Os suspeitos de uma grande matança

As pessoas têm o péssimo hábito de olhar o mundo lá fora e pensar que tudo é perfeitinho. Não é. Desde as Grandes Extinções até aquele monte de camelô impedindo a sua passagem, o mundo sempre foi perigoso. Um exemplo foi a extinção geral, (quase) total e irrestrita ocorrida durante o período Permiano, há cerca de 250 milhões de anos, onde mais de 90% da vida na Terra foi riscada do mapa, por causas diversas.

Houve muitas extinções ao longo do tempo, como a do Pleistoceno, Cretáceo-Triássico (K/T), Triássico Superior, Paermo/Triássica, Frasniano/Fameniano, Ordoviciano Superior e o Vendiano. Muita sorte ter algo vivo hoje em dia, a não ser que alguma força obscura tenha brincado de XBOX Celestial só para saber se algo sobreviveria e demonstrando absoluta falta do que fazer, além de uma incompetência ímpar. Enfim, o que realmente sabemos sobre o período Permiano?

Não se sabe a cronologia perfeita dos acontecimentos, mas com certeza sabe-se que ocorreu uma imensa atividade vulcânica, que cobriu uma área do tamanho da Europa Ocidental de cinzas e lava. As emanações gasosas, como óxidos de enxofre e gás carbônico, começaram a intensificar o efeito estufa, a Terra começou a aquecer. Enquanto as armadilhas siberianas jogavam mais rocha derretida pra fora,  fazendo com que a temperatura aumentasse, perfazendo um total de cerca de 1000 Gt* de rocha incandescente e uma coluna de cinzas que subia até 40 km de altura. Os oceanos começaram a  aquecer, pois as Leis da Termodinâmica não estão nem aí se algo vive ou morre. Toneladas de gás metano, que estavam congeladas sob o leito oceânico sob a forma de permafrost,  começaram a passar para o estado de vapor e subir aos céus amigos e intensificou ainda mais o aquecimento global. O aumento dos níveis de cinzas suspensas na atmosfera geraram eletricidade estática e esta detonou o metano, produzindo mais CO2. Se a situação já era ruim, passou para "catastrófica". Com o excesso de cinzas, o mundo ficou escuro; e sem luz, nenhuma planta é capaz de fazer fotossíntese. Animais que dependiam das plantas conheceram o medo e viu a morte lhes sorrir. Tudo o que possuía capacidade de locomoção tentou fugir, mas não havia para onde fugir. O fim inexorável os aguardava atrás da cortina de fumaça e fuligem incandescentes. Até mesmo os orcs de Mordor sentiriam medo. Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate!

A grande pergunta que nos vem à mente é: Quem é o filho da puta que ainda acha que vivemos num mundo perfeito? Será que só isso seria o suficiente para elevar a temperatura dos oceanos?

Uma pesquisa publicada no periódico Nature Geoescience indica que as erupções das armadilhas siberianas teriam contribuído com a queima de depósitos de carvão, exalando cinzas tóxicas. Ventos fortes teriam ajudado a dispersar estas cinzas, junto com as cinzas vulcânicas (uma coisa é uma coisa e outra coisa, outra coisa é). Assim, quando magma incandescente fluiu para o interior de solos permafrost do Ártico, este queimou a matéria orgânica ali disposta, produzindo sua queima, como efeito secundário houve a queima do carvão e isso acarretou e m mais aumento de temperatura, que fez os oceanos se aquecerem e o metano congelado se libertasse.

Como foi dito, isso bloqueou a luz do sol, plantas morreram, o aumento de temperatura e queima de florestas inteiras acarretou num aumento de gás carbônico, diminuindo a concentração de oxigênio. A morte veio sob a forma de fome, calor e sufocamento, e teria sido o fim da vida na Terra. Mas a mão que apedreja é a mão que afaga. Com a alta concentração de cinzas, e redução do índice de luz do sol na superfície terrestre, começou outra etapa, semelhante a um inverno nuclear. Sem a luz do Sol, a Terra começou a se resfriar lentamente. As árvores queimadas se transformaram em depósitos de carvão, os animais adubaram a terra, e as cinzas começaram a cair por força da gravidade.

O céu tornou-se azul novamente, e o Sol voltou a brilhar. Aqueles seres que conseguiram sobreviver geraram descendentes, as plantas que estavam em latência desabrocharam. A vida sempre arruma um jeito e o processo evolutivo, guiado pela mão invisível da Seleção Natural, seguiu seu curso.

Agora,m desafio-o a olhar pela janela e pensar como seu mundinho do alto de seu apartamento é tranquilo e nada o mudará.

* Gt é símbolo de gigatonelada. Um mil gigatoneladas equivale a 1015 quilogramas (número 1 seguido de quinze zeros). Entretanto, a tonelada não é unidade de massa reconhecida pelo Sistema Internacional de unidades, dando preferência para megagramas (1 t = 1 Mg). Assim, pelo S.I., a massa referida seria de 103 x 109 x 106 gramas = 1018 gramas.


Para saber mais:

7 comentários em “Os suspeitos de uma grande matança

  1. E pensar que um inseto super interessante passou por algumas destas grandes catástrofes, a barata atravessou a extinção do Período Permiano e evento K.T, com grande eficiência, mas sabendo que o planeta passou por uma era de pertubação vulcânica, qual seria a probabilidade de haver uma desordem desta proporção? E se um destes vulcões gigantes como o do Havaí explodisse este evento poderia gerar uma reação em cadeia ? Belo post..!!

  2. Sorte q o ser humano é adaptável e conseguiu sobreviver….. AHUAHAUAUA, falando sério, sorte de nossos ancestrais, que ocuparam os nichos ecológicos vagos. Talvez hoje a espécie inteligente dominante pudesse ser algum trilobita horroroso qualquer.
    Mas a mensagem fica: “Pensa que o dia passado não volta mais!” [Alighieri]

    1. Talvez hoje a espécie inteligente dominante pudesse ser algum trilobita horroroso qualquer.

      Eu acho que trilobitas são mais inteligentes que 99% da população na Internet. Comentários em sites de jornais, YouTube e Yahho!Respostas não me deixam exagerar.

  3. Belo artigo. Me fez refletir quando dei muitas gargalhadas assistindo Era do Gelo (apesar deste representar o Pleistoceno). Talvez tivesse sido sádico.

    A extinção do Permiano mostra o quanto o nosso planeta é perigoso e talvez a Armadilha Siberiana não seja a única. A costa leste da África, Sudeste Asiático ou mesmo Parque Yellowstone podem acabar com boa parte da vida a qualquer momento. Acho que um evento desses não nos deixaria sobreviver.

  4. Embora eu tenha conhecimento dos eventos e esteja segura da minha insignificância para o planeta, fico horrorizada que tantas pessoas se preocupem com o “ano que vem”. É tão difícil assim acreditar na ciência? :/ um excelente artigo que também ajuda a alertar as pessoas desse pandemônio que a mídia fez ( e Discovery, muito obrigada por ajudar a aumentar o caos, MUITO OBRIGADA! Vontade de dizer outra coisa, mas me contenho).

  5. Mas que a explicação mais fácil é:

    Então Deus disse “Cansei desse ecossistema operacional. Vou formatar”. ..

    isso vocês vão concordar…. :wink:

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