Segundo físico chinês, gostar de estudar, no Brasil, não dá reconhecimento

É fato óbvio que o Brasil está se tornando uma nação de ignorantes. Quando até mesmo o Presidente se vangloria por não ter estudado, qual o futuro está reservado para nossos estudantes? Nenhum, pois estudar no Brasil é praticamente se candidatar a ser xingado, vilipendiado e ser visto como uma criatura anormal. Para o dr. Guo Qiang Hai, pesquisador da USP, há um sério problema em todo o sistema brasileiro, que enaltece broncos e rematados idiotas como se fossem o ápice da humanidade, quando pessoas que se esforçam não são reconhecidos. Ou seja, o bom dr. Hai não falou nada que não soubéssemos, mas é sempre bom reforçar como o Brasil é formado por uma maioria de idiotas apedeutas.

Analisando o que o dr. Hai disse em uma entrevista para a Folha, o ensino no Brasil é um lixo comparado com a China. Lá, a escola é em tempo integral, com o aluno sempre trazendo tarefas para fazer em casa. E, obviamente, os professores corrigem e dão nota. Aqui, os alunos trazem tarefas, copiam e colam das wikimérdias da vida e os professores aceitam, pois dá trabalho questionar isso, e aqueles casca-grossas que questionam e dão zero acabam tendo que se explicar às coordenações. Eu sei muito bem o que é isso. Já passei trabalho e o miserável do aluno (ops, acho que falar assim é antipedagógico) me entregou DUAS folhas, com texto corpo 22, cheio de links. Quando eu perguntei o que era aquilo, ele falou que bastava ir nos links que ele colocara. Daí eu perguntei se na próxima ele iria me dar uma folha com uma única linha www.google.com, e me dizer que tudo o que eu quisesse estaria ali.

Detalhe: Ele passou de ano, junto com uma das meninas que faltou quase o ano todo. Maravilhoso, não?

No Brasil, Nerd virou termo pejorativo. A origem etimológica repousa na década de 1950 e derivaria da sigla de Northern Electric Research and Development (Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia Northern Electric do Canadá, hoje Nortel). Ou seja, nerds eram os engenheiros do referido departamento de pesquisa, e dificilmente seriam idiotas com óculos grossos com cara de débeis mentais retratados no cinema. Ademais, se a sua visão de mundo se baseia em filmes da Sessão da Tarde, faça um favor à humanidade e pule de um precipício. Além de melhorar o mundo, você ainda ganha um Prêmio Darwin.

Na China a visão é totalmente diferente. A começar pelo salário e respeito que os professores recebem lá. Aqui é na base do “meu pai paga esta porra!” (como coisa que isso me intimida). É uma questão cultural. No Oriente Distante, há uma filosofia inerente ao desempenho das pessoas. Ela é retratada pela expressão chinesa “kiasu”, que significa “medo de perder”. É a competitividade, tão odiada pelos psicopedagogos, criaturas tão inteligentes quanto uma lesma com debilidade mental.

O Sistema Chinês monitora os estudantes desde os 10 anos de idade, agrupando-os pelos resultados de testes (“especial” e “expresso” estão no topo da lista; “normal” designa aqueles que seguirão como mão de obra para as fábricas e o setor de serviços), o kiasu é internalizado desde cedo, fazendo separações necessárias numa nação com mais de um bilhão de pessoas. O Ensino TEM que ser rígido, para que a peneira possa selecionar os melhores. Cingapura copiou este método e tem dado certo, pois lá não sefica passando a mãozinha na cabeça dos pobres aluninhos. Sugiro ler a reportagem que a National Geographic publicou.

O dr. Hai tem razão ao dizer que, na pocilga chamada “sociedade brasileira”, você só é alguém se posou nua para a Playboy, participou do Big Brother (uma coisa acarreta outra e vicer-versa) é jogador de futebol ou tem dinheiro. Se juntar tudo isso, então, seu futuro está garantido, a não ser que você arrume um filho com alguém, este alguém tente lhe chantagear e você tenha a estúpida ideia de matar a pessoa.

A questão é que estudar é feio, ser nerd é defeito. É tão defeituoso que até criaram um outro termo: Geek, que uma amiga minha definiu bem como “nerd metrossexual com tendências egocêntricas”. Eu prefiro um termo de uma palavra só: viadagem.

Algumas mães acéfalas já intensificam nas filhas que o importante é a beleza, a ponto de pagarem por cirurgias estéticas, aplicação de silicone etc.[1] [2] Mesmo porque, a filha pode arrumar um emprego de modelo, descolar algum ricaço e a vaca da mãe poderá viver às custas da filha. Como se dava mesmo o nome a isso? Acho que era cafetizar os outros, não me lembro. Alguém pode me dizer o nome pós-moderno disso?

Não, o Brasil continuará sendo formado por uma população de maioria frívola, superficial e fútil, sem a menor capacidade de formar técnicos e cientistas em quantidade suficiente. E pois que se formam vêem que aqui acabarão morrendo de fome, já que pesquisa no Brasil é motivo de piada e desdém. Que o diga o ex-diretor do Butantan.

21 comentários em “Segundo físico chinês, gostar de estudar, no Brasil, não dá reconhecimento

  1. Post mais que perfeito!
    Vivemos num caos, as salas de aula estão cada vez mais insuportáveis cheia de gente completamente “sem noção”, e sem senso critico, digo isso de alunos professores, ler é sempre um bicho de sete cabeças. Quando estava no ensino médio fui apresentar uma peça de teatro onde haviam vários contextos filosóficos.. e o que a retardada da diretora e da “pedaboba” fizeram? Chamaram minha mãe (como se fosse resolver alguma coisa) e disseram que o teatro era coisa do diabo, onde já se viu eu encenar o mito da caverna e dizer que somos sem luz e que vivemos na escuridão, a melhor foi quando tive que ouvir que não era normal eu ler dois livros ao mesmo tempo..( eu posso com isso??) na hora dei aquela gargalhada, e as idiotas ainda disseram “ olha ai ela esta transtornada”. :evil:
    Quantas vezes arrumei encrenca com professores porque eles não davam aula, é muita palhaçada! tem professor que faz a chamada ( como se fosse grande coisa) dá meia dúzia de perguntas para responder e fica na porta aguardando o sinal tocar e isso tive que presenciar na faculdade. :!:

    1. Uma coisa que Hai menciona é sobre professores nas Universidades. Como todo cargo público, acaba se tornando cabide de emprego, onde o sujeito ganha sem produzir, faltando mais do que outra coisa. Fora as pesquisas pífias que desenvolvem, não gerando retorno nenhum. Entendo a função da Ciência Pura, mas dividir uma pesquisa em duas, três ou quatro é jogar toda a nossa Ciência no lixo.

  2. Aí que ta o erro, conhecimento tem que se passar adiante, não sentar encima e se achar o dono do mundo. O pior é quando eles nos fazem de “cobaias” das pesquisas deles, ficam martelando no mesmo assunto o tempo passa e nada de novo. Deveria ter um filtro melhor na seleção dos funcionários públicos, principalmente na área de educação.
    E chamar atenção nessas pessoas que se dizem “pais” que preferem assistir TV ao invés de educar seus filhos descentemente pra não se tornarem idiotas dizendo amém a tudo que vêem pela frente.

  3. Este artigo foi ótimo!

    Infelizmente isso não irá mudar tão cedo, sinto vergonha de viver em um país onde pessoas se unem para comemorar futebol mas quando o assunto é política simplesmente ignoram, em eleições votam no candidato mais bonito (um triste fato na minha cidade: Fulana, por que você votou nele? Ah, porque ele é o mais bonito.). Carnaval, festa, mulheres nuas, trio elétrico, essas são as prioridades mor. Brasileiro é uma piada, coitado dos nerds pois são excluídos e vistos como anomalias sociais. Aqui não se investe em pesquisa, em educação, em cultura, parece até que é de propósito pois quanto mais burra a população mais fácil é a manipulação. Manipulação que claramente é uma das grandes culpadas por essa cultura, programas de TV que não passam de lixo, programas de fofoca, novelas mostrando a vida de luxo, telejornais parciais com informações fúteis e outras que fazem a TV sangrar, no geral nada que incentive os estudos, pelo contrário. Como se não bastasse, ainda há os que acreditam em cobras falantes, que tristeza. :cry:

    Sinto pena do meu ex-professor de física do colégio, ninguém se interessava pela aula e ainda zombavam do sujeito, essa é a nossa sociedade, pessoas burras que valorizam os burros, ser inteligente no Brasil é difícil, a não ser que seja inteligente e corrupto, daí vira político.

  4. André, acho que pimpar caberia bem no lugar de cafetizar nos dias de hj (y). E BTW, tá chegando a hora de escolher nosso próximo senhor de engenho.

  5. Que coisa deprimente ser brasileiro. Eu sempre me senti um ET na escola perante meus amigos por ser uma boa aluna, por ser praticamente a única revoltada com um professor de física cretino que tive no primeiro ano do ensino medio (enquanto os outros alunos colavam rabinho de papel na bunda dele). Eu só era cumprimentada de forma decente pelos colegas quando era época de feira de ciências e eu carregava a cambada toda nas costas :lol: :lol: :lol: Ah sim e já ouvi coordenadora de escola preocupada comigo, pois eu era muito crítica, e segundo ela, eu iria sofrer muito na vida… e não é que ela tem razão de certa forma?

  6. Eu não dava tanto mérito assim para a China, vou pesquisar sobre e rever meus conceitos. Mas sobre o Brasil… Ah, por favor, só agora que a Folha achou interessante tal fato? Isso é quase LEI desde 2002.

    1. Isso me fez lembrar meu ensino médio, onde os professores chegam na sala de aula ficam sentados e dão umas questões, e vão na cozinha do colégio toma café e só volta no final da aula e nem corrigi o dever, isso sem conta que quando você tenta fazer algo um tanto criativo eles falam que seu dever está errado, ou seja, tudo tem que ser igual, os colégios no Brasil acaba detonando a criatividade de alguns alunos, mas fazer o que né, os alunos também ajuda que isso ocorra, pois a maioria vão na aula para fica enrolando e quando alguns bons professores tentam passar algo os “queridos” alunos acabam reclamando, pois aquilo é muito complicado para “inteligência” deles.

    2. @Mari., Desde de 2002? Lula apenas deu saliência ao fato. Esse problema já esta presente há tempos. Pelo contrário, Lula não seria presidente.

  7. Há algumas semanas, encontrei com dois colegas de 2º ano. Me perguntaram como eu estava e o que estava fazendo da vida. Eu disse que estava num pré-vestibular e que planejava ser bacharel em biologia. Os dois olhoram serio pra mim e um disse: você vai gostar de trabalhar “dessecando” sapo?

  8. Só uma observação, geek é um nerd que tem a nerdice voltada quase exclusivamente para a tecnologia e informática.

  9. No Brasil, se o aluno não passar de ano a culpa é do professor. E a diretriz de ensino é aprovar todo mundo a qualquer custo. Além disso, querem que o aluno receba a educação que não tem em casa na escola; como se isso fosse possível… Então não temos nem difusão do conhecimento, nem civilidade nas salas de aula.

  10. Tenho no escritório de advocacia onde trabalho um exemplo lapidar de como as pessoas saem das escolas desse país, ou como levam o estudo nas coxas, sem se esforçar ou dedicar o cérebro à leitura, ao invés de perderem tempo com bobagens.

    Foi contratada uma funcionária que no espaço de alguns meses conseguiu preferir as seguintes “pérolas”:

    – Por que o word assinala que está errada a palavra “Usucampião”?
    – Acho que tem um erro na peça! Não seria “oitava”? (a palavra era oitiva, portanto, correta)
    – Se eu quero aumentar a temperatura no split, tenho que colocar números altos ou baixos? (o frio do RS congelando as mentes das pessoas)

    Fora outras pérolas que agora não me ocorrem. Coincidência ou não ela é evangélica fervorosa, mas achou estranho que o eu contei pra ela sobre o levítico. Aquela história, crente não lê o próprio livro!

  11. O André, mais uma vez, nos contempla com um excelente post.
    Colocou pra fora muito das críticas que tenho entaladas em minha garganta!
    (Aliás, por isso, estendo o elogio aos demais colaboradores do cetnet, principalmente aqueles que não conseguem mais tolerar a ignorância).

    Meus irmãos e eu estudamos em colégio particular, com tremendo esforço financeiro dos meus pais para garantir nossa qualidade de ensino e o acesso a um curso superior decente (público, naturalmente!).
    Todos fomos bons alunos, inclusive na faculdade, dado nosso gosto pelos estudos e ao respeito ao mérito de quem trabalha para nos formar cidadãos de bem. Sou eternamente grato aos meus pais e aos meus verdadeiros mestres! Sei muito bem do preconceito existente contra quem dá valor aos seus estudos (nerd, geek… chamem do que quiser, não faz diferença!). E, por mais que, vez por outra se confirme o que Bill
    Gates já dissera em palestra (“tratem bem os nerds, pois eles, muito provavelmente, serão seus chefes”), o que mais vemos por aí é exatamente o que o texto retrata.
    O que o brasil faz com sua educação é uma vergonha de proporção indescritível! O analfabetismo científico é pasmante! Qualquer conversa mais interessante que se queira entabular já é chamada de “papo-cabeça”!
    Minha criatividade já está chegando ao limite quando se trata de lidar com a ignorância, falta de educação e imbecilidade alheia!!
    Trabalho em uma agência reguladora e entro em contato direto com os usuários de nossos serviços. Dizem por aí que só existem dois tipos de usuário: o de sistemas operacionais na informática e o de drogas. Imagino que o sentido mais adequado seja o aquele aplicável ao segundo caso! Vocês talvez tenham a idéia (foda-se a nova gramática!!) da dificuldade que é passar as orientações mais simples!
    A ironia e o sarcasmo, algumas vezes, acabam dando vazão a indignação: no meio do ano passado, institui o “Bestiário” (assim como as “Pérolas Religiosas” ou a “Voz dos Alinados” aqui do cetnet), uma coleção das demandas burlescas e assassinatos da língua pátria que chegam ao setor em que trabalho. Hoje, está perto de abrir o segundo volume (um volume deve ter, no máximo, 200 folhas)!
    Este é o resultado de um país que brinca com a educação, com instituições de ensino sucateadas em que o aluno é visto como cliente (aquele que sempre tem razão).

  12. Minha mãe é professora. Ela já deu aula para turmas de cinco anos até a quinta série do Ensino Fundamental. Atualmente ela tem dado aula para turmas da pré-escola de cinco e seis anos, e tem que alfabetizar os alunos.

    A escola segue uma cartilha rígida, determinando como os professores devem dar aula. Chegando ao ponto de a minha mãe, ao ensinar os alunos de cinco anos a escrever, estar proibida de ensinar a colocar pingos nas letras I e J. Isso só pode a partir dos seis anos.

    No passado, minha mãe já conseguiu alfabetizar turmas de cinco anos. Agora, restringida por regras como essa, tem que ver seus alunos passarem de ano mal sabendo escrever.

    Realmente, algo está errado no Ensino nesse país.

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