A tempestade jupiteriana pode ser mais novinha do que e pensa

A Grande Mancha Vermelha (GMV) de Júpiter é uma das características mais icônicas do nosso Sistema Solar. Observada pela primeira vez por  Giovanni Domenico Cassini (1625 – 1712), essa tempestade persistente é uma região de alta pressão com ventos que podem atingir até 432 km/h. Sua cor vermelha é resultado de complexas reações químicas na atmosfera jupiteriana.

Agora, pesquisadores estão bem prestando a atenção na GMV e procurando responder outra coisa: há quanto tempo aquela tempestade está “tempestando”?

Uma pesquisa publicada recentemente examinou fontes históricas datadas de meados do ano 1600 para analisar a evolução do tamanho, estrutura e localização da manchona ao longo do tempo. Em 1665, Cassini descobriu um oval escuro na mesma latitude da atual Grande Mancha Vermelha e o nomeou de “Mancha Permanente”. Outros a observaram até 1713, quando ela simplesmente… PUF! Sumiu, desapareceu, escafedeu-se. Não foi até 1831 e anos posteriores que os cientistas mais uma vez observaram uma estrutura clara e oval na mesma latitude que a Grande Mancha Vermelha.

Depois de muitas observações ao longo da História, os cientistas há muito debatem se a Grande Mancha Vermelha de hoje é a mesma daquela lá que Cassini viu. Dessa forma, a pesquisa aponta que a Manchona Jupiteriana provavelmente tenha se formado há cerca de 190 anos, tornando-a o vórtice mais duradouro do Sistema Solar.

Com cerca de 14.000 km de largura, a GMV é maior que a Terra. Seu tamanho e cor variaram ao longo dos anos, mas sua persistência continua a intrigar cientistas. Como essa tempestade se formou? Existem algumas teorias:

Fotólise e Fosfina: A luz solar atinge a atmosfera superior de Júpiter, causando a fotólise de moléculas de amônia. Isso leva à formação de compostos ricos em fósforo, como a fosfina (PH₃). A fosfina absorve a luz azul e reflete a luz vermelha, contribuindo para a coloração avermelhada da GMV.

Hidrossulfeto de Amônia: Outra teoria sugere que o hidrossulfeto de amônia (NH₄SH) presente nas camadas mais profundas da atmosfera de Júpiter pode ser transportado para cima pela convecção atmosférica. Quando atinge altitudes mais elevadas, ele se decompõe, liberando enxofre. O enxofre, por sua vez, pode reagir com outros compostos para formar partículas avermelhadas.

Radiação Ultravioleta: A radiação ultravioleta do Sol interage com moléculas de hidrogênio e hélio na atmosfera jupiteriana, criando compostos que absorvem e refletem a luz de diferentes maneiras. Essas reações contribuem para a coloração observada na GMV.

O estudo foi publicado no periódico Geophysical Research Letters com todas as informações da pesquisa recém-publicada, já que está abertinha esperando você chegar lá e penetrar nos segredos profundos de Júpiter.

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