Pesquisa afirma que dinossauros tinham sangue quente

Dinossauros sempre atraíram a atenção das pessoas. Se formos parar para pensar, realmente deveriam ser algo ímpar de se ver, tirando o fato que um T-Rex com fome não seria algo tão legal de se ter por perto. Ainda assim, foram criaturas maravilhosas, quase saída de um livro de contos-de-fadas, que nem unicórnios, dragões voadores, monstros marinhos, áspides e baleias capazes de engolir gente.

O biólogo inglês Richard Owen trabalhou com anatomia comparada e paleontologia, e foi ganhador de várias medalhas e comendas por seus trabalhos. Foi ele quem cunhou o termo “dinossauro”, para indicar os repteis de ossos gigantes que encontrara no sul da Inglaterra. Tal termo significa “lagarto terrível”; mas, infelizmente, Owen cometeu um pequeno erro aqui, posto que os dinossauros não tinham muito a ver com lagartos e sim com aves e mamíferos, como pôde comprovar uma pesquisa recente, demonstrando que dinos tinham sangue quente, ou seja, eram endotérmicos e não ectotérmicos.

Em recente pesquisa publicada na revista PLoS One, cientistas investigam a natureza dos dinossauros. Mesmo porque, é CLARA a similaridade com as aves, a despeito que despeitados possam falar.

Algumas pessoas podem achar que isso é totalmente irrelevante, pois que diferença faria se os dinos fossem ancestrais de pássaros, mamíferos, répteis ou da Bruna Surfistinha? É uma questão de saber mais sobre o passado da Terra, com tudo que ela voa, rasteja, nada, corre ou fica paradona nela. Basicamente, se os dinos eram endotérmicos (endos = dentro ; termos = calor), eles teriam tido capacidades físicas similares às dos mamíferos e das aves, conferindo-lhes habilidades em sobreviver em habitats mais frios, como montanhas e regiões polares; lugares impossíveis de sustentar animais ectotérmicos. Você soube de alguma tartaruga na Antártida? Cobras?

Como nada na malévola Seleção Natural é digrátis, existem certos… “inconvenientes” acarretados por este sistema de termorregulação, pois animais de sangue quente precisam de mais comida do que os outros, porque seu metabolismo é mais acelerado e exige uma provisão constante de energia.

Trocando em miúdos, esqueça o Zé Colmeia que tira um cochilo durante o inverno em Yellowstone. Mamíferos precisam de reserva energética para gerar calor 24h por dia, 7 dias por semana, sem folga, férias ou licença a prêmio. Quando em climas frios, nós, da classe Mammalia, perdemos calor para o ambiente, de modo que a transferência de calor chegue a um equilíbrio (equilíbrio esse que chegará logo e você dormirá para nunca mais acordar). O corpo começa a gastar energia para aquecer os órgãos internos e, por isso, seus lindos dedinhos ficam roxinhos.

Quando ficamos em ambientes muito, muito frios, sem uma forma de nos aquecermos, nosso sistema de regulação começa a “desligar” certas partes do corpo, mantendo o sangue circulando mais para os órgãos internos. Por causa disso, as extremidades de nossos membros (sim, este membro também), recebem menos sangue e, por isso, suas células não terão oxigênio e nutrientes, morrendo em questão de alguns minutos. Prefere perder um dedo ou seu cérebro?

Quando a temperatura baixa mais, o corpo entra em Alerta Vermelho e – PLOFT! – você começa a ficar com sono, já que um cérebro desperto gasta mais energia do que um cérebro adormecido. É um sono sem volta, amiguinhos.

Agora, pensem em animais incapazes desse sistema de termorregulação. Sem nada para os aquecer, seu sangue simplesmente congelaria, e você teria picolé de jacaré (rima proposital). A Seleção Natural dá, a Seleção Natural toma!

O estudo afirma que como muitos (mas não todos) dinossauros possuíam uma dieta energética severa, dado o seu tamanho, nossos amigos dinos tinham que, literalmente, correr atrás do banquete. Um animal tosco e desengonçado não teria capacidade de tal, ainda mais os que corriam em grandes velocidades, como o Velociraptor (vai dizer que você nunca parou para pensar no porque deste nome?).

Assim, seria biologicamente impossível que tais animais possuíssem o chamado “sangue frio”, como o crocodilo que você cria na sua banheira. Os dinossauros predadores tinham que possuir uma constituição atlética, pois entra aí a nossa querida Rainha Vermelha, pois, à medida que uma mutação conferisse uma capacidade maior de corrida às presas, a Seleção Natural determinaria qual dino estava apto a correr atrás do almocinho. Este teria que possuir uma condição de corrida também. As presas que não possuíssem um modo de escapar de seu convidado pro jantar, seria facilmente o convidado de honra da festa, sendo o jantar. E assim se dá a corrida maluca, onde se corre cada vez mais rápido, de modo a permanecerem no mesmo lugar.

A pesquisa combinou análise de fósseis, dados da fisiologia de animais atuais e técnicas de modelagem computadorizada. Um importante dado utilizado foi que o gasto energético de andar e correr está fortemente associado com o tamanho da perna – a medida do quadril aos pés é capaz de estimar com 98% de eficácia o gasto energético de diversos animais terrestres.

Estudos anteriores feitos com animais atuais mostraram que os endotérmicos podem sustentar taxas muito mais elevadas de gasto energético. Mamíferos e aves estão sempre em movimento e queimando energia. Como se estima que os dinossauros também se movimentavam bastante, os cientistas sugerem que eles não poderiam ter sido ectotérmicos, pelos motivos expostos acima.

No novo trabalho, Herman Pontzer, da Universidade de Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos, e colegas aplicaram esses princípios para examinar modelos anatômicos de 14 espécies de dinossauros. Em computador, os pesquisadores reconstruíram os membros dos animais extintos, calculando o volume de músculo necessário para andar ou correr em diferentes velocidades.

Ao comparar os resultados para cada espécie, e organizá-las em uma árvore familiar evolucionárias, os autores verificaram que a endotermia pode ter sido uma condição ancestral para todos os dinossauros. Isso levaria a característica de sangue quente para muito tempo antes do que se imaginava.

Os pesquisadores apontam que a endotermia pode ter sido um dos principais motivos do sucesso evolutivo dos dinossauros durante os períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo. Assim como os ses descendentes (aves e mamíferos), que escaparam das grandes extinções.

Os dinos escreveram nossa história evolutiva e, a cada dia, contam mais uma linha deste grande romance de aventura e glória, onde aqueles que estavam mais adaptados conseguiram sobreviver, pouco importando se eram maiores e mais fortes, e sim aqueles que conseguiam competir pela vida, consumindo menores quantidades de alimento, mas usando-os com maior grau de aproveitamento.

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