Aprendemos a trabalhar? Não, né, minha filha?

No dia 3 de abril, eu postei um artigo chamado “Aprendemos a Lição?”. Nele eu trazia o cenário que acarretou esta quantidade de mortes, como falta de EPI ou mesmo higiene, investimento em saúde, etc e tal. Obviamente, nós não aprendemos, mas eu tenho outra lebre para levantar além desse tipo de lição, a forma de trabalhar deveria ser revista, pois muita coisa mudou forçosamente. O que aprendemos com isso?

Boa parte da população está trabalhando em regime de home office, ou seja, trabalhando em casa. Alguns chatos estão dizendo que isso é uso errado do inglês, já que no idioma de Shakespeare não tem esta expressão. Isso acontece por dois motivos: primeiro, porque Shakespeare não falava inglês moderno e sim inglês elisabetano. Em segundo lugar, bem, que se dane. Sabe o conceito de merchandising, em que você coloca o herói indo dar e cara com zumbis, para e toma um refrigerante geladinho?

Pois é. O nome disso não é merchandising. É product placement. Ficar enchendo o saco que “ain, home office não existe no inglês é bobagem purista. O plural de mouse é mouses, e não maice. Ponto.

Voltemos ao home office. Vamos falar de Educação.

Até agora, colégios e instituições de ensino só investiam em ensino a distância só para passar deveres e tal. Não vou entrar em detalhes de Uniesquinas. Nem todos os colégios estavam preparados e quando chegou a quarentena, tiveram que rebolar, alguns tendo que montar uma plataforma do zero. Um dos motivos, é que os pais correram para dizer que não iam pagar mensalidade. Sendo assim, colégios correram atrás para justificar a cobrança das mensalidades. Mas como ficou a vida dos professores?

Tomemos o meu exemplo. Eu levanto cedo, tomo banho, café, me visto e saio. Vou para o colégio, chego, assino o ponto e vou dar as minhas aulas do dia. Passou a matéria, explico, passo exercício (alguns valendo nota), corrijo exercício e pronto. Isso além de fazer chamada, botar ordem etc. Isso nem sempre é com dois tempos de aula consecutivos. Às vezes, os dois tempos nem são no mesmo dia. Vou pra casa. Preparo a aula, material etc.

Agora, os colégios disseram que os tempos de aula tem que ser exatamente no horário que seria a aula normal, pois “o pai contratou aula de 7 ao meio dia e meia” (o fato do aluno ter que estar o dia todo em casa porque… quarentena?… é irrelevante). Mas ok.

Estou preparando apresentações, gravando vídeo-aulas, editando as mesmas (o que consome muito tempo), escrevendo os trabalhos para serem postados, preparando apresentações, fazendo aulas ao vivo (no mesmo horário das minhas aulas. Ou seja, eu tenho que preparar meu PC, tenho que verificar se a internet está OK, “entro” numa turma às 7h, dou 50 minutos de aula, depois saio, volto naquela turma às 11h40min. Sim, é idiotice). E nenhum dos exercícios e trabalhos podem ser pontuados para “não prejudicar os alunos”. Se bem que eu não preciso ficar mandando os alunos calarem a boca e sentarem a bunda e ficarem quietos.

Enquanto isso, da parte dos alunos, eles fingem que estão prestando atenção, provavelmente olhando outra janela, e não fazem os trabalhos (não tem pontuação, lembra?). Sim, como sempre, professor tem mais.

Resumindo, estou trabalhando muito mais do que na aula normal. E sem remuneração equivalente, é claro. Isso está acontecendo em outros ramos. O home office acabou criando gente trabalhando muito mais e com sorte não ganhando menos. Com menos pessoas na empresa, gastos com luz e água são menores. Mas o mundo não é como eu gostaria.

O que aprendemos então? Aprendemos que se políticos podem trabalhar em casa, eu posso participar de reuniões em casa, todo mundo ganha com isso. As reuniões acabam sendo mais rápidas, indo direto ao ponto. No caso de vereadores, deputados (estaduais e federais) e senadores, eles podem trabalhar em casa. Então, não será mais preciso ter assessores, verbas de gabinete, auxílio paletó, auxílio moradia, combustíveis, passagens aéreas e muitos etc que todos eles ganham, certo? Don’t think so. Capaz até dos parlamentares ganharem auxílio internet. Duvidam?

De um modo geral, antecipo que ninguém vai aprender nada. Voltaremos ao tempo das reuniões presenciais de horas de duração para se discutir nada. Nosso trabalho não continuará no mundo digital, tendo que fazer as mesmas tarefas desnecessárias de sempre. Não aprendemos nada no tocante à higiene e muito menos nas formas de trabalhar, continuando a querer resultados diferentes para algo se sempre se faz da mesma forma.

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