Gene humano implantado em camundongos os faz ficar mais espertos

Existem muitos exercícios por aí para aumentar a sua inteligência. Se você acredita neles, realmente precisa aumentar essa sua inteligência. Agora, imagine que com uma simples terapia genética, você ficasse mais espertinho e aprendesse mais rápido. A Ficção Científica já abordou isso em diversos livros e filmes. Claro, isso não tem nada a ver com usar apenas 10% do cérebro. Você usa 100% dele, a todo momento. O que acontece é ter mais ligações sinápticas.

Alguns pesquisadores pensaram: e se nós déssemos um gene de um animal mais inteligente e capaz a um rato. Será que ele ficaria inteligente? Bem, na falta de um animal muito mais inteligente, deram o gene de um ser humano mesmo. E os resultados foram fantásticos.

A drª Ann Graybiel tem o seu próprio laboratório no Departamento de Ciências Cognitivas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Sua pesquisa trabalha com as potencialidades do gene FOXP2.

FOXP2 é um gene da subfamília de genes FOXP, oriunda da família Fox. Esta família de genes codifica um grande grupo de fatores de transcrição que compartilham um domínio de sequências de DNA de ligação comum. FOXP2 tem relação com a área do cérebro responsável pela comunicação e linguagem.

Então, a drª Braybiel pensou: "e se instalássemos um "patch" nos cérebros dos queridos camundonguinhos com este gene e ver no que dá. Dia tá chuvoso e não tem coisa melhor pra fazer.Vamos lá".

Instalação do "patch" feita, vamos observar. E o que foi observado é que os camundongos com o gene FOXP2 foram capazes de aprender novas maneiras de encontrar comida em um labirinto mais rápido do que os ratos tidos como "normais". Isso leva a muitas considerações.

O FOXP2 já foi associado com a linguagem nos seres humanos, mas ele se provou ser mais do que isso. Ele pode desempenhar um papel bem mais importante na evolução das habilidades de comunicação exclusivos dos seres humanos. E sabendo que essas habilidades afetam em como nossa inteligência se desenvolve, entende-se que este pequeno gene ajuda em nosso desenvolvimento cognitivo.

Em outras palavras, com um melhor desenvolvimento das capacidades do cérebro em estabelecer sistemas próprios para entender linguagens e se comunicar através delas, ligações sinápticas são formadas, fazendo com que nosso querido cérebro trabalhe melhor, o que em suma significa: ficamos mais espertinhos!

Uma das coisas que difere os humanos dos outros animais, em termos de linguagem, é que teorizamos e criamos outras formas derivativas de comunicação, estabelecendo um modo de ordenar e regrar estes sistemas de comunicação. Alguns autores acreditam que a diferença entre humanos e animais não-humanos está na criatividade. A linguagem animal não é criativa, pois, basicamente, animais não-humanos conseguem se comunicar, com regras complexas e tal, mas não criam nem interpretam nada novo. Dessa forma, não conseguem criar nada que seja muito complexo, com encaixamentos, subordinação etc. Para tanto, é necessário o aparecimento de neurônios bem desenvolvidos e especializados, que trabalhem com manipulação espacial e interação com objetos. (obrigado, Bárbara)

A pesquisa se baseou em experimentar a tomada de decisões e resolução de problemas. tia Graybriel e a peãozada, digo, seus colaboradores colocaram centenas de camundonguinhos geneticamente modificados para encontrar um pedaço de chocolate em um labirinto. Os animais podiam usar pontos de referência como equipamento de laboratório e mobiliário que eram visíveis a partir do labirinto, ou eles poderiam encontrar o seu caminho usando a sensação do chão. Os orelhudos com o FOXP2 humano aprenderam a rota em sete dias, enquanto que levou ratos normais onze dias para aprender com a mesma eficiência.

Mas, curiosamente, esta diferença só apareceu quando os ratos tinham duas técnicas diferentes de aprendizagem para ajudá-los a encontrar seu caminho. Por exemplo, quando os marcos foram removidos – e os ratos tinham que aprender a rota usando apenas a sensação tátil – os dois ratos normais e x-camundongos com o FOXP2 realizaram a tarefa de forma igual. A mesma coisa aconteceu quando o piso texturado foi removido e só podiam navegar usando os marcos. A pesquisa foi publicada na PNAS.

Mas, além disso, os pesquisadores descobriram outra coisa. O referido gene poderia ligar a atividade da dopamina em uma parte do cérebro que está envolvida com a formação de procedimentos. O FOXP2 humano também poderia desligar os neurônios em certas regiões do cérebro para que possamos aprender novas tarefas e formar memórias.

Cérebro não é uma coisa fofinha e fácil de entender. É uma imensa gambiarra, com várias seções desempenhando múltiplas tarefas, muitas vezes pegando para si tarefas que seriam de outras regiões.  O estudo não visa fazer pessoas hiperinteligentes como eu, mas ajudar a entender como muitos problemas neurológicos afetam o grau de aprendizado e, como não podia deixar de ser, usarão isso como remédio contra o Alzheimer.

7 comentários em “Gene humano implantado em camundongos os faz ficar mais espertos

  1. O grande desafio de Peter.oops..Ann Graybiel, não foi encontrar FOXP2 ou implantar mas sim achar um ser humano que o possuia. E vai ficando cada vez mais complicado encontrar.

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