGrau ou 7ª Série. (eu não desejo isso nem ao meu pior inimigo, não leve a sério).

      @marcelusmedius – Obrigado pelo conselho =) . Se eu fosse crente eu diria:”Graças a deus, por eu não ter me envolvido com esse tipo de pessoa e me esforçado nos meus estudos”. Mas como não creio em deuses, agradeço a mim e mesmo e aos meus pais. Eu estudo nessa escola desde a 1ªSérie, estou na 8ª, eu vejo a presente situação de alguns amigos que estudei no passado e vejo a sorte que tive.

      1. @Johnny J. S., Isso foi há uns quatro anos e era até o Ensino Fundamental. Eu trabalhava na Secretaria e os alunos eram muito educados e havia poucas brigas, a coordenação tmb era boa, a diretoria mais ou menos; não sei em relação aos estudos, às notas, mas o clima era tranquilo. Agora o local era péssimo mesmo.

      2. @Johnny J. S., Cara, até a oitava eu estudei em escola pública. Até a 3a série a escola pública estadual era uma coisa boa (pelo menos na cidade do interior de São Paulo que eu morava), dava uniformes, tinha-se respeito pelos professores, mesmo nos bairros mais pobres, até cantar o hino nacional era obrigatório, todas as sextas-feiras antes de começar as aulas, e os “anarfa” que cantavam “ouviram dos piranga” levavam esporro. Tinha gente que criticava essa obrigatoriedade, mas se eu tivesse nascido três anos mais tarde, talvez hoje nem soubesse cantar o hino nacional inteiro… Enfim,as coisas começaram a piorar de tal maneira que na oitava série a escola já estava a mais de meio caminho andado para a situação que você descreveu. E não, eu não sou tão velho assim (estou com 25 anos).

        A essa altura eu já estava totalmente desencanado da escola (afinal, não aprendia nada lá mesmo). Já que era aprovação automática, eu nem me dava ao trabalho de fazer as provas (se eu quisesse, eu as faria, mas eram tão ridículas que chegava a ser desanimador, algo como pedir a tabuada do 7 em plena 5a série; além de que ser considerado CDF não era um bom negócio na época). Ficava de reforço mas não ia em nenhum. Na verdade, eu tinha demitido a escola estadual como minha “educadora” e passado a cuidar disso eu mesmo. Como resultado, passei em um vestibulinho e fiz o colegial inteiro com bolsa integral em escola particular. Dai sim voltei a ser bom aluno ;)

  4. É a Lei de Gresham na Educação: cada vez menos estímulo aos bons mestres acaba por afastá-los das salas de aula.
    Parabéns a Srª. Birbalsingh, que se importa mais do que com o próprio umbigo!

  5. Fico pensando como se sentem os professores que realmente levam a educação a sério.
    Uma vez fui dar estágio em um curso técnico aqui na Grande Florianópolis. O curso é da área da saúde e o colégio é particular. Uma boa parte dos alunos simplesmente não sabem redigir um texto! E o que é pior: se você cobra os alunos vão na coordenação e você se lasca.
    Quando eu era aluno não tinha essa: ou você aprendia ou você reprovava pra aprender (aconteceu comigo uma vez).
    Os nossos índices de aprovação podem estar crescendo, mas nas avaliações internacionais sempre ficamos nos últimos lugares. Detalhe é que isso praticamente não é divulgado pela imprensa.
    Acho que há uma total inversão de valores na nossa educação. Por isso ela está do jeito que a gente conhece.

  6. Exemplar a atitude. Não tem como clonar não? Mesmo tendo estudado em colégio particular, tive professores desinteressados em suas profissões, que exerciam o cargo pelo dinheiro e nada mais. Devo dizer, eram as aulas mais maçantes que havia -_-

  7. Do tempo que eu estudei em escola pública (anos 90) para o que meus primos estudaram (2000 em diante) pude perceber como a qualidade diminuiu.

    Como aluno, antes havia o respeito aos professores e a escola era uma escola normal, onde os alunos iam assistir aulas e tudo mais. Atualmente, pelos relatos que ouço, a situação piorou bastante a ponto de as escolas serem mais perigosas que as ruas. Gangues, drogas, pais brigando com professores, fora a qualidade do ensino em si que eu não posso mensurar quanto diminuiu, mas é notável a perda de qualidade.

    Então pensamos que ao estudar em escola particular estaremos livres disso…engano. Os problemas são os mesmos, mas pelo menos a infraestrutura e a qualidade dos professores/materiais permitem que os alunos bons se dediquem, enquanto empurra os ruins da mesma maneira que no público.

    No fim das contas, só sendo auto-didata para conseguir sucesso nos estudos.

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s