
Vida de professor é foda, e isso é uma realidade em qualquer lugar do mundo, principalmente em shitholes. Tem vários tipos de shitholes, os com dinheiro (EUA), os remediados (Canadá), os que estão no sufoco (Brasil) e… bem, tem a Índia. Índia é a terra em que o absurdo é mais corriqueiro que o Brasil (nem sempre), ainda mais por causa dos Meganhas de Shiva que resolveram implicar com o coitado do professor. Motivo? Ele estava sem capacete e não se pode dirigir sem capacete.
O tio estava de carro. Sim, Uttar Pradesh. Como você descobriu?
Gulshan Ken, um professor que decidiu que se a vida te dá limões kafkianos, você faz uma limonada de protesto bem debochada. Todo professor tem dias que acorda, olha para o mundo e pensa: “mais um dia…”. Só que a Índia capricha. Mas, vamos começar pelo início e inicar pelo começo.
No dia 26 de novembro, nosso protagonista estava dirigindo tranquilamente seu veículo pelas ruas de Agra (a cidadeca onde está o Taj Mahal). Como bom cidadão cumpridor das leis, Gulshan estava usando cinto de segurança, como manda a lei, como manda o bom senso, como manda qualquer pessoa que não queira virar projétil humano em caso de colisão. Mas aí, em um plot twist digno de Shyamalan com roteiro de Kafka e estrelado pelo Monty Python, os meganhas multaram o coitado em ₹1.100, cerca de R$ 60 ou três meses de salário (aproximadamente, eu acho). Motivo da multa? Gulshan não estava usando capacete.
Dentro… do…. carro!
Vocês sabem o que é um carro, né? Aquele veículo de quatro rodas com teto, portas e vidros, sabem? Sabem que capacete é pra moto, que pode ter tudo MENOS 4 rodas, teto etc. É como se te multassem por não usar colete salva-vidas no metrô ou por não usar paraquedas no elevador. A lógica simplesmente pegou um Uber e foi embora do prédio.
E esse Uber deveria estar usando capacete para não pagar multa.
E aqui é onde a história sai do território do mero erro administrativo e entra no panteão das grandes performances de protesto civil. Porque Gulshan Ken, esse herói anônimo da malícia educada, não foi ao tribunal. Não encheu as redes sociais de textões indignados. Não fez um podcast de três horas sobre injustiça. Não. Ele simplesmente acatou a ordem, e nada é melhor forma de protesto do que realmente respeitar a determinação imbecil.
Gulshan estava dirigindo de capacete:
In a bizarre incident from Agra (Uttar Pradesh), a school teacher named Gulshan was issued a traffic challan for “Not Wearing A Helmet” while driving his car.
Following the fine, the driver has started wearing a helmet inside his car to avoid further penalties. This satirical… pic.twitter.com/IvvnorIn2H
— Sujal Singh (@sujalsingh_x) December 9, 2025
https://platform.twitter.com/widgets.js
O que torna isso ainda mais delicioso é que não é um caso isolado. Uttar Pradesh parece ter desenvolvido uma especialidade em multar motoristas de carro por não usarem capacete. Em maio de 2024, outro cidadão recebeu uma multa de ₹1.000 pelo mesmo motivo. Em setembro de 2025, em Ghaziabad, um proprietário de carro foi agraciado com uma multa idêntica. A polícia sempre admite “erro humano”, sempre promete investigar, sempre fala em “entrada incorreta no sistema”. Mas os erros continuam acontecendo com uma regularidade que faria qualquer estatístico coçar a cabeça e murmurar “aleatório… aham!”.
A teoria corrente é que oficiais de trânsito, ao registrarem infrações no sistema, acidentalmente selecionam “falta de capacete” quando querem registrar outra coisa, como estacionamento irregular ou falta de cinto. É o equivalente digital de enviar uma mensagem para o grupo errado do WhatsApp, só que com consequências financeiras e potencial para viralizar internacionalmente.
Claro, eu sou uma alma pura e jamais pensaria que é uma forma de extorquir dinheiro via propina. Não, senhor!
Que Gulshan Ken sirva de inspiração para todos nós: quando a vida te der multas absurdas, coloque o capacete e siga em frente… literalmente!
Fonte: Free Press Journal

Um comentário em “Professor é multado de forma estúpida, mas dá a volta por cima”