Uma crônica do fim do mundo

Bem-vindos, queridos. Quero que se sintam bem; peguem uma poltrona, há bebidas para todos. Todos vocês podem descansar, não há mais preocupações, não há mais dores de cabeça ou contas pra pagar. Sentem a leveza? A brisa soprando? Este é o mundo definitivo, mas não no seu conceito de mundo, queridos. Meus enviados avisaram com antecedência o que ia acontecer, não sei por que essa cara de espanto. Agora é que sua vida começará e nos encarregaremos disso, podem ter certeza.

Sem guerras, sem contendas, sem brigas ou mortes desnecessárias. Só pedimos para que respeitem outras formas de vida. Vocês têm tudo, gente, não há porque ficar de picuinhas. Vocês têm a tecnologia, vocês têm tudo! Todo o sonho da humanidade foi realizado, vocês estão aqui, conosco e vamos cuidar de vocês. Os mais fanáticos aludiram a um apocalipse maia, mas eles estavam errados. Os maias não queriam dizer isso. Os maias nem sabiam direito o que ia acontecer neste dia. Os maias não previram fim nenhum, pois eles sequer previram o próprio fim, mesmo estando de frente para os invasores do outro continente.

Vocês devem achar que fazemos parte de alguma seita e/ou sociedade secreta. Eu tenho que sorrir frente a isso, dada a incapacidade de vocês entenderem o que está acontecendo. Até agora vocês estavam aqui, matando-se mutuamente. Pouco entenderiam algo além de suas próprias arrogâncias, mas hoje é fim. Não exatamente de suas vidas, se é que isso que vocês vivem diariamente é o que entendem por “vida”. Se for isso, então, sim, é o fim, mas tudo para um novo começo. Nós não oferecemos uma Árvore do Conhecimento. Oferecemos TUDO! O fato de aceitarem ou não é irrelevante. Já foi decidido para onde vocês deverão ir, mas não nos olhem assim. Algumas coisas estão além de nosso controle. Mas isso não é mais preocupação de vocês, queridos. Olhem os lírios do campo e vejam se eles estão dando a mínima.

Olhem em volta a serenidade, olhem e apreciem o que veem ao seu redor. É nosso presente, nosso legado para vocês. O que fizeram para merecer? Desculpem a franqueza, mas absolutamente nada. Este é um daqueles casos que presenteamos apenas porque queremos presentear, sem motivo específico… pelo menos, um motivo que esteja de fácil alcance para vocês que, desculpem a franqueza novamente, nunca foram muito espertos em perceber as coisas.

Apenas desfrutem o presente, e se me perdoem o trocadilho, é um presente bem presenteado no atual presente. Por muito tempo criaram uma ideia errada de mim e de meus companheiros, mas ninguém os culpa. Entretanto, queridos, isso não significa que o que tinha que acontecer não acontecerá. VAI acontecer, mas vocês não se preocupem, deixe tudo conosco.

É o fim, gente! Hoje é dia 21 de dezembro de 2012 e mundo no qual vocês viviam não existe mais. Eu sou Karellen e este é o fim da sua infância.

11 comentários em “Uma crônica do fim do mundo

  1. Tenho que ler esse livro, tá na minha Wishlist do Amazon. Estou lendo agora “Filhos da Mente”, de Scott Card. Cansei de esperar uma tradução para o português e vou ler em inglês mesmo.

      1. 1 – Já comprei e estou na metade, agora é tarde.
        2 – Não achei lá não, só achei o “Children of the Mind” em inglês lá. Na Devir, que publica os livros do Scott Card, também não está.
        3 – Pra mim não é muito problema ler em inglês, desde que a estória seja boa. E até agora está sendo.

        http://www.estantevirtual.com.br/q/scott-card

      2. @André

        P.S.: Agora que me veio à mente. Você deve estar falando de “Fim da Infância”. Eu estou falando de “Filhos da Mente” (“Children of the Mind”). Eu não fui muito claro no meu primeiro comentário.

          1. Vou redigir o meu comentário…:

            Tenho que ler esse livro [Fim da Infância, de Arthur C. Clarke], tá na minha Wishlist do Amazon [desde que eu terminei “Encontro com Rama”].

            Estou lendo agora “Filhos da Mente”, de Scott Card. Cansei de esperar uma tradução para o português [do Filhos da Mente, Children of the Mind] e vou ler em inglês mesmo [pois já terminei Xenocídio a anos e a Devir nada].

            (…)

            Agora que me veio à mente. Você deve estar falando de “Fim da Infância” [estar no site da estante virtual].

        1. Eu falei de “Children of the Mind” porque tem a ver com “Childhood’s end”, pelo menos em inglês. Nos confundimos com os livros nos comentários.

  2. Me lembra a história do cara que morreu e foi para o inferno.

    Foi recebido por Lúcifer, que lhe mostrou o local.

    Ele viu que era um lugar de grande harmonia, que todos viviam em paz e com muita felicidade.

    De repente, tudo virou, literalmente, um inferno, com muito fogo, dor e sofrimento.

    Neste instante uma alma caiu do céu e foi consumida pelas chamas.

    Instantaneamente a paz voltou e o recém chegado perguntou á Lúcifer:

    – O que houve?

    – Nada de mais, foi só um Crente chegando…

  3. Poxa, André! Traindo o movimento do bom gosto!
    Citando um dos autores da Trindade, mas usando uma “cria” de Stan Lee na ilustração?
    P.S :Antes que me mande para o limbo, é só brincanderinha ! :smile:

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