Sobre o direito de ter uma opinião

dont_feed_troll.jpgAs pessoas pensam que vivemos numa democracia. Não vivemos. E os maiores censores são as próprias pessoas. Não basta que você tenha uma opinião, e muito menos que queria externá-la. Não pode, por que muitos podem se “ofender” com o que você falar. Normalmente, isso acontece por uma questão de vaidade pessoal, onde o ouvinte espera que você diga coisas com as quais ele concorde. É o que eu chamo de Voltaire às Avessas:

Eu lhe garanto o direito e liberdade de falar qualquer coisa, meu amigo, desde que você concorde comigo.

O tipo de comportamento muito comum em blogs e fóruns de discussão. Sob a égide do aparente anonimato, as pessoas acham que podem falar o que querem nos sites alheios. Defendem uma liberdade de expressão, mas você, que é DONO do site, não pode expressar, por causa dos xingamentos, ameaças, do chororô etc. E se você expulsa, é feio, chato, ditador e antidemocrático. Que piada!

Li um artigo de uma colunista do The New York Times que me deixou tranquilo: Não é só no Brasil que tem idiotas, é um fenômeno mundial

O artigo chama-se Anonimato na internet tem seu lado sombrio, onde Taffy Brodesser-Akner descreve a perseguição, acicate, comentários ofensivos e toda amostra possível da baixeza humana. Pessoas que se acham capazes de opinar sobre sua vida pessoal, escondendo-se atrás de uma telinha brilhante, mas que jamais teriam a coragem de lhe falar um décimo do que ousam escrever para você em seu blog. São os chamados trolls.

O problema do troll é algo que Karl Marx definiu bem: “Dentro dos tiranizados existem pequenos tiranos”.

Eles acham que sua (deles) opinião é melhor que a sua (sua) opinião. Corrigindo: eles pensam (??) que a opinião deles é a ÚNICA válida. E quando você mostra que não é bem assim, começam os ataques e chiliques. Você adverte, e mesmo assim não cessam. Você bane, e eles continuam te enchendo o saco no email (se você disponibilizou um, claro).

Quando você mostra que está pouco se importando com o que pensam de você, ou deixam de pensar, invariavelmente vêm argumentos excelentes e de muita profundidade:

– Nunca mais acesso esta merda de blog/site/fórum/whatever
– Vou excluir seu feed.
– Vou falar mal de você no meu blog.
– Vou postar no Twitter o canalha que você é.
– Vou chorar. Buáááááááááá!!!!!!!

Isso me faz TÃÃÃÃÃOOOOO infeliz, que eu abro uma cerveja e mudo pro comentário seguinte. Expulso o idiota daqui, não perco nem meu tempo lendo a “resposta” por email e sigo a vida, esperando pelo próximo imbecil que vai falar mal de mim num chiqueiro qualquer, com acéfalos batendo cabeça concordando. E ainda tem os idiotas que saem daqui e ficam falando merda, dizendo que aqui não tem democracia, pois sou ditador, bobo, feio e chato.

Realmente, eles têm razão: Aqui não é democracia. Comentários são privilégios que minha boníssima vontade permite. Assim fala André. Entretanto, nem todas as pessoas estão acostumadas a serem vítimas desse tipo torpe de ser humano (??). Taffy é um bom exemplo. Ela também é um bom exemplo de pessoa crédula que achou por algum momento que esta raça teria a decência de ouvi-la perguntar sobre o porque de tanta hostilidade. Coitadinha, ainda não sabe como o ser humano pode ser mesquinho.

Daí quando chega-se em blogs, onde o Administrador mostra que aquele débil mental não é anônimo, que nós sabemos de onde escreve, em qual computador e até mesmo qual o navegador e sistema operacional usam, eles surtam. Eles estão acostumados a se sentirem intocáveis. Mas, não são. Nós podemos rastrear seus passos, bando de moleques, aceitem. Podem tentar usar proxies, mas não adianta, pois sabemos como burlar isso. Existe a Delegacia de Crimes Digitais com nerds mais nerds que você, que mal aprendeu a dar dois cliques num ícone.

Taffy, meu benzinho, você não foi a primeira a ser atacada, nem será a última. Com idiotas assim não se perde tempo. Pessoas com níveis acentuados de depressão estão mais sujeitas a sofrerem mais com esse tipo de rejeição, este ataque despropositado e selvagem. Mas as pessoas são assim. É triste mas é a verdade.

Este é o lado sombrio do ser humano, que basta ter uma certa dose de “invisibilidade”, pois como na obra O Homem Invisível, de Gilbert Keith Chesterton, até mesmo um assassinato pode acontecer, quando o assassino está tão à vista que as pessoas não o vêem. Da mesma forma, a Internet deixa as pessoas à vontade, pensando que estão seguras, apesar de estarem “à vista”. Mas para quem realmente sabe como funciona a Grande Rede, não existe invisibilidade.

Cabe então aos administradores e pessoas atacadas por esse bando de trolls acéfalos denunciarem, movendo um processo se necessário. O que não pode é você estar no seu blog ser atacado virulentamente por um bando de imbecilóides que sequer param para ler mais do que duas linhas do que você escreveu e já lhe cria antipatia. Exemplos no Cet.net você já devem estar cansados de ver.

Como eu digo, não é o tipo de coisa que me tira o sono, pois o BAN é poderoso aqui e nem o Yoda me desafia.

21 comentários em “Sobre o direito de ter uma opinião

  1. Eu li o artigo da Taffy Brodesser-Akner também.
    Penso que esse tipo de atitude é de pessoas medrosas, covardes mesmo.
    A internet realmente é uma ferramenta muito interessante. Você pode debater os mais diversos assuntos com as mais diversas pessoas, que provavelmente você sequer teria possibilidade de falar alguma coisa se esse meio de comunicação não existisse. Sem falar no fato de haver mais liberdade de expressão que na mídia escrita, por exemplo.
    É uma pena que certas pessoas ainda não aprenderam a usá-la de modo responsável. Atrás de uma tela de computador se sentem tão poderosas que ficam chutando cachorro morto do púlpito.
    Para evitar esse tipo de coisa deveria ser obrigatório a identificação das pessoas nos sítios.

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    1. Foi um dos motivos que colocamos o sistema de registro para poderem comentar aqui. Quando o troll vê que não pode colocar um email falso, normalmente caem fora. Os que insistem em entrar podem criar um email temporário, mas para isso terão que fornecer dados que serão rastreados.

      Não existe privacidade na Internet; então sobra o aforismo: O preço da liberdade é a eterna vigilância.

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  2. “As pessoas pensam que vivemos em uma Democracia”

    Resposta: As pessoas não sabem o que é uma Democracia elas são educadas para isso. Por isso não pensam em Democracia, o que elas fazem é repetir o que o poder
    de plantão criaram para elas. Elas precisam de alguém dizer o que tem de fazer.
    Unica coisa que as pessoas no geral criam, é piolho na cabeça. (hahahahahahaha).

    A Democracia ou Democracia Plena. Depende da Liberdade Intelectual,ou seja de um espírito critico desenvolvido, a Filosofia e a Ciência deveria balizar nossa conduta, para que refletimos sobre cada ato na análise de qualquer problema, tendo uma visão sem nenhuma crença pré estabelecida. Se tivéssemos uma Cultura baseada na razão, Políticos vigaristas, Padres, Bispos, Papa, Videntes e Crentes, jamais teriam o sucesso que tem.

    Dentro da perspectiva apresentada pelo nosso povo e governantes, acredito que jamais
    haja uma Democracia, pois a IGNORÂNCIA é o que tem mantido esses pilantras no
    poder.

    desculpe o off topic, o Telescópio Hubble completou 20 anos de atividade, a nasa
    esta divulgando algumas imagens, em particular a imagem da nebulosa Eta Carinae
    conhecida como uma das maiores regiões de nascimentos de estrelas da galáxia.
    Simplesmente fantástico.

    Valeu André. artigo muito pertinente.

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    1. A Democracia é apenas um conceito, não existe no mundo real, simplesmente porque as pessoas não pensam no direito dos outros, só querem saber dos próprios.

      Eu tenho que ser obrigado a respeitar a opinião de alguém, mas quando vou externar a minha, que contrapõe exatamente a tal opinião, o carinha fica dando pulinhos dizendo que eu tenho que respeitar o direito dele.

      E o meu?

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  3. O troll é antes de tudo um ser desprezível,com sua covardia típica só serve para mostrar a baixeza humana com foi descrito neste post,a melhor resposta para um troll é a indiferença… :wink:

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  4. Esta é rápida, tirada de uma coluna do Hélio Schwartzman. Diz mais ou menos assim:

    “Pessoas merecem respeito; ideias, não”

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    1. @Dant Frank, Hélio Schwartsman escreve com uma facilidade desarmante. O interessante é que ele no texto diz que mesmo não acreditando em Deus, escreve sobre religião, pelo fascínio que o tema traz. Mas é incrível ver logo abaixo, nos ensandecidos comentários, os trolls berrando: “não acredita em Deus, não pode falar de religião”.

      Alargando o raciocínio, pobres seriam os escritores de ficção científica se não pudessem escrever sobre algo em que não acreditam. Ou será que George Lucas acredita na existência real do Yoda? (se bem que com a religião Jedi….)

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        1. @André, Tem um texto bem interessante na “New Humanist” do bimestre novembro/dezembro de 2009. O texto fala sobre os “AIDS-denialists”, que se distinguem por defender que o vírus HIV não causa a AIDS. Uma das “cientistas” negacionistas teve a filha acometida por HIV. Resultado: a filha morreu. Mais tarde ela mesma foi contagiada, e veio a falecer em 2008. Realmente contra evidências a única maneira de convencer essa gente é experimentar isso na própria pele!

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  5. André,

    Moderei, durante um bom tempo, um grande fórum, com mais de 10k usesrs online.

    Eles, os Trolls, estão sempre alí, na espreita.

    Ao menor vacilo, eles atacam.

    Para “consumo público”, o fórum era democrático. Internamente, até para funcionar, uma ditadura. Sem clemência.

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  6. Confesso já fui um chato desses. Já quis empurrar minha forma de pensar goela abaixo. Não concordo com os pensamentos do André e não gosto dele, No entanto, aprendi algo precioso aqui, algo que espero usar pelo resto da minha visa, algo que se chama RESPEITO.

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  7. se… (somente se, e um “se” bem improvável) …houver um julgamento, e ester povo levar BAN do céu…

    vão ficar mandando e-mail pra deus…? uashuahuahuhasuhas

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  8. [i]”Eles acham que sua (deles) opinião é melhor que a sua (sua) opinião. Corrigindo: eles pensam (??) que a opinião deles é a ÚNICA válida. E quando você mostra que não é bem assim, começam os ataques e chiliques. Você adverte, e mesmo assim não cessam.”[/i]

    Notaram alguma semelhança com o como eles se comportam pessoalmente? Os religiosos que conheço reagem exatamente assim em discuções cara a cara.

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