Cirurgia inédita no Brasil utiliza robô e tecnologia 3D

Uma nova técnica para retirada de tumores da cabeça do pâncreas e do confluente bílio-pancreático duodenal já está disponível no Brasil. Da união da laparoscopia – método que introduz cânulas no abdômen, sem a necessidade de grades cortes – com a robótica surgiu o procedimento que promete dar esperança a pacientes que sofrem com tumores na região do pâncreas, o sexto tipo de câncer de maior incidência entre homens, no Brasil.

A primeira cirurgia da América Latina e do hemisfério Sul usando a técnica denominada duodenopancreatectomia laparoscópica robótica foi realizada em uma paciente de 56 anos no hospital israelita Albert Einstein, em São Paulo, no mês passado. O médico responsável foi o cirurgião-geral e do aparelho digestivo Antônio Luiz de Vasconcellos Macedo.

No método tradicional, desenvolvido em meados do século passado para retirada de tumores neste órgão, é feito um corte horizontal de 25 a 30 centímetros no abdômen, há sangramento abundante e recuperação dolorosa e demorada. Na operação com o novo método foram feitas apenas cinco incisões de 1 cm cada, para introdução de uma câmara e cânulas com pinças que realizam o procedimento. A retirada do tumor é feita por uma incisão de 3 a 4 cm na altura da púbis, como em uma cesariana.

O grande diferencial da nova técnica é a utilização de um robô, para manipular com alta precisão essas pinças. Observando a imagem do interior do corpo do paciente em um monitor com tecnologia 3D, o cirurgião utiliza uma espécie de joystick para reproduzir os movimentos que os braços robóticos farão durante a cirurgia. “O robô reproduz no paciente os movimentos do cirurgião com mão absolutamente firme e sensibilidade ultrafina e com velocidade cinco vezes menor”. Segundo Macedo, o robô trouxe o conceito de virtualidade, “já que o cirurgião opera olhando para o monitor”.

A técnica minimamente invasiva foi utilizada em uma mulher de 56 anos que tinha um tumor pré-maligno de três centímetros na cabeça do pâncreas, mas com fortes indícios de se tornar maligno. Havia também outros tumores espalhados pela região. A cirurgia durou 10 horas e a paciente perdeu apenas 250 ml de sangue, sem necessidade de transfusão, comum nas cirurgias tradicionais. O tempo de internação também foi reduzido.

Dados oficiais mostram que o tumor de pâncreas é o sexto com maior incidência entre homens e o sétimo entre as mulheres. Entre 2006 e 2007, somente no Sistema Único de Saúde foram mais de quatro mil internações no país por causa da doença. “O consumo de fumo, álcool e alimentos gordurosos pode contribuir para o surgimento do câncer de pâncreas”, avalia Macedo. O índice de mortalidade da doença é altíssimo – mais de 90% dos casos – por conta da localização propícia à disseminação tumoral, explica o médico. “Com esta técnica o paciente pode iniciar mais cedo a rádio e quimioterapia para combater a doença, e ter uma recuperação mais rápida”.


Fonte: Scientific American Brasil

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