Peixe-robô siliconado é sangue bão!

Peixes-robôs nem são mais novidade. A não ser site de notícias brasileiros que acharão isso aqui o supra-sumo da inovação, quando o que é realmente destaque são os detalhes, e não o peixe em si. Agora, imaginem um peixe-robô com algo semelhante a sangue. Aí é uma bela inovação, certo? Não, não é sangue-sangue, mas algo que em princípio seria bem semelhante, se os detalhes não diferissem. Mas quem quer um sistema robótico 100% semelhante a um ser vivo?

Você pensa em sangue como algo muito importante, mas nem se atenta direito do motivo. Sangue, que sua péssima memória esqueceu dos tempos do Fundamental, é o veículo que leva nutriente s e oxigênio às células. Ah, você se lembrou disso? Fica mais fácil, então.

O dr. Robert Shepherd é professor-associado de Engenharia Mecânica e Aeroespacial da Universidade de Cornell. Ele e seus colaboradores ficaram pensando se dava para criar um sistema fluídico que funcionasse como sangue. E por “sangue” entende-se “nutrientes”. O que poderia nutrir um sistema movido a baterias? Eletrólitos, é claro!

O dr. Pastor e seu pessoal criaram um sistema vascular sintético capaz de bombear um líquido hidráulico denso que armazena energia, transmite força, opera apêndices e fornece estrutura, tudo em um projeto integrado. Um líquido multifacetado e eficiente, os tipos de coisas que engenheiros amam de paixão!

Claro, a autoria principal é do doutorando Cameron Aubin, mas como doutorando é apenas um estagiário de luxo do PhDeus, o coitado nem página institucional tem e ninguém se importa. Vai o link do Google Scholar, mesmo.

Os pesquisadores acabaram criando um modelo robótico do peixe-leão, mas sem a parte divertida do bicho (as toxinas). O robô feito de silicone com eletrodos flexíveis possui uma membrana separadora de íons permite que o robô se dobre e flexione. Baterias interconectadas de célula de fluxo de iodeto de zinco alimentam bombas e sistemas eletrônicos a bordo através de reações eletroquímicas.

Em outras palavras: tem baterias de lítio dentro dele que nem aquelas que alimentam qualquer brinquedo atualmente, mas teve gente que comparou com um carro da Tesla. Para mim, continua sendo um brinquedo e eu até queria um. Só precisam botar a parte divertida no robô.

O sistema circulatório sintético criado por Aubin e outros (mas tendo sempre que colocar o nome do PhDeus, claro) foi modelado a partir de baterias de fluxo redox, que funciona como fluido hidráulico e sistema de condução de íons, servindo para conduzir um meio para que íons negativos e positivos possam fluir, ou, como chamamos em eletroquímica, uma ponte salina. Sem essa condução, nada de corrente elétrica. Só que essa condução tem que ser dosada, ou a bateria acaba rápido. Baterias essas que farão bombas hidráulicas funcionando, movendo as aletas que funcionam como barbatanas, o que faz com que o robozildo consiga se locomover pela água.

É um brinquedinho legal? Sim, atualmente é. Mas as ideias ali contidas podem ser muito bem aproveitadas futuramente não apenas pelo uso de baterias mais eficientes, como o fluido hidráulico que também funciona como ponte salina e até a estrutura siliconada que confere melhor movimentação poderá ser útil futuramente. Toda pesquisa de ponta começa assim: uma ideia maluca que inicialmente seria um brinquedo.

Vídeo? Sim, vídeo.

A pesquisa foi publicada na Nature

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