Quando um alienígena capturou o nosso tio

Quais as diferenças entre pés de humanos e de macacos
Cacique Minhoquinha do Tempo agora está em terras paulistanas

Tio Rem chegou de olhos esbugalhados. Não que ele não fosse sempre assim, mas parecia que estavam mais esbugalhados como de costume. Ele realmente estava assustado, tão assustado quando voltou do colégio uma vez com a quantidade de coleguinhas preconceituosos que o chamavam de “Cabeça Chata”. Ele não tinha culpa de ter nascido onde nasceu.

– Pessoal – disse ele – tenho algo a contar pra vocês. Eu fui abduzido! Não, não riam, fui abduzido, sim, por alienígenas!

Claro, não acreditamos de início, mas o dia estava naquela marolinha sem graça. Por que não ouvir uma boa história? Tio Rem abriu e fechou a boca várias vezes para poder se acalmar, o que parecia ser indício de uma história daquelas! Daí ele começou:

“Eu estava tranquilo, indo dar uma volta e ver se comia alguma coisa, quando senti uma dor horrível e uma força invisível me puxando para cima. Eu estava assustado, não entendia nada! Tentei lutar contra aquilo e me debater. Vi uma luz vinda de cima, e era assustador. E horrível quando a gente sai de casa e logo é arrastado, né?

“Fui parar num lugar estranho, algo como outra dimensão. Eu sentia ar, mas não conseguia respirar naquele lugar. Era algo como… sei lá. Não é como aqui. Era algo bem mais fino e eu sufocando lá; mas isso foi só o início do terror.”

Tio Rem falava com tanto assombro que já estávamos quase acreditando. Quase, porque… né?, aquilo não podia ser verdade. Ou será que…

“Eu parecia estar numa nave alienígena. Os aliens eram estranhos. Bem maiores que nós. O revestimento de seu corpo era molenga e tinha umas protuberâncias. Os membros eram muito compridos e tinham protuberâncias grossas, como se fossem outros membros. Um deles me pegou sem o menor jeito, e eu lá, me debatendo, lutando para sobreviver. Um deles abriu o que eu achei que era uma boca e vi aqueles dentes horrorosos. Não, aquilo era medonho!

“Eles mostravam-se curiosos. Um me passava pro outro, o outro pro um. Meu Deus, quando aquilo ia terminar? E eu forçando-me a respirar naquele lugar! Daí, acho que cansaram de brincar e começaram os experimentos científicos. Bem, eu acho que eram experimentos, né?

“Eu fui segurado pela cabeça e sacolejado de lá pra cá. Acho que era para testar minha coluna. Não sei! Eles ficavam dando tapas na minha cabeça. Um dos alienígenas até me deixou pendurado pelo topo da minha cabeça e eu lá, nem me debatia mais. Eu estava exausto… e o ar? Eu sabia que ia morrer ali, já nem tinha forças para lutar, só estava me entregando.

“Eu até pensei se eles pegavam e nos comiam. Eu soube de histórias de amigos nossos que foram pegos e nunca mais voltaram. Aposto que nos devoram. Ai, Deus, é tanta coisa para se pensar!

“De repente, um deles resolveu que se cansou de mim e me jogou desajeitadamente de volta. Quando eu dei por mim, eu já conseguia respirar e tentei sair dali o mais rápido possível!”

Nós ficamos com pena do tio Rem. Ele realmente acreditou naquilo tudo. Onde já se viu? Não, aquilo tem que ser mentira, né? Aliens com protuberâncias, experimentos, grudar a cabeça numa plataforma, sacudir de um lado pro outro, alienígenas comendo nossos vizinhos e amigos. Isso é absurdo demais, não acham?

Enquanto conversávamos, lá no canto uma rêmora cabeluda agitou as nadadeiras e disse “Humans!”


É tudo uma questão de perspectiva, pessoal. 😉

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Sobre André Carvalho

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