Morcegos super-heróis têm poderes genéticos capazes de derrotar o capitão Coronga

Morcegos são animais mucho lokos. E nem é só nisso: o bicho é um mamífero, voa, usa eco-localização e ainda por cima aguenta e sobrevive a vírus potencialmente mortais, bactérias filhas da puta e micróbios do caralho! Achou muito? Pois fique sabendo que eles ainda resistem ao envelhecimento e ao câncer.

A drª Liliana M. Dávalos é bióloga evolucionária e professora do Departamento de Ecologia e Evolução da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Stony Brook, interessada na história antiga da biodiversidade e sua conservação. O laboratório de Dávalos foca em como a diversidade de espécies e características surgiram e procura entender e ajudar a moldar políticas para conservar os ecossistemas hoje e no futuro. Lili ainda trabalhou como parte do comitê executivo do consórcio global de cientistas Bat1K, uma iniciativa para sequenciar os genomas de todas as espécies de morcegos vivos, cujo principal objetivo é descobrir os genes e mecanismos genéticos por trás das adaptações incomuns dos morcegos, explorar o genoma deles e usar a mais modernas ferramentas genéticas para entender por que os morcegos são o que são. Embora outros genomas de morcegos já tenham sido publicados anteriormente, os genomas Bat1K são 10 vezes mais completos do que qualquer genoma de morcego publicado até hoje.

O trabalho de Dávalos mostra a evolução através da expansão e perda de genes em uma família de genes, o APOBEC3, que é conhecido por desempenhar um papel importante na imunidade a vírus em outros mamíferos. Está associando com alguma coisa? Sim, exatamente: os detalhes do trabalho de Dávalos mostra que essa evolução estabelece as bases para investigar como essas alterações genéticas, encontradas em morcegos – mas não em outros mamíferos – poderiam ajudar a prevenir os piores resultados de doenças virais em outros mamíferos, incluindo humanos. Se entendermos como se dá esta imunidade, poderemos ter uma arma a mais contra o corona vírus, ou corona vírus ou SARS-CoV-2 ou COVID-19, ou carinhosamente como chamamos: Coronga

E sim, isso foi para trazer pessoal do Google pra cá. Me processem!

Para gerar os genomas dos morcegos, a equipe usou as mais recentes tecnologias do Centro Genoma do DRESDEN, um recurso de tecnologia compartilhado em Dresden, na Alemanha, para sequenciar o DNA do morcego, e gerou novos métodos para montar essas peças na ordem correta e identificar as genes presentes. Embora os esforços anteriores tivessem identificado genes com potencial para influenciar a biologia única dos morcegos, descobrir como as duplicações de genes contribuíam para essa biologia única era complicado por genomas incompletos.

A equipe comparou esses genomas de morcegos contra outros 42 mamíferos para abordar a questão não resolvida de onde os morcegos estão localizados na árvore da vida dos mamíferos. Usando métodos filogenéticos inovadores e conjuntos de dados moleculares abrangentes, a equipe encontrou o apoio mais forte aos morcegos que está mais relacionado a um grupo chamado Fereuungulata, que consiste em carnívoros (que incluem cães, gatos e focas, entre outras espécies), tatus, baleias, e ungulados (você sabe: mamíferos cascos, mas os úteis. Não os ungulados que saem sem máscara e se metem em aglomerações numa pandemia).

Para descobrir mudanças genômicas que contribuem para as adaptações únicas encontradas em morcegos, a equipe de Dávalos procurou sistematicamente diferenças genéticas entre morcegos e outros mamíferos, identificando regiões do genoma que evoluíram de maneira diferente em morcegos e a perda e ganho de genes que podem impulsionar os morcegos. traços únicos.

Dávalos e seu pessoal descobriram evidências de que os genomas requintados revelaram “vírus fossilizados”, evidências de infecções virais passadas, e mostraram que os genomas de morcegos continham uma diversidade mais alta desses remanescentes virais do que outras espécies, fornecendo um registro genômico da interação histórica antiga com infecções virais. Os genomas também revelaram as assinaturas de muitos outros elementos genéticos, além das inserções virais antigas, incluindo “genes saltadores” ou elementos transponíveis.

Ficou curioso, né? Muito bem, a pesquisa foi publicada no periódico Nature

3 comentários em “Morcegos super-heróis têm poderes genéticos capazes de derrotar o capitão Coronga

  1. Também são filhotinhos fofos e engraçadinhos…
    Eu não vou conseguir ler o artigo agora, mas seria interessante se a pesquisa mostrasse se existe alguma correlação entre maior e menor resistência dependendo do tipo de alimentação do morcego. Minha primeira aposta seria que os hematófagos têm mais desses vírus fossilizados do que os herbívoros.

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