Policarpo Quaresma revisitado ou “Deputado mané quer acabar com estrangeirismos”

Sabe o que me irrita muito? É quando algum idiota fala um monte de bobagens e, por mero acaso, a criatura tem o mesmo nome que eu. Não que me incomode ter um homônimo, mas sim ter um homônimo que age feito um imbecil, ainda mais quando é deputado e, além de tudo, daqueles deputados que redigem leis totalmente descabidas.

A preclaríssimo senhor deputado André Moura, do PSC de Sergipe, propôs um Projeto de Lei que pretende resguardar a soberania linguística nacional da terra de Pindorama, praticamente impedindo de se usar quaisquer estrangeirismos.

Sentindo um sabor amargo na língua-pátria, esta é a sua SEXTA INSANA!

Bem, qualquer um com um mínimo de cultura sabe do livro "O triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto. Fazendo uma breve — mas erudita — resenha ele, o protagonista fica zureta e acha que o Brasil tem que ser relacionado com os índios. Todo mundo acha o óbvio: ele está maluco, e acaba se ferrando no final. Pronto, isso basta para você se situar no contexto e tirar uma boa nota no ENEM.

De acordo com o PL 4854/12: "Torna-se obrigatório que as nomenclaturas expostas em todo o território nacional, que tenham em seu conteúdo palavras em outros idiomas,  possuam tradução para o português".

Em outras palavras, o New York City Center, na Barra da Tijuca, deveria vir grafado junto "Centro Cidade de Nova Iorque". Mas se ele está se referindo aos shoppings, abreviação de "Shopping Center", deveria vir: "Centro de Compras", apesar que eu gosto mais da versão do falecido Arnaud Rodriges: "Xópicentis!"

Dentro das justificativas que não justificam, lemos:

O objetivo desta proposição não é de erradicarmos os [estrangeirismos] e sim tornar obrigatório a inserção junto aos referidos termos a tradução do enunciado em português. O estrangeirismo se concretiza no Brasil e ameaça a língua portuguesa. O fato é que o único patrimônio vivo está perdendo sua independência, além de reproduzir as desigualdades da sociedade brasileira.

Troquem "estrangeirismo" por "comunista" e vejam que interessante.

Estamos assistindo uma descaracterização da língua portuguesa, onde faz-se uso do estrangeirismo em abundância. O uso excessivo de palavras em inglês, que somados com problemas de vocábulo, desvalorizam a língua.

Além de dificultar a comunicação, o uso indiscriminado de palavras estrangeiras, constrange e confunde quem não a domina, pois a maior parte das pessoas não compreende a mensagem e fica à margem do processo de comunicação, criando mais uma diferença social entre os que falam bem e os que falam mal

Eu concordo que muitos estrangeirismos são idiotas e não precisavam existir. "Delivery" pode muito bem ser substituído por "Entregas". "OFF" poderia ser "desconto". Mas, claro, muitos desses casos visam turistas estrangeiros. Mas daunloudear é um câncer (que é um estrangeirismo), e eu espero nunca mais ler "printar" em revistas de informática (como se printa? Com um princel?). Nomes próprios são um caso à parte. Mouse é um aparelho e, curiosamente, ele é traduzido como "rato" em português lusitano, que estaria a priori (ops, estrangeirismo!) errado, já que "mouse" significa "camundongo". Mais corretos (?) estariam os sebosos franceses ao nome o aparelho como"souris".

"Mouse" está tão intrínseco no nosso idioma, que o plural é "mouseS", e não "mice", assim como webcam (câmera-teia, provavelmente do Peter Parker), smartphone (telefone esperto, um telefone que colocou receita de miojo na redação do ENEM e tirou 10), headphone (fone-cabeça, para os aparelhos mais eruditos).

Se há problemas de comunicação? FILHO! Pessoal não sabe nem escrever em PORTUGUÊS! Que diferença fará estar em inglês, alemão ou proto-indo-europeu? E não, brasileiro não tem nem um pouco de constrangimento de não saber outro idioma. Ele até se esforça para isso:


Na verdade, a notícia é esta aqui.

Portanto, senhor André (que raiva pronunciar meu próprio nome neste caso!), procura algo pra fazer. Sei lá, compra um pacote de um curso de inglês.


Fonte: Cardoso, pelo twitter do Victor, pela notícia do Administradores.com.br

4 comentários em “Policarpo Quaresma revisitado ou “Deputado mané quer acabar com estrangeirismos”

  1. De novo isso?

    Político brasileiro não é político brasileiro se não fizer, ao menos uma vez no mandato, um manifesto “em defesa da língua portuguesa contra os estrangeirismos”.

    1. @Lucho, Você quer dizer que politico brasileiuro não é politico brasileiro se não fizer ao menos uma vez no mandata um projeot de lei esdruxulo e sem utilidade!

  2. Eliminar os estrangeirismos do idioma nacional significaria abolir o português também, afinal este foi trazido da Europa.
    Mmesmo que fosse adotado um idioma indigena, qual seria? havia centenas de idiomas indigenas no Brasil, cada região adotaria seu idioma indigena natal?
    Não dá para acreditar que deputados ganham pago para ter idéias tão idiotas…..

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