O caso do professor que era analfabeto por toda uma vida e ninguém percebeu

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Algumas histórias são incríveis, no sentido de realmente serem difíceis de acreditar. Coisas que escapam qualquer capacidade de encarar como verdadeiras, de tão fantásticas, mas tendo passado décadas em ambiente acadêmico e como professor, eu tenho certeza que esta, pelo menos, é verdadeira. A história de como um homem analfabeto foi sendo aprovado ano após ano, até se formar numa universidade e trabalhar 17 anos como professor.

Isso mesmo! 48 anos sem saber ler e escrever e ninguém percebeu.

A história foi relatada numa entrevista dada à BBC, reproduzida no G1. Eu não vou transcrever aqui por não gostar de kibar trabalho alheio e nem colocar um texto imenso. Farei só um breve resumo e algumas considerações. Leiam lá a matéria depois. Ou leia agora e volta aqui. Você é quem sabe.

John Corcoran nasceu no Novo México, Estados Unidos. Ele não foi alfabetizado direito. A bem da verdade, ele não foi alfabetizado de maneira alguma. Ainda assim, foi sendo aprovado de ano, com os professores dizendo que no ano seguinte ele aprenderia. E no ano seguinte, e no outro ano, e no ano depois deste. John nunca aprendeu a ler e escrever. Alguns o achavam burro, mas ele simplesmente não entendia o que estava na lousa, e ninguém pareceu se importar.

E ano após ano, John era empurrado pela barriga pelo Sistema. O Sistema que está preocupado em resolver problemas do Sistema. Não, não é só aqui que isso acontece.

John conseguiu ingressar numa universidade, mas unicamente porque ele era bom nos esportes. Sem provas, nem testes. La é bem assim mesmo, bastando ser um ás dos esportes ou ter uma grana para pagar a universidade, você entra sem muitas dificuldades.

Na Universidade, John enfrentou os mesmos problemas. Ele colava para poder passar (o que ele sempre fez ao longo de sua passagem pelo colégio). John chegou mesmo a invadir a sala de um dos professores, roubar a gaveta, levar a um chaveiro para que arrombasse a tranca, pegou as provas e levou de volta. Sim, ele conseguiu seu intento e ganhou uma boa nota. Ninguém nunca percebeu que John era analfabeto.

John se forma e é chamado para ser professor. Horror dos horrores? Mas John conseguiu passar por isso também, mesmo nas reuniões pedagógicas, aquelas chatices que fica-se falando bobagens ao invés do que realmente interessa. Claro, na aula de Mr. Corcoran não havia notas, nem escritas na lousa., ele passava trabalhos, fazia debatesse e passava filmes. Os alunos realmente deviam amar o professor John Corcoran.

Um dia, ao ver um discurso da então Primeira-Dama Bárbara Bush, esposa de Bush Pai, John ficou tocado, pois o ponto que ela bateu foi justamente o analfabetismo entre adultos. Foram 48 anos completamente analfabeto.

Então, temos um sistema que é aprovado de qualquer jeito, com base nas boas intenções dos alunos, com a promessa que ano seguinte ele irá aprender. O ingresso facilitado e a graduação numa universidade sem qualquer prova mais elaborada ou teste para saber se os alunos etão realmente aprendendo a matéria. Depois, trabalha-se como professor sem ter nenhum documento escrito ou análise ou o que seja inerente a um professor. Professor que não dá matéria, apenas passa filme e faz debates, sem fazer os alunos estudarem ou mesmo verificar o que eles aprenderam, perpetuando um sistema que era podre antes.

Afinal de contas…

EM QUE ISSO DIFERE DO BRASIL?

Como, meu senhor Shiva, COMO o cara passa pelos pingos de chuva e acaba como professor? O ENEM pelo menos aqui parou de dar certificado de Ensino Médio mesmo para quem nunca estudou regularmente, mas as universidades, como a UERJ, que vivem em greve e aprovam os alunos em toque de caixa. Muitos alunos chegam no Ensino Médio de colégios públicos ainda analfabetos. OPS! Escreveu o próprio nome? Ah, não é analfabeto, não!

Mas é!

Criaram as cotas porque existe um direito divino entalhado em pedra por Jeová em pessoa no terceiro tablete de pedra trazido por Moisés que dizia que todo mundo tem o direito de fazer uma faculdade. É quase uma obrigação fazer com que qualquer um tenha uma faculdade. Mas havia a promessa que seriam temporárias até resolverem o problema do Ensino. Já se passou 10 anos, e era para ter agora os primeiros a ingressar na universidade vindo de um sistema educacional que teria sido melhorado. Teria, mas não foi. Melhor continuar com a cota. O direito divino, sabem?

Não, claro que nem todo cotista é uma toupeira analfabeta. Ainda assim, cotas não deveriam mais existir num sistema democrático em que todos são iguais perante a lei. Se há uma cota favorecendo seja o que for, acabou-se a igualdade. O que temos hoje é uma aberração do Ensino. Professores pessimamente formados, com uma bagagem intelectual pobre, com falta de conhecimento até na área que pretende ensinar, fora as tosqueiras pedagógicas que ficam na faculdade sem aprender nada, só trocando textinho e fazendo debates, em aprenderem efetivamente nada. Nos colégios, repetem esta técnica tola, burra e fracassada, mas que vendem como novo tipo de ensino, pois o “método tradicional” é visto com um esgar de nojo. O método tradicional de antigamente que era reconhecido como eficiente e que realmente ensinava. Hoje não é assim.

Eu queria muito dizer que John Corcoran é uma exceção, é um ponto fora da curva, mas sabemos muito bem que não é isso. Ele faz parte de uma realidade que está presente, mas as pessoas não querem ver, e isso não é só aqui no Brasil, mas eu estou pouco me importando como ensinam em Kuala Lampur. Estou no Brasil e tenho que aturar isso. O aluno vai mal? Dá ritalina, diz que ele tem incapacidade de prestar atenção ou que não aceita autoridade. Encham-no de remédio ao invés de esporro e pulso firme. John Corcoran ainda queria aprender, mas não deixavam e ele não conseguiu sozinho. Os outros querem continuar analfabetos e o Sistema vai protege-los contra os malvados professores.

Parabéns, caros pedagogos do mundo inteiro. Vocês mostram que são incompetentes em todos os países.

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Sobre André Carvalho

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