“Einstein ‘tava certo, nós estávamos errados. Mal aê!”

Para finalizar o caso dos neutrinos ligeirinhos, temos a pá de cal no sepulto das medições efetuadas pelo Opera. Se você não faz a menor ideia do que estou falando e ainda acha que Plutão é planeta, sugiro acompanhar os artigos que escrevi aqui, aqui e aqui. Eu aguardo.

Leu? Ótimo! Eu, sempre que posso, continuo acompanhando o desenrolar de assuntos controversos, ainda mais quando se pretende mudar paradigmas fundamentais e teorias científicas já muito comprovadas. Não significa, entretanto, que elas não irão mudar, pois nada na Ciência é eterna, ou ainda estaríamos tentando fabricar ratos com camisas velhas. Só que não é minha culpa se tenta-se refutar algo através de premissas erradas. E, com isso, o que vemos são verdadeiros micos pagos em várias vezes por diversos sites, e com juros! O caso dos neutrinos supraluminosos não foi uma exceção.

A Primeira Lei de Clarke diz que quando um cientista distinto e experiente diz que algo é possível, é quase certeza que está certo. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito provavelmente errado.

O pessoal AMA esta citação, mas é uma falácia. Desculpe, tio Arthur, mas se um cientista distinto disser que é impossível que perto do Sol um corpo não sofra ação do seu campo gravitacional, eu quero VER como ele pode estar errado. Se um renomado biólogo descobrir uma nova espécie de salamandra e afirmar peremptoriamente que ela não é descendente direta de um aye-aye, a probabilidade desse renomado cientista estar errado é…?

Se alguma coisa tem de verdadeiro nas Leis de Clarke, é a 3ª Lei: Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia, cuja "derivativa André" para ela é:

Qualquer coisa mais complicada que 2 + 2 é feitiçaria para 99% da população do planeta e completamente ininteligível para 80% dessa mesma população (números modestos).

Se forem citar isso, por favor, façam da maneira correta: Carvalho, André – junho de 2012 [ou 195 D.a.A.M. (Dias Antes do Apocalipse Maia)].

Ouvir gente séria sempre é garantia de não tirarmos conclusões precipitadas, ainda mais em se tratando de ocorrências anômalas. Ouvir cientistas do mundo todo é mais que uma obrigação e não apenas para servir como uma remota possibilidade de ser indicativo de algo. Não foi à toa que Jim Al-Khalili apostou que comeria sua própria cueca na TV e AO VIVO se esses neutrinos fossem realmente mais rápidos que a luz (meu lado sádico adoraria ver isso, confesso).

Em notícia veiculada pelo The Guardian, vemos a maior prova da grandiosidade da Ciência, onde os cientistas fazem mea culpa e admitem que sim, Einstein estava certo mais uma vez. Isso mostra o que eu sempre digo: a Ciência sempre se corrige e auto-corrige. Em NADA isso manchou a reputação dos físicos envolvidos no projeto. Em nada, o trabalho foi desmerecido. Eles obtiveram um resultado e o defenderam, como seria de se supor. Outros cientistas questionaram e isso levou a mais testes, até que se obteve a comprovação que os resultados estavam incorretos e que a Relatividade ainda estava intocada. Se eles não ousassem contradizer Einstein, a Ciência não avançaria. Se eles se recusassem a sequer ouvir outros pesquisadores, a Ciência não avançaria. Dogmas tanto de um lado quanto do outro emperrariam nosso conhecimento. Agora sabemos um pouco mais sobre Física e sobre nós mesmos.

Ontem, o diretor de pesquisa do CERN, dr. Sergio Bertolucci — que não fez filme nenhum sobre imperadores chineses — apresentou dados em que demonstrava a tentativa de reproduzir as informações coletadas no ano passado. nenhuma tentativa de replicação deu certo. Paciência. Pelo menos, nas palavras de Bernardo, digo, Sergio, "a história cativou a imaginação do público, e deu às pessoas a oportunidade de ver o método científico em ação. Um resultado inesperado foi posto ao escrutínio, investigado exaustivamente e resolvido em parte graças à colaboração entre os experimentos normalmente concorrentes. Assim é como a ciência avança ."

Pena que a manchete "Einstein estava certo" não é tão impactante quanto "Einstein é um mané. MUAHAHAHAHA".

A verdadeira vitória não é saber que Einstein estava certo e sim dos cientistas do CERN que reviram seus dados e os testaram mais uma vez, admitindo que estava errados previamente. Por isso, que cientistas são, sempre foram e sempre serão superiores ao lixo que chamamos de "jornalismo científico" do Brasil; porque, ao que parece, as notícias a respeito da morte das teorias de Einstein foram um pouco exageradas…

3 comentários em ““Einstein ‘tava certo, nós estávamos errados. Mal aê!”

  1. Não posso deixar de admitir que fiquei levemente esperançoso de haver uma brecha na teoria da relatividade, que permitisse a existência de fenômenos superluminais. Não por causa do cara da cueca (ECA!), mas porque isso abriria espaço a possibilidades quase inimagináveis. Enfim, Einstein continua sendo o implacável guarda de trânsito espaço-temporal… :razz:

  2. A ciência é fantástica. Muitos vão ficar xingando ou até mesmo chacotear os cientistas, mas eles merecem aplausos. Não é qualquer um que ousa violar um lei física. Ainda mais einsteniana… Mas essas leis mais uma vez se mostraram invioláveis.

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