São Paulo tortura presos fazendo por onde lerem a Bíblia (Estado Laico Who?)

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Eu tenho pra mim que os problemas de São Paulo começaram quando eles começaram a enfiar purê de batata em tudo. Pizza, cachorro quente, churrasco. Capaz até de usarem purê no lugar de KY. Isso fez com que São Paulo tivesse a mania de proibir tudo. O que São Paulo não proíbe são ideias retardadas, oriundas da imbecilidade religiosa de seus deputados toscos (desculpem a sucessão de pleonasmos). Uma delas é que o preso pode ter vários dias descontados de suas penas se simplesmente lerem a Bíblia.

Acho que o sistema prisional do Brasil não entendeu direito o que significa a parte “prisão”. Existem os famosos “saidões”, como s]ao chamadas as saídas temporárias, fundamentados na Lei de Execução Penal (Lei n° 7.210/84) e nos princípios nela estabelecidos. Geralmente ocorrem em datas comemorativas específicas, tais como Natal, Páscoa e Dia das Mães, para confraternização e visita aos familiares. Isso difere de indulto, porque no indulto o cara sai pra não voltar mais. O saidão o preso é bonzinho e jura de pés juntinhos que ele volta para a prisão no final do dia, mesmo quando boa parte dos bandidos não volta para a prisão. Eu acho até interessante como até a Suzana Richofen se beneficia do saidão de Dia das Mães. Mas lei é lei.

Então, vejamos, o cara vai preso. Vai preso porque cometeu um crime, foi julgado e sentenciado. Ele está lá para ser punido, mas agem como se fosse colônia de férias ou então estão apenas de castigo. Então, inventaram que basta ler um livro que o cara reduz a pena. Isso é para melhorar a alfabetização? O cara fica lá na cadeia, pega uns livros e vai provar que leu? Vai ter prova escrita? Isso não faz sentido.

Mas calma que piora. Um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo em 29 de maio, de autoria do pastor da IURD Gilmaci Santos, vai diminuir a pena de presidiários que lerem livros da Bíblia. A desculpa é aquele velho blábláblá porque a Bíblia é o livro mais vendido do mundo (e não é), ela transforma e tem vários livros. Sendo assim, cada livro contaria como um único. Ah, sim, tem a desculpa excelente que até ateu lê a Bíblia. Sim, ateus e agnósticos leem a Bíblia. Também leem as historinhas do Super-Homem e dos X-Men. Aliás, a melhor forma de não acreditar na Bíblia é lê-la inteirinha.

Claro que em nenhum momento o pastor Santos (ah, a ironia) está pensando numa catequese. ‘magina. Ele so quer que os presos tenham 66 maiores chances de reduzir a pena, quando era para o vagabundo, bandido, salafrário, safado, sacripanta ficar lá na merda da cadeia. Isso é artifício para ele sair antes e, provavelmente, virar pastor da Universal.

Curiosamente, trabalhar não é algo para reduzir a pena de maneira expressiva. Formamos apenas leitores de Bíblia que não passarão por nenhum teste. Tipo: “Quando Davi dançou que nem uma putinha para Deus, sua esposa o censurou. Em qual capítulo foi isso?”. Também poderia ter a pergunta “Quando Jesus expulsou os vendilhões do Templo, isso poderia ser associado às Igrejas Evangélicas? Qual a diferença?”. Ou ainda “Quando Jesus falou para dar a César o que é de César e a deus o que é de Deus, ele estava separando a Igreja do Estado. Você não se sente incomodado com uma lei com fundo religioso se meter numa vara de execuções penais de um Estado Laico?”

Tem muitas perguntas. Eu adoraria fazê-las. O que não adiantaria nada, claro. O sujeito não leu a própria Bíblia, o que é o caso de 99,9999999999% dos religiosos, incluindo pastores, pois apenas decoram um texto que vão usar nas suas bobagens.

E tem gente achando que “Deus seja louvado” numa nota de dinheiro é uma grande ofensa ao Estado Laico. O efeito disso é nulo. Mas um monte de bandidos soltos sem merecer com antecedência é, sim, sério. Se bem que escolher bandido para ocupar cargos políticos deveria contar como crime também. Assim como esta ei imbecil deveria ser enquadrada como violação de lei constitucional, pois não cabe ao legislativo estadual legislar sobre execuções de penas. Isso é competência de esfera federal. Mas desde quando deputados de bancada evengélicase preocupam com violação da Constituição?


Fonte: G1

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Sobre André Carvalho

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