Sobrancelha grande põe medo, mas bom mesmo é poder movê-la

Teoria do Conflito Realístico
Afinal de contas, o que diabos é foro privilegiado e como ele funciona protegendo quem não deveria?

Crânios de hominídeos fossilizados sempre chamam a atenção pela protuberância na região das sobrancelhas. Aquela marquise imensa até poderia ser rótulo de hominídeo pouco evoluído, mas elas eram mais que um crachá de Homo toscos. Especula-se que aquilo era sinal de domínio, pois quem tivesse maior protuberância, era o rei da bagaça. Aí as testonas passaram a ser mais achatadas, e as sobrancelhas acabaram se tornando móveis. Uma pesquisa aponta que estas sobrancelhas moveis fizeram uma grande diferença, e podem ter sido uma forma para expressar uma ampla gama de emoções sutis, desempenhando um papel crucial na sobrevivência humana.

O dr. Paul O’Higgins é professor de Anatomia do Centro de Ciências Anatômicas e Humanas da Universidade de York (a Velha York, que fica no Reino Unido. Não a “Nova”). Seu trabalho é estudar ossada de gente morta… o tempo todo. Ele enfoca o sistema esquelético de humanos, nossos ancestrais, nossos parentes próximos, estudando a sombra dos nossos antepassados esquecidos. Assim, ele usa imagens para analisar a morfometria geométrica e análise de elementos finitos para investigar a evolução da forma e função esquelética.

Ou seja, ele mete a ossada toda em aparelhos de ressonância, raio-X etc para ver como tudo deu no que temos hoje, seja o Michael Phelps ou o Tiririca.

Segundo o trabalho do dr. O’Higgins, a morfologia da crista supraorbital (a região da sobrancelha, caramba!) teve um papel na dinâmica social na evolução humana. Cristas pronunciadas eram um sinal permanente de dominação e agressão nos nossos ancestrais, mas com o passar do tempo, o processo evolutivo deu lugar a uma testa lisa, com sobrancelhas mais visíveis e peludas, capazes de uma maior amplitude de movimento. Isso fez muita diferença. Tínhamos maior capacidade de feições faciais.

De acordo com O’Higgins, os machos dominantes entre os mandris (aquele macaco esquisito de cara colorida e bunda azul) apresentam inchaços brilhantemente coloridos em ambos os lados de seus focinhos para exibir seu status. O bicho que já é coloridão fica mais enfeitado que jumento de cigano e, pelo visto, a mandrilada fêmea adoooooooooooora isso. Enfeitado e dono da bagaça. Só faltou ter dinheiro e uma Ferrari.

Usando um software de modelagem 3D (provavelmente foi AutoCad, mas não vamos fazer propaganda), O’Higgins e seu pessoal analisaram a icônica crista da testa de um crânio fossilizado, conhecido como Kabwe 1, mantido nas coleções do Museu de História Nacional, em Londres. Esta caveira pertencia a um Homo heidelbergensis, que viveu entre 600.000 e 200.000 anos atrás.

Os pesquisadores usaram o software de modelagem para reduzir o sobrancelhão de Kabwe e o que eles viram foi que a sobrancelha pesada não oferecia nenhuma vantagem anatômica, pois poderia ser muito reduzida sem causar problemas. Então, simularam a capacidade de mordedura, e o resultado foi que havia muito pouca tensão na crista da testa. Quando retiramos a crista não houve nenhum efeito no resto do rosto ao morder. Ou seja, aquela porcaria de sobrancelhona não fazia a menor diferença, mas evolução não faz as coisas para serem OOOOOHHHHH, o máximo. Se aquela marquise não trazia nenhuma dificuldade em termos de sobrevivência ou reprodução, ela ficou lá e com o tempo, os hominídeos foram-na perdendo . A única explicação é que o bicho ficava com cara de mau. Mais mau que o Pica-Pauropterix.

Com o tempo, isso deixou de ser necessário, pois viver em cooperação é sempre melhor. E, para tanto, expressões faciais são uma vantagem. Aquele que conseguiu isso saiu na frente ganhando corações, mentes e barriguinhas para dar a luz a lindos filhinhos. Os movimentos de sobrancelha começaram a permitir nos expressar por meio de emoções complexas, bem como perceber as emoções dos outros. E isso fez toda a diferença.

A pesquisa foi publicada na Nature e você se ferrou. RÁ! Nada de artigo aberto para ler de graça.

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Sobre André Carvalho

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