Modelagem computacional para saber como detonar com câncer

Todo mundo sabe que câncer não é legal. A não ser se você for um dos desclassificados que usaram a doença para promover sua fosfoetanolamina, que cura tudo, menos doença alguma. Como já falei antes, o grande problema do câncer é que não existe “O” câncer, mas quase 200 doenças diferentes, uns mais agressivos que os outros. O câncer faz muitas vítimas, mas 80% dos casos é curável se descobertos a tempo; e a chave do problema é essa: descobrir a tempo.

Bola levantada, pesquisadores correm para criar sistemas e modelos computacionais para modelar a progressão e a destruição do tumor pelo sistema imunológico. Isso é importante na hora de examinar como anda suas linhas de defesa, adaptando táticas e medicamentos para mandar o caranguejo do mal pro ralo.

O dr. Nicholson Collier é engenheiro de software na Divisão de Ciências de Segurança Global do Argonne National Laboratory e membro da equipe do Instituto de Computação da Universidade de Chicago e Argonne. A especialidade dele não é bem câncer (ele sequer é médico), mas concepção e implementação de estruturas de simulação e aplicações de desenvolvimento de banco de dados.

Ele trabalha na modelagem e simulações computacionais para saber como o sistema imunológico age quando suas células metem o louco e agem como torcedor insano em dia de final de campeonato. Mais do que isso, ele estuda como um determinado tumor vai ou não pra vala. Sabe o torcedor insano? Pense na Tropa de Choque da PM chegando pra botar moral. Às vezes resolve, mas dependendo da galera que se juntou, pode não resolver. É isso o que o modelo de Collier procura determinar.

Collier e seu pessoal começaram com um simulador de células, que simula… bem… células, né? O que você achou que aquela bagaça iria simular? Bem, o modelo simula o crescimento de forma bem realista, além do tempo de vida e, lógico, morte de uma célula. Em seguida, os pesquisadores modelaram populações de células imunológicas e de câncer. Nesse modelo, havia seis variáveis ??diferentes, incluindo taxa de morte celular imune, taxa de adesão celular imune e migração de células imunes. Ou seja, pacotão completo de células imunes. No final de cada simulação, quantificavam quantas células tumorais restavam e comparavam isso com as mudanças nas diferentes variáveis.

Em seguida, as simulações realizadas por meio de cluster dos supercomputadores do Argonne National Laboratory, geraram mais de 500.000 resultados diferentes testando várias combinações dos parâmetros. É como se cada supercomputador fosse um transístor de um gigantesco processador. Dados de um volume absurdo sendo processados de maneira insana.

O que os pesquisadores descobriram foi que, em 80% dos casos ,as células imunológicas eram incapazes de parar a progressão do câncer, enquanto em 2% dos casos as células imunológicas poderiam matar 99% das células tumorais. No entanto, Collier e seus vassalos também descobriram que, em muitos cenários possíveis diferentes, alterar uma ou mais variáveis ??poderia melhorar a morte de células cancerígenas, demonstrando um caminho potencial para a terapia com base na biologia do paciente individual. Saca o dr. Estranho vendo 14.000.065 futuros alternativos diferentes até encontrar como poderiam vencer Thanos e conduzir tudo para aquele desfecho? Pois é, algo nesse sentido, mas com muito menos variáveis.

A pesquisa publicada no periódico Molecular Systems Design and Engineering promete curar o câncer? Óbvio que não. Mas pelo menos ajuda a entender como o sistema imunológico manda estas células desgracentas pra vala, ou morre tentando.

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