Cerveja pode ajudar a combater Alzheimer? Péra um instante

Estava há algum tempo sem colocar notícia de Alzheimer. E Alzheimer é que nem autismo: temos sempre que ter alguma notícia falando de uma cura, uma possível cura, algo que piora ou como…hã… desculpe, o que eu estava… quem são vocês?

Bem… a presente notícia é ótima para você, que anda sendo olhado torto por sua santa senhora (ou digníssimo esposo, dependendo da preferência) por gostar de encher a cara no final de semana. Se você for criticado, alegue que recentes pesquisas mostram que cerveja é bom para retardar o Alzheimer.

Todo mundo sabe que meter o focinho na marvada não é algo que um médico responsável recomende, já que isso faz vocês perderem neurônios, e em alguns casos aí, se perderem mais um voltam a ser macacos. (NÃO ESTRAGUEM A MINHA PIADA!).

a drª Eloise H Mikkonen (ou Eloise H Kok) é pesquisadora do Departamento de Medicina Forense da Universidade de Tampere, Finlândia. Ela estuda doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, a doencinha que é mais do que andar desmemoriado. trata-se de uma doença da classe das demências, sempre progressiva.

Uma das teorias mais aceitas atualmente diz que o Alzheimer é causado graças à agregação da beta-amilóide, um peptídeo, isto é, um pedaço de uma proteína presente na membrana dos neurônios. Essa proteína tem funções importantes na formação do sistema nervoso central. Com a idade, duas enzimas chamadas "secretases" fatiam essa proteína, o que gera os beta-amilóides, que acabam se "agregando" aos neurônios, mandando os coitadinhos pra vala. Isso vai acarretando demência progressiva (ou não). Uma dessas doenças progressivas é exatamente o Alzheimer, e ela afeta grande parte da população.

Os altos índices de Alzheimer provém do simples fato que estamos vivendo mais. Muitos de nossos avós não tinham Alzheimer porque morriam cedo, então não dava tempo para a demência se instalar. Com o tempo, esta doença sem-vergonha, nas fases bem tardias, acaba por afetar sistema nervoso autônomo, comprometendo principalmente o controle de frequência cardíaca e pressão arterial. Não que seja o único, pois existem outros tipos de demência que esse fenômeno é precoce e comum, mas aparecendo cedo, médicos investigam se há outras doenças atuando.

Mas como impedir isso? Bem, de acordo com a pesquisa da drª Mikkonen, junto com os auxiliares do Papai Noel, estudou a associação entre o consumo de diferentes bebidas alcoólicas (cerveja, vinho etc) e sua ação  sobre o beta-amilóide. Os resultados sugerem que os ex-pacientes que adoravam uma cerveja tinham menores casos de agregação de beta-amilóide, o que implicaria, a princípio, que quem enche  cara de cerveja teria, TALVEZ, menores chances de desenvolver a doença.

Antes de você ficar animadaço e correr pro seu boteco preferido e fazer um sinal pro Peixoto trazer seu chopp, devo salientar uma coisa que está no paper publicado no periódico  Alcoholism: Clinical and Experimental Research:

O consumo de cerveja pode proteger contra a agregação de beta-amilóide no cérebro. Mais estudos são necessários para compreender plenamente os efeitos do álcool sobre a patologia acarretada pelo beta-amilóide observada em tecido cerebral.


Agradecimentos ao meu neurologista de plantão, @RelativeBrain

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