Quer que acreditem em você? Melhore o som e não o conteúdo

O caso do professor que era analfabeto por toda uma vida e ninguém percebeu
As incríveis proteínas motoboys que ferram a sua vida, mas podem melhorar

Como determinar o que é verdade e boato? Como as pessoas parecem preferir tanto os boatos do que as informações verdadeiras? Bem, o marketing aprendeu há muito, muito tempo que não basta ter um bom produto. É preciso saber apresentá-lo. O hábito faz o monge? Sim, faz. E por “hábito” o dito está se referindo ao traje. Assim, a forma como você apresenta um material terá impacto na aceitação deste material, e isso serve até para divulgação científica, conforme um trabalho publicado demonstra.

A drª. Eryn Newman é professora da Faculdade de Psicologia da Universidade Nacional Australiana. Sua pesquisa estuda os comportamentos das pessoas mediante análise da memória e cognição, e como isso afeta a tomada de decisões na comunicação científica, bem como as perspectivas sócio-cognitivas sobre avaliações de verdade e memória.

O foco de estudo da drª Newman é entender como é difícil separar o fato da ficção na era dos fatos alternativos. Sua conclusão é interessante: o som. Sim, isso mesmo. Eryn descobriu que quando as pessoas ouvem gravações de um cientista apresentando seu trabalho, a qualidade do áudio tem um impacto significativo sobre se as pessoas acreditavam no que estavam ouvindo, independentemente de quem o pesquisador era ou o que eles estavam falando.

Tomemos um canal maluco de Terra Plana. Se ele e bem produzido, com um babaca investindo uma grana em microfone e câmera boas, a probabilidade de acreditarem nas groselhas que ele falar é bem alta. Na pesquisa de Eryn, bastou um áudio de excelente qualidade. Assim, se você tem muitos assinantes no YouTube, terá direito a usar o YouTube Spaces, com tudo de excelente qualidade e vai falar um monte de sandices, dizendo depois que gastou 30 mil reais para produzir aquilo, alegando que teve que consultar um astrofísico. Daí, outros canais sem grandes investimentos terão que suar a camisa para explicar por que aquilo é loucura.

Ainda assim, o canal que falou sandices continuará com muitos seguidores, pois as pessoas gostaram do que ouviram, e com isso elas acabam continuando fãs do imbecil que falou um monte de merda

Ainda de acordo com Eryn Newman, isso fica patente que na hora de comunicar ciência (ou pseudociência), o estilo pode triunfar sobre a substância. Ou seja, não importe o que você fale, e sim como você apresenta. Já nuteleiro nem co isso precisa se preocupar. Idiotas zueiros garantirão a sua audiência, mas deixemos isso de lado.

O estudo de Newman usou experimentos em que as pessoas assistiam a vídeos de cientistas falando em conferências. Um grupo de participantes ouviu as gravações em áudio claro e de alta qualidade, enquanto o outro grupo ouviu as mesmas gravações com áudio de baixa qualidade. Os participantes foram então convidados a avaliar os pesquisadores e seu trabalho. Aqueles que ouviram o áudio de pior qualidade consistentemente avaliaram os cientistas como menos inteligentes e suas pesquisas como menos importantes.

Em um segundo experimento, Eryn e seus colaboradores conduziram o mesmo experimento usando cientistas renomados discutindo seu trabalho no bem conhecido programa de rádio Friday Science. Desta vez, as gravações incluíram o áudio dos cientistas sendo introduzidos com suas qualificações e afiliações institucionais. Sabem o que aconteceu? NADA!

Assim que reduziram a qualidade do áudio, de repente os cientistas e suas pesquisas perderam credibilidade. Os voluntários não reconheciam como nada de importante e acabaram por não acreditar no que estava sendo falado. E isso levando em conta que os ouvintes não eram nada especialistas no assunto, mas se julgaram capazes de avaliar as pesquisas e os pesquisadores, mas o fizeram só na base se o áudio era bom ou ruim.

A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Science Communication. Então, em resumo, quer ser acreditado? Melhore o áudio, rapaz. Compre um microfone que preste. Ou você estará como eu, sendo menos acreditado que um imbecil que se acha capaz de discutir qualquer coisa, bastando ter uma graninha a mais para comprar equipamentos melhores. O que dará maior visitação e mais dinheiro, que será investido em comprar equipamentos melhores. Se você quer depender do seu conteúdo, está perdendo seu tempo. Ninguém liga para isso.

O caso do professor que era analfabeto por toda uma vida e ninguém percebeu
As incríveis proteínas motoboys que ferram a sua vida, mas podem melhorar

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

Quer opinar? Ótimo! Mas leia primeiro a nossa Polí­tica de Comentários, para não reclamar depois. Todos os comentários necessitam aprovação para aparecerem. Não gostou? Só lamento!