Inativação de gene ajuda na recuperação de lesões na medula

medula.jpgLesões na medula não são coisas agradáveis. Normalmente, ela adquire complicações devido a uma necrose progressiva, ou seja, o tecido da medula começa a morrer. Daí começam os problemas e as pessoas acabam paraplégicas. Entretanto, ao invés de ficar ajoelhados implorando para um deus qualquer que ajude a pessoa enferma, cientistas preferem gastar suas energias em busca da cura. Entre eles, o Dr. Marc Simard, do departamento de neurocirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland. O trabalho do pesquisador teve êxito ao inativar um único gene, o Abcc8, devolvendo esperanças às pessoas doentes.

O problema é causado por um “engano” biológico, por assim dizer. Em detrimento das alegações que somos perfeitinhos, nosso corpo faz umas cacas, às vezes. Um sério trauma na coluna pode fraturar um osso ou deslocar vértebras. Isso pode não parecer muita coisa, pois bastaria engessar, certo? Errado! O problema não está na fratura e sim na destruição de células nervosas (elas não estão apenas no cérebro). Os axônios são rompidos e, assim, não há como as transmissões neurológicas possam ser estabelecidas. Em outras palavras, é como uma pessoa rouca tentando gritar para alguém que está muito longe. Simplesmente, o outro lado não escuta, da mesma forma que os sinais do cérebro não conseguem passar para os membros, e estes não se movem. A pessoa fica paralisada.

O Dr. Simard e sua equipe estudaram o papel do gene Abcc8 nisso. Este gene codifica a proteína Sur1, responsável por tentar ajudar o corpo. Tudo começa com a lesão, onde o mecanismo de defesa tenta defender o corpo lesionado do excesso de íons cálcio. Com isso, a proteína propicia a entrada de sódio no sistema, ajudando a reduzir a entrada de cálcio nas células. Só que as coisas nunca são perfeitas, não importe o que seu pastor favorito diga. No caso de lesões graves, o mecanismo de defesa, ao invés de ajudar, piora a situação, inundando as células com íons sódio. Em altas concentrações, as células da medula morrem, os tecidos necrosam e a pessoa é condenada a ficar paralítica para sempre, graças a um planejamento muuuuuuuito inteligente.

Em artigo publicado pela Science Translational Medicine, Simard descreve como resolveu este problema: simplesmente inativou o gene. Em pesquisa laboratorial, em seres humanos e roedores, o cientista promoveu uma inativação do gene, através de um RNA mensageiro. Assim, a Sur1 não atuou e o processo de necrose foi contida. Ponto para a Ciência. De resto, só sobram duas ponderações:

1) Cuidado ao lerem jornais. Publicações como o G1, deveriam escrever direito. “Silenciamento de gene” parece até que o gene fica berrando igual a um louco. Aprendam os termos certos. Qualquer coisa, podem me contratar.

2) Fanáticos seguidores da religião vegan não merecem atenção. Enquanto eles estão lá, com ratinho branquinho no colo, um amigo seu pode precisar deste tratamento, desenvolvido sim, com experimento animal E em humanos. Mas é difícil (e total perda de tempo) argumentar com membros possuintes de fanatismo da religião da Nossa Senhora da Alface, que entendem tanto disso quanto meu hamster com síndrome de Down. E mesmo assim, não conheço um deles que não tome uma aspirina (nem que seja escondido). Bem, como eu falei, não se perde tempo com fanáticos, seja de adoradores de deuses que “amam” a humanidade, mas não ajudam em nada, seja de adoradores de São Brócolis, que só fazem criticar, mas não possuem um milésimo do estudo de cientistas sérios, que demonstram na prática o que é melhorar a vida das pessoas.

6 comentários em “Inativação de gene ajuda na recuperação de lesões na medula

  1. Eu ja tinha visto essa noticia em outro lugar, e o q eu pensei foi:
    à sua imagem e semelhança…

    Mas q Deus de merda esse viu!? Cheio de defeito por design….

    1. @Mr.Darkness, Há muito tempo lí um artigo (não me peça links, a WWW nem existia) em que alguém da área de Engenharia Óptica (ou similar, não lembro) dizia que se, alguém da área tivesse desenvolvido o olho humano, sentiria vergonha do resultado final.

      1. @SandroCeara,

        Hermann Von Helmholtz, cientista alemão do século XIX:

        “Se um óptico tentasse vender-me um instrumento que apresentasse todos esses defeitos, eu me julgaria plenamente justificado em bradar veementemente contra sua desatenção e devolver-lhe-ia o instrumento.”

        Citado em “A história escrita por todo o nosso corpo” – no livro “O Maior Espetáculo da Terra – Richard Dawkins”.

        Porém, Dawkins ressalta que o cérebro age como um super-photoshop e tudo parece uma maravilha no final… Vale a pena ler.

  2. Ôpa, ganhei meu dia!

    Sempre me questionei sobre como essas alterações no DNA eram feitas. Messenger RNA. Agora eu sei!

    Belo post! Não só a notícia, mas informação completa.

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