Dislexia: quando até mesmo gênios possuem dificuldade para ler

Dislexia é normalmente caracterizada pela dificuldade na aprendizagem da decodificação das palavras, na leitura precisa e fluente e na fala. em outras palavras, uma pessoa dislexa tem um probleminha na hora de se comunicar, pois muito dificilmente relaciona o som de certas palavras com sua grafia, ou na ordem em que as letras vêm expressas. Para um dislexo, “abóbora” e “abóroba” são a mesma coisa, em termos de escrita. Isso não tem nada a ver com idiotas que escrevem “mais” no lugar de “mas”. Isso é burrice, mesmo.

Nossa evolução cultural cunhou alguns alicerces em nosso meio de vida. Ficamos com a impressão indelével que pessoas cultas são senhores do mundo, bem falantes, excelentes redatores, oradores primorosos, charmosos, simpáticos e incrivelmente envolventes. De fato, somos, mas isso não é uma regra absoluta. Algumas pessoas inteligentes podem não possuir grandes capacidades de leitura e, sim, muitos gênios eram/são dislexos.

Pesquisadores da Escola de Medicina de Yale e da Universidade da Califórnia apresentaram novos dados que explicam que a relação entre o (inútil) quociente de inteligência (QI) – que possui tantos admiradores, quanto críticos – e a dificuldade de leitura. O estudo será publicado em 1º de janeiro de 2010 na revista Psychological Science.

Segundo a médica Sally E. Shaywitz e Audrey G. Ratner, professor de Desenvolvimento de Aprendizagem da Faculdade de Medicina Universidade de Yale, a dislexia é um distúrbio no sistema de linguagem e, mais especificamente, no interior de um subcomponente do sistema de processamento fonológico. Elementos convergentes de um número de laboratórios, usando a imagem funcional do cérebro, indicam que há uma ruptura nos sistemas neurais do hemisfério esquerdo posterior em crianças e adultos disléxicos quando estes executam tarefas de leitura.

A descoberta de uma ruptura nos sistemas neurais que serve a leitura tem implicações significativas para a aceitação da dislexia como um distúrbio válido e estabelece uma condição necessária para a sua identificação e tratamento.

Ainda segundo os autores, a utilização dos avanços da neurociência para informar as políticas e práticas educacionais fornece um exemplo emocionante da ciência translacional sendo usado para o bem público.

Os pesquisadores descobriram que nos leitores típicos, QI e leitura não só se completam, mas também influenciam uns aos outros ao longo do tempo. Mas em crianças com dislexia, o QI e a capacidade de leitura não estão ligados ao longo do tempo e não influenciam-se mutuamente. Isto explica porque um disléxico pode ser brilhante, apesar de não conseguir ler direito, no sentido de processar as informações escritas, não tendo a ver, portanto, dificuldades de leitura por deficiências de alfabetização. Isso significa dizer que não é porque uma criança não consegue ler/entender um texto direito que ela é burra. Vocês podem ver um listão com 70 pessoas famosas que são dislexas AQUI.

A drª Sally Shaywitz estima que um em cada cinco pessoas são disléxicas e aponta para muitos escritores, médicos e advogados com dislexia que lutam com a condição em sua vida diária, incluindo Carol Greider, agraciada com o prêmio Nobel de medicina de 2009 Nobel de medicina. Ela espera a dissipar muitos dos mitos que cercam a doença.

Shaywitz salienta também que o problema é com base tanto língua falada e escrita. Pessoas com dislexia levam um longo tempo para recuperar as palavras, então eles não podem falar ou ler de forma fluida como os outros. Nos estudantes, a pressão do tempo em torno de testes padronizados, não objetivando dislexos, é praticamente uma tortura, só que ninguém dá bola pra isso, classificando-os como mentalmente incapazes.

A vida dos dislexos não é fácil, pois ninguém gosta de possuir um distúrbio e ser taxado de preguiçoso, burro ou estúpido. A Intel, empresa famosa por produzir processadores, possui uma divisão voltada para tecnologia aplicada à saúde e medicina. Eles desenvolveram um aparelho que ajuda pessoas com dificuldade de leitura a lerem textos, de forma a não dependerem tanto de outras pessoas. Basicamente, é um sistema que “escaneia” o texto, reconhece os caracteres e, através de um sintetizador vocal, lê para a pessoa. Um aparelho formidável que não só ajudará muitos dislexos, como pessoas deficientes (parcial ou total) de visão.

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