Lei prevê que escolas municipais de Recife tenham obrigatoriamente bíblias

E depois das loucuras de fim de ano, sorrateiramente o fanatismo religioso tenta abocanhar escolas mais uma vez. Isso porque uma vereadora de Recife, Pernambuco, cismou que toda escola e biblioteca pública da respectiva cidade. Afinal, né, a Bíblia é legal e blábláblá.

O que seria isso senão a primeira edição do ano da sua SEXTA INSANA?

A vereadora Aimée Carvalho é filiada ao PSB, partido socialista que segue fielmente as ideias propostas por Karl Marx. Infelizmente, ela parece não saber o que isso significa (eu já vi candidato a deputado estadual defender os princípios cristãos do comunismo, então nem tecerei maiores comentários sobre isso). Aimée acha que temos que ler as magníficas palavras da Bíblia. As desculpas? Ah, vocês já sabem. A Bíblia é o livro mais editado no mundo (não é, principalmente porque os textos mudam), é o livro mais vendido no mundo (questionável) e o livro mais lido do mundo (ter não significa ler e já provei várias vezes que 90% da crentalhada só lê versículos específicos).

A brilhante ideia de tia Aimée vem do mesmo lugar de onde ela tirou que são mais de seis bilhões de cópias, com textos traduzidos para mais de dois mil e quinhentas línguas e dialetos. Ela acha que sendo o primeiro livro impresso do mundo, merece destaque entre os demais; ainda mais porque (supostamente) há ensinamentos importantíssimos para toda a sociedade, independentemente do credo religioso.

Sim, eu imagino que sim. Vamos ler a Bíblia, então:

Lucas 14:26 — Se alguém vem a mim e não odiar seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.

Deuteronômio 17:2-6 — Quando no meio de ti, em alguma das tuas portas que te dá o Senhor teu Deus, se achar algum homem ou mulher que fizer mal aos olhos do Senhor teu Deus, transgredindo a sua aliança. Que se for, e servir a outros deuses, e se encurvar a eles ou ao sol, ou à lua, ou a todo o exército do céu, o que eu não ordenei, e te for denunciado, e o ouvires; então bem o inquirirás; e eis que, sendo verdade, e certo que se fez tal abominação em Israel, então tirarás o homem ou a mulher que fez este malefício, às tuas portas, e apedrejarás o tal homem ou mulher, até que morra. Por boca de duas testemunhas, ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por boca de uma só testemunha não morrerá.

Deuteronômio 23:1-2 — Aquele a quem forem trilhados os testículos, ou cortado o membro viril, não entrará na congregação do SENHOR. Nenhum bastardo entrará na congregação do Senhor; nem ainda a sua décima geração entrará na congregação do SENHOR.

Levítico 20:10 — Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos terão praticado abominação; devem ser mortos.

E não. Jesus não aboliu lei nenhuma. Essa babaquice de tempo da lei e tempo da graça é subterfúgio.

Curiosamente, muçulmanos somam quase 2 bilhões de pessoas e, garanto, é mais fácil eles terem lido o Alcorão do que a crentalhada cristã que finge que leu, mas quando mostramos versículos… incômodos, começam a xingar, dizendo que não é bem assim, ou então, "explicando" que Deus é bom, mas se resolver matar quem ele quiser, pode.

Bagavad-Gita? Aquela… vereadora sequer deve saber o que é isso! E quando vemos a própria Arquidiocese questionar isso, é sinal que tem algo de muito errado, como mencionado pelo Diário de Pernambuco, de cujo excerto lemos:

A Comissão Arquidiocesana e Pastoral para a Educação da Arquidiocese de Olinda e Recife faz ponderações. “O estado é laico, mas não é ateu. Sabemos que 98% da população brasileira admitem ter fé, segundo o IBGE. É interessante que tenhamos a Bíblia nas escolas, mas estudantes de outras religiões como a muçulmana e a hindu podem requisitar o mesmo direito. A Bíblia a ser adotada será católica ou evangélica?”, questiona o presidente da comissão, o diácono Aerton Carvalho. A versão católica tem sete livros a mais. Aimée admite a possibilidade de se terem os dois livros. “Sou evangélica, mas legislo para a cidade. Se outro vereador propuser livros de outras religiões, inclusive, irei votar”.

Tá, irá votar. Já propor isso na sua leizinha vagabunda, é algo que não passou pelo seu céLebro, não é mesmo, tia? Ah, mas você sequer sabia que há diferentes Bíblias. Vamos colocar um exemplar de cada uma? Justiça salomônica, pois não? Que tal uma página de cada uma e formar um novo livro? Não seria mais legal?

Recife deve ser uma cidade sem nenhum problema, já que vereadores tão sem ter o que fazer para redigir leis imbecis parece ser algo em excesso por lá.

4 comentários em “Lei prevê que escolas municipais de Recife tenham obrigatoriamente bíblias

  1. Este munod está cada vez mais louco! se é para dar igualdade as religiões, como ficam as de tradição oral, como a celta, ou dos aborígenes australianos?
    Vamos por no papel também?

  2. Isso é tão importante quanto ter a bíblia aberta para consulta em cima de balcões de caixas e recepções de lojas e restaurantes. É mais ou menos igual a colocar no carro o adesivo “Deus é fiel”.

  3. Já tinha visto algo parecido em outro lugar, fui ver no google e achei isso: http://gov-rj.jusbrasil.com.br/legislacao/1028256/lei-5998-11

    Se esses deputados crentes quisessem mesmo uma biblia em cada biblioteca pública era só doar uma para cada escola e biblioteca, qualquer igreja tem plena condição de fazer isso, mas não, fazem uma lei, e as bibliotecas vão ter que comprar uma bíblia cada, vão ter que gastar dinheiro com isso.

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