Ursos identificam imagens no computador no mundo real

A maioria de nós se acha por cima da carne seca por conseguir usar um computador. Afinal, aqueles periquitos idiotas não conseguem fazer muita coisa além de piar, cães comem o próprio cocô e gatos acham seu notebook muito quentinho para tirar uma soneca. Só você, o diferentão, o espertão, o senhor da tecnologia, o incrível humano que é capaz de olhar para um monitor e discernir o que tem lá.

Infelizmente, você não e o único. Uma recente pesquisa indica que ursos negros norte-americanos são capazes de reconhecer imagens apresentadas na tela do computador, associando-as com objetos reais.

A drª Jennifer Vonk é professora de Psicologia Cognitiva do Departamento de Psicologia da Universidade de Oakland. Ela colocou sua doutoranda Zoe Johnson-Ulrich, para trabalhar na sua pesquisa, ou senão nada de “Dr.” No início do nome. Sabem como é Academia. A pesquisa enfoca a capacidade animal de interagir com imagens mostradas numa telinha e seu reconhecimento naquilo que chamam “mundo real”, que fico em dúvida se realmente existe.

As duas pesquisadoras analisaram o comportamento de um urso preto chamado Migwan, que mora no Detroit Zoological Society. O estudo faz parte de um projeto de pesquisa mais amplo para o bem-estar dos ursos em cativeiro, em que o pessoal de jaleco tenta descobrir como os próprios animais avaliam o ambiente em que eles são mantidos, as instalações, comida e características que lhes são fornecidas. Migwan é um urso negro americano (Ursus americanus) fêmea nascida em estado selvagem, mas ferido e posteriormente resgatado em uma idade muito jovem. Ela já havia recebido treinamento em uma tarefa não-relacionada usando fotografias de alimentos de sua dieta normal.

Como fotografia é muito mainstream, ficaram mostrando imagens digitalizadas de objetos reais, e não é que Migwan conseguia fazer a correlação? Ou seja, ela é mais esperta que muitos de vocês, que não juntam Lé com Cré.

“Por que isso é importante?”, você perguntará. “Para sabermos mais sobre a cognição animal”, eu responderei. “Mas com tanta criancinha passando fome”, você redarguirá. “Não estudar animais não-humanos não fará pão doce aparecer magicamente na África”, eu insistirei.

A pesquisa foi publicada no periódico Animal Cognition. Isso mesmo! Abertinho, digrátis, para você ler sem culpa.

Johnson-Ulrich e Vonk, contudo, alertam que não é porque ursos possuem a capacidade de reconhecer características de objetos reais sob a forma de imagens 2D (fotografias e imagens na tela de um PC) que necessariamente que eles entendem a natureza da representação de fotografias. Mas, pelo menos, eles associam as semelhanças entre os dois objetos e isso nos indica a quantas andam o desenvolvimento cognitivo dos primatas.

Não se sabe quão bem os ursos são capazes de reconhecer objetos que podem ser pegos com as próprias mãos/patas à primeira olhada de uma fotografia. Esse negócio de começar uma pesquisa (que nem era esse o foco inicial) e ter todas as respostas não é Ciência, é ficção meia boca, mas toda pesquisa dá novas informações paralelas, e é isso que faz a Ciência ser tão legal.

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