O pescador que ganhou o prêmio Nobel

Vocês pensam que a zueira começou com a Internet? Ledo engano, já que ela existe desde sempre, afetando até mesmo ganhadores do prêmio Nobel. Por trás daquela sisudez, sempre poderemos encontrar um espírito zueiro, pronto para pregar peças em meio a um trabalho sério, porque… bem, por que não?

Esta é uma brevíssima história de um pescador tranquilo inserido num seríssimo trabalho merecedor de um prêmio Nobel.

Melvin Calvin era químico (com ele a oração e a paz). Ele nasceu em Saint Paul, Minnesota, em 8 de abril de 1911. Melvin (ainda se batiza filhos com este nome?) se graduou como Bacharel em Ciências pela então Faculdade de Mineração e Tecnologia de Michigan em 1931 e concluiu seu doutorado em Química (pois só os melhores possuem doutorado em Química) pela Universidade de Minnesota em 1935, tendo ingressado como professor na Universidade da Califórnia em 1937, sendo promovido a Professor de Química em 1947.

O trabalho de Calvin é o máximo e o que lhe conferiu o Nobel de Química foi sua pesquisa sobre o processo de síntese de alimento das plantas. Aquilo que vc conhece como “Fotossíntese”, tendo decorado que a planta capta CO2 do ar, combina com água e ativando a reação com luz ultra-violeta em presença de clorofila que é o catalisador da reação.

Qualquer criança sabe isso, mas é uma forma MUITO simplista do que realmente acontece. O problema é que antes de Calvin, ninguém sabia o que acontecia. Se ninguém sabia, alguém tinha que descobrir, e quem meteu a mão na massa foi exatamente nosso amigo Melvin (parece título de filme cujo personagem é um cachorrinho esperto).

Melvin Calvin e seus colaboradores Andrew Benson e James Bassham usaram carbono-14 como marcador isotópico para mapear a rota que o gás carbônico fazia. A bem da verdade, eles tinham vários palpites do que acontecia durante a fotossíntese, e uma delas era que a planta absorvia CO2 do ar. Como adivinhar não é coisa de químicos, Calvin teve a ideia de usar um gás carbônico cujo carbono era o isótopo 14, que possui leitura num identificador radioativo, seguindo o lazarento até ver em que ele era usado. Bem, a investigação levou que o gás carbônico era usado na síntese de carboidratos e outros compostos orgânicos. Mas o que os pesquisadores apontaram foi que era preciso a presença de clorofila, pois, sem ela, nada do gás carbônico reagir.

Nisso, acarretou duas coisas: Primeiro, a representação gráfica do que acontece e isso ficou conhecido como Ciclo de Calvin, o qual explica a ação das substâncias durante o processo de fotossíntese.


Também é um resumo!

Segundo, o prêmio Nobel de Química de 1961. Mas o que eu acho maneiríssimo mesmo aconteceu lá pela década de 1950, durante a pesquisa que lhe daria o respectivo Nobel.

Calvin começou a conduzir experimentos tortuosamente complexos para avaliar o impacto de tudo, desde luz, pH, dióxido de carbono e oxigênio na fotossíntese. Sim, literalmente tudo que ele podia imaginar foi testado. É mito esse negócio de “eureka”. Muitas pesquisas demoram anos, décadas, mediante um trabalho torturante.

Para analisar tudo isso, Calvin e seu pessoal precisavam de um conjunto elaborado de instrumentos e o artigo de 1955 do periódico Journal of the American Chemical Society (clica no link) traz um diagrama mostrando uma dessas configurações. Observe.

Viu? Vamos dar zoom naquilo que interessa:

Sim. Alguém pregou uma peça no dr. Calvin, que nunca foi conhecido por ser alguém brincalhão ou sequer de bom humor. Pelo contrário! Credita-se a zueira ao estudante de pós-graduação A. T. Wilson, que alegam ter feito uma aposta com o secretário do departamento que ele poderia colocar o desenho de um homem pescando em um dos reatores no diagrama do trabalho assinado por Melvin Calvin sem que ele soubesse.

Verdade? Boato? Não se sabe ao certo. O que se sabe são duas coisas: O pescador está realmente lá. E – o melhor de tudo! – Melvin Calvin, falecido em 1997, nunca soube da brincadeira. Se Wilson realmente fez esta aposta, ele a ganhou com louvor e o desenho ainda está lá até hoje para quem quiser ver. Calvin talvez tenha se revirado na sepultura, ou finalmente tenha achado graça numa piada.

Nunca saberemos!

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