O futuro dos pulmões artificiais

pulmao.jpgEm Ciência é comum esforços diferentes acabarem num bem comum. Trabalhos de anos e mais anos acabam se intercruzando e podem, juntos, ser a chave para a resolução de muitos problemas. Os cientistas da Universidade de Harvard e de Yale são um pleno exemplo disso. Enquanto uns pesquisam um substituto eletrônico para o pulmão, outros pesquisam tecidos pulmonares inteiramente feitos em laboratório. E sim, eles funcionam!

Cientistas da Universidade de Havard criou um dispositivo eletrônico que simula o funcionamento de um pulmão. É o que se pode dizer de “vida num microchip” e, obviamente, não possui o tamanho de um pulmão humano, mas do tamanho de uma moeda. Ainda assim, ele funciona como o referido órgão e oferece uma oportunidade ímpar de se estudar o funcionamento do pulmão, sem ter que dissecar um organismo vivo. Agora, eu quero saber se algum retardado chamará estes cientistas de pervertidos e torturadores. Hummm, acho que “esquecerão” de mencionar isso.

Segundo o dr. Donald Ingber, fundador do Instituto Wyss, na Universidade Harvard, EUA, os microssistemas que swimulam tecidos vivos possuem – como não poderia deixar de ser – algumas limitações, dado que não se sabe com 100% de segurança todos os procedimentos que tais tecidos exeutam durante sua função; no entanto, a equipe do dr. Ingber criou um dispositivo que simula o funcionamento de um pulmão em um microchip, que é capaz de estimar a absorção de nanopartículas presentes no ar ou mesmo imitar uma resposta inflamatória.

O emprego dessa tecnologia é simular processos que o órgão passa todos os dias, desde o ato de inspirar e expirar até o de ação/reação ante agentes patogênicos. É uma pesquisa no início, mas que promete não usar experimentos animais num futuro ainda incerto. A pesquisa foi publicada na revista Science.

Se por um lado a supracitada pesquisa deixa os vogons vegans felizes, a próxima os encherá de horror (e, claro, será essa que ficarão enchendo o saco nas Interwebs): Pesquisadores liderados pela drª Laura E. Niklason, professora de Anestesiologia e Engenharia Biomédica da Universidade de Yale, criaram tecido pulmonar praticamente do zero. A ideia foi uma espécie de “Lego histológico” (eu criei este termo, ainda que tosco. Favor mencionarem com referência ou os proceso por roubarem meus termos esquisitos com fim de servirem para fácil entendimento de leigos. Obrigado).

É meio como você fazer uma engenharia reversa, onde você desmonta um carro, barco, casa ou qualquer coisa, que nem criança com uma chave de fenda, tentando saber como o treco funciona, para depois remontar (ok, nem sempre eu conseguia remontar).

Com isso, os cientistas meio que desmontaram um pulmão até seus tecidos conjuntivos. A equipe usou detergentes para “limpar” todas as células e vasos sanguíneos dos pulmões recém-colhidos, deixando para trás a matriz extracelular, o alicerce, chassis, esqueleto, arcabouço ou a metáfora que você mais apreciar para algo que serviria de base para reconstrução. Nesta base feita de tecido conjuntivo mantém as propriedades físicas do pulmão, bem como a sua estrutura tridimensional, mantendo ate mesmo a sua estrutura em níveis microscópicos, como a dos alvéolos pulmonares. Os tecidos conjuntivos servem para sustentação e firmeza dos órgãos em seus devidos lugares, isto é, são os tecidos conjuntivos que impedem que todos os seus órgãos internos caiam uns sobre os outros, fazendo de você um saco de gordura com um monte de órgãos caídos, rolando pra lá e pra cá. O que você pensou que fazia isso? Parafusos? Superbonder?

Bem, refazer artérias e veias até que não é muito problemático, mas com pulmões não se pode confiar muito, pois o tecido é responsável pela troca gasosa, como você bem deve saber. Fazer algo crescer sem saber se vai dar certo ou não poderia acarretar num pulmão que não trabalharia direito, ou seja, por mais que você inspirasse, bufasse ou estrebuchasse, não haveria troca gasosa no sangue e suas células morreriam sem oxigênio. Em outras palavras, você morreria sufocado.

Assim, mantendo uma espécie de “esqueleto” (não foram célula ósseas que serviram de esqueleto, é uma metáfora e se alguém não gostar das metáoras, escreva pra drª Niklason e e pegue os detalhes diretamente com ela), os pesquisadores empregaram células provindas de um pulmão retirado ratos recém-nascidos (como Niklason é perversa. Adoro mulheres assim!). Os pobres ratinhos ficarão sem aquelas células, as quais se alojaram na estrutura criada pelos pesquisadores e, assim, conseguiram recriar o órgão.

A pesquisa foi publicada tam,bém na Science.

Se pensarmos que fazendo crescer tecidos sintéticos, controilados por um pequeno chip de silício, vemos uma nova era nos transplantes, onde as pessoas não precisariam ficar semanas, digo, meses, digo, ANOS numa lista de espera por um órgão que poderá não chegar a tempo. Pegando células do próprio paciente, ou mesmo usando células-tronco, poderia-se recriar o pulmão do indivíduo, ou mesmo um tecido completamente produzido in vitro ou in silico. Difícil especular o que pode vir primeiro ou se a soma dos dois, ou algo completamente novo, chearia para acabar com o sofrimento das pessoas.

Acompanhem a reportagem da EFE a respeito:

http://www.dailymotion.com/swf/video/xdu1mw_o-futuro-do-pulmao-artificial_tech

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