A cura iluminada do cérebro

Em abril de 2013, o governo dos EUA deu o chute inicial a uma iniciativa inovadora. Infelizmente, o corte de verbas impediu de se construir um porta-aviões que voa, então, os caraminguás foram para outra coisa: explorar o cérebro, no que ficou conhecido como Iniciativa BRAIN, que originalmente tinha como meta restaurar memórias perdidas em veteranos de guerra, mas acabará fornecendo ferramentas aos cientistas para entender melhor no que se passa na cabeça das pessoas, estudando os circuitos cerebrais individuais. Para isso, estão usando uma ferramenta t~]ao complexa e tão simples ao mesmo tempo: luz.

Optogenética combina a Óptica e a Genética para determinar circuitos neurais em mamíferos e em outros animais, no sentido de compreender melhor o processamento de informações no cérebro. Muitas pesquisas estudam a interação entre luz e tecidos biológicos, mais especificamente tecido neuronal, que nada mais é que um tecido formado por neurônios. Pode-se usar a optogenética para melhorar a eficácia de implantes cocleares até estimulação encefálica profunda.

A drª Elizabeth Hillman é professora de engenharia biomédica da Universidade de Colúmbia, onde também coordena o Laboratório de Imageamento Óptico-Funcional. Seu trabalho envolve a criação, desenvolvimento e aplicação de imagens em 2 e 3 dimensões para microscopia e espectroscopia, em tecidos do cérebro, cardíacos e da pele, criando imagens moleculares em nível molecular.

De acordo com a pesquisa de Hillman, a optogenética não só ajuda a explicar doenças como a epilepsia e depressão, mas oferecem uma maneira de tratá-las. Não que seja o caso da pseudociência da cromoterapia. Luz é uma emanação eletromagnética que carrega energia, e essa energia é direcionada para a estimulação de tecidos vivos, mas para tudo tem limite e o atual é a tecnologia que ainda se está desenvolvendo. Ninguém tomará um banho de luz e sairá curado. Se sua esteticista prometeu isso, procure outra clínica (de preferência, depois de surrar a "profissional").

As probabilidades são incríveis! Pensem que ao invés de ficarem enfiando algo em você (me refiro a sondas em seu cérebro), lasers seriam "disparados contra a sua cabeça. Quem nunca iria querer isso? Mas os primitivos acham que é algo do tipo PEW! PEW! PEW! (não que não seria legal se fosse). O que os cientistas usam são pequenos feixes em um curtíssimo espaço de tempo em determinadas do cérebro que precisam ser "iniciadas", mas que parecem levar um certo tempo mais longo para "dar boot".

O principal problema seria exatamente a potencialidade de disparos fotônicos (isso saiu mais legal ainda!) de mudar a genética da célula. Não que isso faria você virar o Hulk, já que a Natureza é meio sem graça às vezes. Mas mudando o código genético, a célula teria um comportamento instável.

A maioria dos neurônios normalmente não respondem à estimulação luminosa. Então, os cientistas têm que adicionar o material genético de todas as células do cérebro que você deseja controlar . Dessa forma, pesquisadores podem fazer isso em camundongos com a engenharia genética , mas, infelizmente, não é uma opção para as pessoas… Ao menos, por enquanto.

Outro problema é direcionar o feixe luminoso nas camadas mais profundas do cérebro. Por quê? Porque ele vai ter que passar pela camadas mais externas primeiro, é claro. Isso pode não ser legal ou desejável. Se você quer reparar a caixa de câmbio do seu carro, você não sai metendo o martelo em tudo; e conforme vai adentrando camada após camada, a luz vai perdendo intensidade e energia.

Pesquisas assim estão mudando procedimentos. Chegará a um ponto em que o bisturi não será mais necessário. Ainda não será neste ano, no ano que vem e eu arrisco que ainda por uns 10 anos ou mais. Mas se aos poucos pudermos substituir técnicas invasivas por outras menos traumáticas, qualquer ganho será um ganho imenso. Com um simples feixe de luz, podemos colocar os neurônios de epiléticos para trabalhar direito, poderemos fazer o cérebro ser menos gambiárrico do que ele já é (sim, com outra gambiarra. Neurociência não é o máximo?).

Chegará a um tempo que nossos descendentes olharam para pessoas com Mal de Parkinson, epilepsia, Alzheimer, depressão, esquizofrenia ou outra doença neurológica e pensarão: "nossos antepassados metiam o facão lá? Eles viviam num açougue medieval?".

Os modernos Diógenes não ficarão com uma lanterna buscando a honestidade e sim substituirão Asclépio.

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