Ratos loiros são mais uma prova do processo evolutivo

É uma pena que algumas coisas não existem. A Evolução é um bom exemplo, pois ela é totalmente inexistente e não há nenhuma prova que ocorra, mediante os critérios da Seleção Natural. O problema é que esqueceram de avisar isso ao mundo natural e aos pesquisadores de Harvard, já que estes últimos descobriram um rato veadeiro (Peromyscus maniculatus) que chamou a atenção de cientistas. Dessa vez, ativistas não precisarão ficar horrorizados; não maltrataram o bichinho. Simplesmente, descobriram uma mutação que ocorreu de forma natural, propiciando uma vantagem adaptativa, graças à melhor camuflagem que os pelos lhes conferiram, e foi rapidamente transmitida às gerações seguintes. Mas isso é engôdo dos servos de Satã, nada disso existe e, cá pra nós, este ratinho avermelhado tem aparência um tanto demoníaca.

Em uma ilustração vívida da seleção natural no trabalho, os cientistas da Universidade de Harvard ,Catherine R. Linnen e Hopi E. Hoekstra descobriram que os ratos veadeiros loiros – que vivem em Sand Hills, Nebraska – evoluíram (NÃO! NÃO! NÃO! NÃÃÃÃÃOOOOO!!) rapidamente coloração mais clara depois das geleiras terem se depositado em cima de dunas de areia que tinha sido um solo muito mais escuro. O trabalho foi publicado na revista de Satã Science. O material suplementar (com a técnica de pesquisa, tabelas etc), vocês poderão baixar AQUI.

Os autores mostram no artigo que as diferentes variantes de um único gene determina se um rato veadeiro é escuro ou claro. Para tolos, isso não significa nada (e por isso são tolos). A diferença é crucial em termos de vida ou morte, posto que isso implica na sobrevivência, já que nossos amigos orelhudos são caçados corujas, gaviões e outros predadores visuais.

Normalmente, os ratos veadeiros têm pelo escuro, o que facilita que se escondam em solos escuros quando precisam fugir de seus predadores; no entanto, em Sand Hills, no Nebraska, os ratos louros são abundantes. Por quê?

“Decidimos investigar o contraste entre os ratos vivendo em Sand Hills e os vivendo em locais com solos mais escuros, a apenas poucas milhas de distância”, afirmou Catherine Linnen. “Nosso trabalho mostra que a mudança de adaptação rápida, como a evolução da coloração mais clara entre os ratos de Sand Hills, não precisa sempre contar com a variação genética pré-existente”.

Ainda segundo a pesquisadora, que faz pós-doutorado em Harvard, “Nós mostramos que uma única alteração genética cria coloração mais clara nestes ratos, e que esta variante claramente surgiu recentemente, algum tempo após a formação dos montes de areia.”

A espécie estudada é o mamífero mais difundido na América do Norte. Ao analisar a força da seleção natural em favor do clareamento dos ratos de Sand Hills, os cientistas determinaram que a predação iria conduzir virtualmente todos os indivíduos na área em direção à coloração pálida dentro de 8.000 anos – apenas um pouco menos do que a idade dos montes de areia. Evolução não tem pressa em muitas vezes, mas esses 8 mil anos é algo como quase imediatamente, a menos que você acredite que o mundo possui 6 mil anos e que cobras falam.

Esta e outras evidências – incluindo a maior uniformidade genética entre os mutantes de cor pálida do que seus primos escuros – sugere-se que esta mutação é um desenvolvimento relativamente recente, provavelmente resultante logo após a formação dos montes de areia no norte de Nebraska. Isso pode não significar muita coisa, mas se uma simples coloração da pelagem conferiu uma grande vantagem a ponto de gerarem mais descendentes, em contraposição aos que ficavam mais visíveis aos olhos dos predadores, e tomando por base que isso tudo aconteceu recentemente (em termos de História Evolutiva), basta raciocinar um pouco e extrapolar o que aconteceria durante milhões de anos de contínua evolução sobre a ação seletiva natural.

Os cientistas constataram que a coloração clara surgiu da atividade aumentada em um único gene, chamado “Agouti”. Esta expressão aumentada, por sua vez, está associada com a supressão de um único aminoácido, um processo que parece estar sob seleção natural. Esta mutação gera mais faixas de pelos pálidos no dorso, tornando o animal inteiro em vez de aparecer de ouro marrom. Só não vê quem não quer ou quem tem cegueira mental. Não importa, pois o Agouti ainda está lá e o processo seletivo continua ocorrendo.

“Este trabalho lança nova luz sobre as forças que afetam a diversidade da natureza”, afirma o Dr. Hoekstra. “É um momento emocionante na Biologia, com a integração de estudos de campo, análises genéticas e de desenvolvimento da biologia molecular, que nos permite ligar os genes e mecanismos moleculares com características de espécies na natureza. No bicentenário do nascimento de Charles Darwin e do 150º aniversário da sua publicação ‘A Origem das Espécies’, este estudo vividamente ilustra o poder da Seleção Natural.”

Essa é a primeira vez que foi possível documentar o aparecimento de um novo gene, sua seleção e proliferação subsequente em uma população de animais selvagens. Por isso, os cientistas conseguiram estimar em 0,5% a vantagem que a característica confere aos animais, de acordo com a seleção natural. Um número que parece ser pequeno, mas números são enganosos. Um processo que ocorra várias vezes, por infinitos espaços de tempo resultam num número muito, muito grande.

Os montes de areia que ocupam mais de um quarto da área de Nebraska, foram criados pela deposição de areia glacial em algum momento nos últimos 10.000 anos (a não ser que você seja fundamentalista). Uma vez que os solos dessas montanhas são compostas principalmente de cor clara, como grãos de quartzo, os ratos mais claros conseguem se camuflar melhor, protegendo-se das aves de rapina. Quem não tinha esta mutação, não estava adaptado e viou banquete. A Seleção Natural dá, a Seleção Natural tira. Com o tempo, a população de ratinhos de pelagem clara eram maioria e cada vez reproduzem-se mais, gerando novos descendentes com essas características.

O que acontecerá na próxima mutação? Não se sabe, não se pode prever O QUE acontecerá. Mas sabe-se que se a próxima mutação for, digamos, conferir pelagem escura a alguns indivíduos dessa população, eles serão facilmente encontrados e se tornarão prato principal no imenso banquete organizado pela mais sádica e vil coisa que poderia existir: O cego processo que determina qual ser vivo continuará vivendo e gerando descendentes e o que virará história.

3 comentários em “Ratos loiros são mais uma prova do processo evolutivo

  1. Há várias mutações de um único gene com conseqüências muito complexas do ponto de vista morfológico, imagine mutações em vários genes! :smile: …

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