Mas obviamente a Ciência não serve pra nada. Ela apenas nos deu armas nucleares, não é? Não é o que um paciente de 71 anos pensa. Ele sofreu uma lesão na medula espinhal após um acidente de carro há quatro anos e este acidente ceifou-lhe grande parte de seus movimentos. Muito mal conseguia mover seus braços, mas nada muito mais que isso. Seu destino estava escrito por um poder invisível e nada poderia reverter isso.
O bom de ser cientista é pouco se importar com o que poderes invisíveis possam querer ou não. Foi o caso dos cirurgiões da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington.
Os ishtari do Centro Cirúrgico usaram todo o poder advindo de nomes já há muito esquecidos, desde Hipócrates até Vessálio. De Al-Hazen até Paulo Niemeyer e fizeram o que muitos julgariam impossível: eles criaram um processo de derivação, onde construíram uma espécie de "desvio", onde informações que trafegavam por nervos sadios pudessem chegar até as regiões afetadas. Assim, as informações que chegavam até o cotovelo, por exemplo, puderam ser enviadas até as mãos. O procedimento foi descrito no periódico Journal of Neurosurgery, o qual você poderá ler totalmente AQUI.
De acordo com a drª Ida Fox, professora assistente da cadeira de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva "o que fazemos é tomar esse circuito e restaurar a conexão com o cérebro." Ainda segundo a médica, após o nervo ser cortado, ele volta a crescer em cerca de um milímetro por dia, e se você ainda é daqueles que acha que células nervosas não se regeneram, creio que precisa ler mais artigos científicos e deixar seus jogos de Pokemon de lado. Só que remendar os nervos não basta, é preciso enganar o cérebro, aquela gambiarra evolutiva que funciona de modo precário, mas é o melhor que o processo evolutivo nos deu. A questão é que o tosco do cérebro "acha" que só porque um nervo estava ali, fazendo uma coisa, que não pode fazer outra coisa. Entra em cena os terapeutas, que através de exercícios ensina o cérebro que se aquela porcaria de nervo podia dobrar um cotovelo, seu idiota, pode muito bem mexer a mão.
É exatamente graças ao cérebro construído na base do POG que sua plasticidade ajuda a mover o processamento de informações de um lugar pro outro, da mesma forma quando estamos sem uma fonte de alimentação de um celular, pegamos a fonte de outro, cortamos o cabo e emendamos o conector do outro. Não é o ideal, mas funciona (ou quase). Da mesma forma, o paciente não está muito cotado para correr 100 metros rasos ou sair na porrada num campeonato de Vale Tudo, mas para quem mal movia o braço, creio que está bom demais; e isso vale mais que 6 milhões de dólares.
Milagres existem e são realizados todos os dias. Não por um idiota de camisa social e gravatinha, tentando fazer o parto de caveirinhas de plástico. Não são caras de branco esparramando galhos de arruda em você ou tias de vestido cafona jogando cartinhas coloridas e prometendo trazer o toscão que lhe deu o pé na bunda de volta. Os milagres são feitos através de séculos de conhecimento humano armazenado em livros, artigos, revistas etc, que vão sendo ampliados pelos verdadeiros milagreiros: cientistas sérios que se preocupam mais com você do que o quanto você tem para gastar.
Fonte: Singularity Hub

POG seria “Programação Orientada a Gambiarra”? Se sim, foi genial.. caso contrário, boiei.
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É isso aí mesmo.
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