Tem medinho de aranha? Reclame com seus ancestrais

Um monte de gente tem medo daquelas coisas cabeludas que se esgueiram por perto da gente, sem que percebamos. Não, não é um aluno do curso de Sociologia. São aquelas coisinhas ruins, peçonhentas, com um monte de pernas e zoiúdas. Sim, elas. As aranhas. Quase todo mundo tem medo de aranha, mesmo que diga "Pfff, que mané medo! Mato e pronto". Sim, É MEDO, SIM!

Uma pesquisa realizada pelo pessoal da Universidade de Columbia mostra que esse nosso medo é muito mais enraizado do que algum trauma com milhões de aranhas eclodindo debaixo do seu colchão, de forma com que todas elas cubram o seu corpo para depois devorá-lo. O motivo bobo de você ter medo por pouca coisa pode estar escrito no seu DNA.

O dr. Joshua New é professor-assistente do Departamento de Psicologia da Faculdade Barnard, na Universidade de Columbia. Junto com a drª Tamsin German professora-associada do Departamento de Ciências Psicológicas e do Cérebro, da Universidade da Califórnia Santa Bárbara, que não tem nada a ver com Iansã.

De acordo com a pesquisa dos dois pesquisadores que pesquisam sobre nosso medo de aranhas, os mecanismos de sistema visual, herdados de ancestrais humanos, podem oferecer uma rápida detecção de ameaças imediatas e específicas, como por exemplo, aranhas e cobras. O trabalho que a dupla dinâmica de dois pesquisadores faz é entender a hipótese ancestral que um determinado perigo deve ser priorizado para atenção e consciência visual e… ZZZZzzzzzZZZZzzzz

Esta chatice está no artigo a ser publicado no periódico Evolution and Human Behavior, o qual você pode ler AQUI.

Como todo treco de psicologia, é um saco ter que ler, mas até é bem simples.

Vamos esquecer que você está na sua casa, com ar-condicionado, Baygon no armário e a Consuela, que você escamoteou na última visita ao México. Pense que você está de volta numa savana, em que nem tanguinha ridícula você tinha, pois era mais idiota do que o usuário médio do Facebook (sim, isso é possível) e o máximo de tecnologia que tinha inventado era jogar pedra na cabeça de seus desafetos (não muito diferente dos textões). Naquele lindo ambiente inóspito, você tinha que ficar de vigia para qualquer coisa que quisesse te matar, oque se traduz a "qualquer coisa exceto um punhado de areia". Naquela época, o planeta todo era uma gigante Austrália.

A Seleção Natural nos ensinou muitas coisas (quem não aprendeu não está por aqui, se é que me entendem). Dessa forma, aquele que conseguiu aprender como ralar peito de perto de uma possível ameaça, sobrevivia mais tempo, gerando filhotes mais espertos (ou não, mas estes não tinham uma segunda chance). Com isso, os objetos espalhados por aí não são merecedores de atenção de forma igual, ou você acabava se distraindo e algum troço mais feio que a sua sogra o atacava.

Assim, quanto mais apto em identificar problemas e perigos, maior garantia Gronk tinha de chegar em casa e dar uns pegas em Kala. Por causa disso, nosso nível de atenção foi sendo moldado, a ponto de intensificarmos a virtual possibilidade de perigo. Tem até uma pesquisa do pessoal da Universidade de Ohio que determinou que fobias tendem a "ver" a causa do medo de uma forma mais agigantada. Em outras palavras, uma aranhinha inocente acaba se tornando um monstro devorador de cidades. Essa pesquisa fora publicada no Journal of Anxiety Disorders.

Aranhas têm tido grande atenção por parte de nossos medos, assim como répteis. Medos herdados de muito, muito tempo, quando ainda éramos indefesos e mal podíamos colocar as patas no chão. Muitos desses "amiguinhos" subiam até nós, e era preciso saber quando era necessário ralar peito dali. De preferência, imediatamente ao se perceber a ameaça.

New e German estudaram o grau de "cegueira por desatenção", isto é, quando o cérebro se cansa dos trocentos estímulos e decide que boa parte delas serão ignorados. O problema estava em ignorar os perigos. Quem fazia isso, virava jantar e não tinha tempo de gerar descendentes tão idiotas quanto papai que virou almoço. O cérebro foi aprendendo a gerar atenção e ficar de olho em tudo que pudesse causar mal e, como falado na outra pesquisa, intensifica o perigo de forma a lhe dar um recadinho simples CAI FORA!!!!!!!

Aprendemos isso, mas mesmo assim sempre tem um agora que se arrisca inutilmente, como um bando de idiotas que "surfa em ônibus". Nossa tecnologia talvez esteja nos piorando nesse sentido, fazendo-nos acreditar que vivemos num mundo mais seguro, ignorando potenciais perigos, e isso vai até "não sei de onde o ladrão surgiu".

Seu tatatatatatatataravó saberia.

8 comentários em “Tem medinho de aranha? Reclame com seus ancestrais

  1. “Uma pesquisa realizada pelo pessoal da Universidade de Columbia mostra que esse nosso medo é muito mais enraizado do que algum trauma com milhões de aranhas eclodindo debaixo do seu colchão, de forma com que todas elas cubram o seu corpo para depois devorá-lo.”

    Mais alguém lembrou da Última caçada de Kraven?

      1. “A Última caçada de Kraven” é uma história do Batman recusada pela DC comics, e posteriormente adaptada para o Homem-Aranha.
        Na história Kraven (inimigo do HA) consegue derrotar o HA e passa a usar o uniforme do mesmo durante um tempo. è considerada a melhor história do Homem-Aranha, apesar de eu não achar isso!

        Ah, E não me lembrei dela lendo o texto!

        1. Nem na parte que o Kraven mergulha num monte de aranhas e quando ta coberta por elas ele comeca a comer as mesmas aranhas (no sentido de alumentacao, pervertido)?

          Foram meses pra esquecer essa parte da historia.
          materia prima para aracnofobicos.

  2. Tenho medo da armadeira e da marrom, mas as aranhas do gênero nephelis sp.(creio eu), as que tecem teias enormes nas plantas de parques e areas verdes, acho-as belas.

  3. Quem começou a estudar sobre isto foi Kellert e Wilson. Só que botaram o nome de biofilia e biofobia. Fizeram até umas experiencias com riscos pré-modernos e respostas humanas bem legais, que por coincidência eram com aranhas e cobras.

    No “causo” ( Livro: Temas Básicos em Psicologia Ambiental; Sylva Cavalcante e Gleice A. Elali)

    Biofilia “é a proposição de que o seres humanos tem fundamento genético para relacionar-se com a natureza, cujo contato lhe proporcionaria a obtenção de efeitos positivos e recompensas;”

    Biofobia “é definida como uma predisposição genética que, associada a base de informação negativa ou à exposição a situações indesejadas, persiste em provocar medo ou forte tendencia a evitar certos estímulos naturais.”

    E mais uma vez mostrando que Psicologia não é só Freud e Clinica;

    Aqui: http://www.amazon.com/The-Biophilia-Hypothesis-Shearwater-Book/dp/1559631473

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