Cientistas fazem chupeta na cabeça de paciente em coma

A moderna medicina intensiva faz milagres que há coisa de alguns anos parecia algo bizarro, digno de ficção científica. Ainda assim, lesões cerebrais são um problema sério e o coma um espectro que ronda as UTI do mundo todo. Eu não quero estar em coma, você não quer, ninguém quer. Quando um paciente está em coma, uma garra gelada segura nossa espinha. Morte? Vida? Viver como um vegetal e acabar sendo comida de vegans? Há uma série de variáveis. Será que médicos conseguiriam dar reboot no cérebro e fazê-lo pegar no tranco?

Existe uma técnica que nem é tão desconhecida assim: ultrassom (pois é, ele não é só pra saber o sexo do Maicojéquissom da Silva). Isso fez toda a diferença na vida de um homem de 25 anos.

O dr. Martin Monti é professor de Psicologia e Neurocirurgia da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA). Ele gosta de saber o que rola dentro da cabeça das pessoas e mandar o cérebro pro estaleiro e ver se dá um jeito naquela bagaça defeituosa.

Junto com sua equipe, o dr. Monti (não-Python), usou os poderes de Jesus da Ciência que tinha à mão. Um gerador de ultrassom, de forma a estimular o tálamo, uma das regiões do diencéfalo (as outras são o hipotálamo e a glândula pineal). Ele está localizado no cérebro, já que se fosse no joelho, chamariam os lanterneiros da Medicina: ortopedistas.

Todo mundo estava confiante, mas tio Monti mandou a real, dizendo que o procedimento requer um estudo mais aprofundado sobre os pacientes. No Brasil, segundo meu neurologista de Plantão, os aparelhos de ultrassom Doppler Transcraniano mais comuns trabalham com potência de 200-400 W e frequência de 2-4 Mhz.

Claro, nada e completamente lindinho. Tem efeitos colaterais, como piora do sangramento; e se o transdutor for colocado sobre o olho, parte da energia do feixe ultrassônico é convertida em calor, o que acarreta em mandar proteínas pra vala. Não foi o caso do dispositivo e técnica usados.

O dispositivo usado no paciente em questão era do tamanho de um pires de café e estimulou o tecido cerebral em períodos intermitentes, sendo ativado 10 vezes por 30 segundos cada, em um período de 10 minutos, uma técnica chamada “pulsação de ultrassom de baixa intensidade focalizada”. Após a aplicação, as respostas tinham melhorado de forma mensurável. Três dias depois, o paciente tinha recuperado a plena consciência e compreensão da linguagem completa e ele poderia se comunicar acenando com a cabeça “sim” ou balançando a cabeça “não”.

Os aparelhos ainda não são portáteis, mas também devemos lembrar como a tecnologia avança miniaturizando as coisas cada vez mais. Daqui a pouco, estará em alguma maletinha em uma UTI móvel.

O presente tratamento foi descrito no periódico Brain Stimulation. Não, não está aberto, aqueles pulhas!

E você aí pensando que ultrassom é pra ver sexo de criança. Quando ia imaginar que daria para dar uma chupeta no cérebro. Afinal, era dessa cabeça que você pensou de início que eu estava falando, né?

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