Quando um OVNI tocou Jingle Bells

O mundo está tenso. A ameaça nuclear paira como uma nuvem espessa e terrível. O medo é uma constante, a tensão é de cortar de faca. Em meio a esse clima de aterrorizante, um engenheiro da NASA está monitorando a missão mais delicada já realizada pela humanidade, quando de repente um dos astronautas avisa pelo rádio que avistou um objeto não identificado em órbita polar. Seu coração acelera. A Guerra Fria está no auge. Os russos poderiam estar fazendo qualquer coisa lá em cima. O engenheiro prende a respiração, esperando mais detalhes, e então… começa a soar “Jingle Bells” numa gaita.

Parabéns, esta foi a Pegadinha do Espaço.

Essa história ocorreu em 16 de dezembro de 1965, quando Tom Stafford e Wally Schirra, astronautas da missão Gemini 6-A, decidiram que o controle da missão em Houston precisava de um pouco mais de espírito natalino. Um dia antes, eles já tinham zoado Frank Borman, astronauta do módulo Gemini 7 e formado em West Point, mostrando pela janela da nave um cartaz escrito “Beat Army” (os dois eram da Academia Naval). Mas apenas sacanear um colega não era suficiente. O próximo alvo seria toda a equipe em terra.

A missão estava fazendo história de verdade. Era o primeiro encontro entre duas naves tripuladas no Espaço, uma manobra que exigia precisão cirúrgica: dois objetos viajando a milhares de quilômetros por hora tinham que combinar suas órbitas perfeitamente. Mas Stafford e Schirra não eram apenas astronautas altamente qualificados, eram também palhaços de primeira categoria.

O plano era simples e genial. Logo antes de reentrar na atmosfera, Stafford avisou pelo rádio que havia avistado algo estranho em órbita polar. “Esperem, parece que ele está tentando sinalizar algo”, disse com a seriedade de quem reporta uma ameaça à segurança nacional. E então veio o punchline: uma versão instrumental de “Jingle Bells” executada com uma pequena gaita e sinos de trenó que os dois haviam contrabandeado para o Espaço, presos com fio dental e velcro nas paredes da nave.

“Vocês são demais”, respondeu Elliot See, o comunicador em Houston, provavelmente tentando não rir enquanto toda a sala de controle explodia. Em 1967, Stafford e Schirra doaram os apetrechos ao Museu Nacional do Ar e Espaço do Smithsonian, onde permanecem até hoje.

Sessenta anos depois, aquela gaita e aqueles guizos de trenó continuam no Smithsonian, lembrando que mesmo quando você está orbitando a Terra a 28 mil km/h, executando manobras que ninguém jamais fez antes, sempre há espaço para uma boa zoeira. Afinal, se até no vácuo do éterEspaço dá para tocar “Jingle Bells”, então, realmente não há limites para a criatividade humana, especialmente quando se trata de trollar os colegas de trabalho.

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