A investigação genética de um morticínio familiar

Um psicopata sinistro fez um trabalho horrendo. 15 pessoas foram brutalmente assassinadas. O crime aconteceu há mais de 5 mil anos, mas a ciência do século XXI pode investigar o que aconteceu e como aconteceu. E isso começa ao se examinar os restos vítimas que foram encontrados no que hoje é a vila de Koszyce, no sul da Polônia.

O dr. Hannes Schroeder é professor de Genômica Evolucionária da Universidade de Copenhagen. Não, ele não estuda genes de chocolates. Ele e seus colaboradores estudam o que sobrou de pessoas que foram mortas numa vala comum que foi desenterrada há oito anos, cujos indivíduos foram associados à cultura de ânforas globulares.


Não esse Schroeder

A cultura das ânforas globulares data de cerca de 3400 a 2800 A.E.C., sendo uma cultura arqueológica que se sobrepõe à área central ocupada pela cultura da cerâmica cordada. O nome desta cultura foi cunhado pelo arqueólogo e linguista Gustaf Kossina, devido à cerâmica característica desta cultura, ânforas com forma globular, com duas ou quatro alças.

Schroeder e seu pessoal foram dar uma fuçada no que os corpos encontrados em Koszyce tinham a dizer, ainda que de modo mudo, apenas por evidências físicas. O que os corpos sussurraram foi que todos eles foram brutalmente mortos por golpes na cabeça, mas o sepultamento foi com grande cuidado. Por quê?

Análises genóômicas demonstram que todos os corpos pertenciam a membros de uma grande família, e que as pessoas que os enterraram conheciam-nos bem: as mães são enterradas com os filhos e os irmãos um ao lado do outro. Do ponto de vista da genética da população, os indivíduos são claramente distintos dos grupos vizinhos da cerâmica cordada devido à sua falta de ancestralidade relacionada.

Os integrantes da cultura da cerâmica cordada são oriundos do final do Neolítico, alcançando o apogeu no Calcolítico e finalizou em princípios da Idade do Bronze. A “cultura da cerâmica cordada” recebe esse nome devido à ornamentação da sua característica de seus objetos feitos em cerâmica, bem como seus costumes de sepultamento.

A pesquisa de Schroeder, entretanto, não respondeu por que diabos mandaram todos as 15 pessoas (entre homens, mulheres e crianças, todos jovens) pro deus que eles acreditavam. Pode ser que foi devido à expansão de membros da cultura do pessoal da cerâmica cordada, mas ninguém sabe ao certo. Pode ser, pode não ser. Ainda assim, é bem impressionante como seus corpos estavam bem posicionados, um ao lado do outro, com uma abundância de presentes para sua viagem final. Foram mortos sim, mas com respeito. Isso é interessante. Não havia ódio nisso ou dolo.

Ao analisar o DNA dos esqueletos, os pesquisadores conseguiram mapear cada um dos relacionamentos familiares. Daí a proposição que as mães foram postas ao lado de seus filhos e irmãos lado-a-lado. Aqueles que sepultaram os mortos os conheciam muito bem. Também foi observado que a maioria dos pais dessa família extensa estão ausentes da sepultura. A melhor hipótese é que eles não estavam no assentamento quando o massacre ocorreu e que eles retornaram mais tarde, e posteriormente enterraram suas famílias de maneira respeitosa.

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Foi exatamente assim que aconteceu? Não se sabe. Talvez ninguém descubra. O que se sabe é um pouco dos ritos fúnebres e como diferentes pessoas se amam e se odeiam. É um breve vislumbre de nossos antepassados, que num mundo diferente nos ensinaria a como vermos que não devemos fazer certas coisas, mas seres humanos têm a tendência e a natureza de se auto-destruir, como diria o velho ciborgue.

A pesquisa foi publicada na PNAS

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