Descoberto mais um tatatatataravô dos dinossauros

“Convergência” é o nome que se dá ao processo evolutivo em que duas espécies distintas – até mesmo de classes diferentes – acabam convergindo para alguma característica semelhante. Um perfeito exemplo são os golfinhos (mamíferos) e tubarões (peixes), que possuem morfologia externa semelhante, ainda mais que ambos vivem no mar, e qualquer diferencial que propicie uma vantagem hidrodinâmica garante o almoço ou escapar de ser o almoço. Por convergência, eles acabaram com um formato bem parecido.

Agora, uma recente pesquisa mostra um outro exemplo de convergência que ocorreu, com um réptil mais velho que a sua sogra e mais velho que dinossauros, sendo que estes últimos apresentaram características bem semelhantes. Parentes?

Mais ou menos. Apesar de eu querer muito que um dinossauro seja um Lagartão do Mal, ele não passa do ancestral de uma galinha gigante de TPM (alguns, nem tão gigantes, como os velociraptors, que pouco têm a ver com aqueles de Jurassic Park). É isso que faz a descoberta ser mais interessante ainda.

A drª Michelle Stocker é pesquisadora do Departamento de Geociências da Universidade da Virgínia. Sim, ela mexe com pedras! (é só pra irritar o pessoal da Geologia, gente), e sua descoberta mostra como temos condições favoráveis a dois grupos distintos de seres vivos, então, é fácil entender como o meio selecionou os que estavam em melhores condições. Não é difícil entender que aqueles que tivessem configurações parecidas teriam as mesmas chances de continuar vivo.

Tudo começa com a descoberta de um novo fóssil de um réptil até então desconhecido. Foi batizado como Triopticus primus porque o bicho dá a impressão que ele tinha um olho a mais (não esse). O crânio do T. primus era um cabeção com uma bela protuberância bem grossa, semelhante aos dos pachycephalosauria, um dino que viveu no período Cretáceo, entre 145 e 66 milhões de anos. Parentes próximos? Não, porque o o T. primus viveu no período Triássico, uns 100 milhões de anos antes, quando nem dinossauros existiam ainda e que foi marcado por uma das piores grandes extinções em massa: a Extinção do Permiano.

De acordo com a drª Stocker, o T. primus é um belo exemplo de convergência evolutiva, pois mostra dinossauros e crocodilianos. Com a ceifada geral, total e irrestrita que Madrasta Natureza deu, em que 95% de todos os seres vivos foram pra vala, alguns poucos sobreviveram, sendo a maioria répteis. Em outras palavras: se não fosse animais como o T. primus, não teríamos animais evoluindo até chegar a dinossauros e a história da vida na Terra seria bem diferente, mas isso até nem quer dizer nada, pois a cada momento ocorre eventos que determinarão o que acontecerá dali pra frente.

A pesquisa foi publicada no periódico Current Biology, e está disponível para acesso aberto. Corre lá!

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