Encontrados seres vivos em ambiente sem oxigênio

loricifera-p.jpgVocê é daqueles que sempre achou que o mundo biológico era esquisito? Não fique alarmado, efetivamente você está certo: Sim, é estranho, esquisito e bizarro! O conhecimento geral nos diz que um dos motivos de haver vida na Terra é a concentração de oxigênio disperso em vários locais. Mas qual não foi a surpresa de se encontrar seres vivos pluricelulares que vivem sem precisar de oxigênio! Sim, tais criaturas existem e não estão nem aí se você tem oxigênio para respirar ou faz fermentação.

Nas profundezas dos oceanos existem todo um universo diverso do que estamos acostumados e pensamos que só criaturas procariontes unicelulares seriam capazes de viver em ambientes privados de oxigênio. Mas Roberto Danovaro da Università Politecnica delle Marche, na Itália, descobriu que não é bem assim, mediante pesquisa feita no Mar Mediterrâneo. Sua pesquisa foi publicada no periódico BMC Biology.

Para relembrar, Eukaryota é o império (também chamado de “domínio” ou “supra-reino”) onde seres vivos possuem seu material genético envolvido por uma membrana nuclear. No império Prokaryota, os seres possuem seu material genético todo largado e misturado com demais organelas. Um exemplo de procariontes são os protozoários (obrigado Prestos) as bactérias etc., enquanto você (sim, VOCÊ!) é um eucarionte, o que o deixa bem próximo de um fungo. Mas é melhor estar próximo de um fungo do que uma bactéria, certo? Ah, os vírus são classificados nem como um, nem como outro. Vírus são tão importantes que detém um império só pra eles: o Acytota.

Até agora, não se conhecia nenhum eucarionte que pudesse viver sem oxigênio. Quando os cientistas encontraram organismos multicelulares capazes disso, eles presumiram que tinham afundado em águas enriquecida com oxigênio, mas estavam enganados.

Os cientistas italianos e dinamarqueses participaram de expedições afim de buscar amostras de sedimento numa profunda região hipersalina e anóxica no Mar Mediterrâneo,a uma profundidade de cerca de 2 km. Nessas amostras, os pesquisadores encontraram 3 espécies distintas um animal multicelular chamado Loricifera. Tais animais medem menos de um milímetro de diâmetro e se assemelham a pequenas medusas (imagem abaixo). Ao que parece, os espécimes encontrados prosperam em sedimentos extremamente salgados do fundo do mar Mediterrâneo, um dos ambientes mais extremos da Terra. E é interessante a utilidade destes animais (nenhuma), “projetados” para ser… o que, mesmo? Bem, a Seleção Natural não tem preocupações em propiciar que seres vivos tenham alguma utilidade.

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Estes animais não possuem mitocôndrias – que usam oxigênio para converter os nutrientes em moléculas de energia conhecida como ATP (trifosfato de adenosina) -, e sim uma outra organela que que funciona de modo semelhante, mas de química anaeróbica. Os cientistas ainda não compreendem inteiramente a bioquímica, mas a descoberta abre a possibilidade de formas complexas de vida em planetas sem oxigênio.

É possível que um ancestral comum destes animais, centenas de milhões de anos atrás, tinham a capacidade de viver sem oxigênio, pelo menos. Como o oxigênio tornou-se cada vez mais abundante, duas linhagens acabaram se separando, onde uma delas estava adaptada ao ambiente rico em oxigênio que estava tomando o lugar do antigo. Quando os oceanos começaram a apresentar concentrações maiores de oxigênio, mais energia estava disponível àqueles seres que possuíam mitocôndrias como as nossas. Logo, mais fonte de energia produz mais energia sob a forma de ATP. Nossos ancestrais cresceram até dominarem o mundo, construir arranha-céus, estações espaciais e criarem redes de TV afim de dizer que nada disso aconteceu.

Em contraposição, os seres que estavam adaptados a um mundo com pouco ou nenhum oxigênio estavam em apuros, pois este é um elemento nocivo a eles. Assim, os que tiveram a sorte de parar num ambiente anóxico (sem oxigênio) puderam continuar vivos e se reproduzindo, mas sem a capacidade de evoluir para formas de vida mais complexas, dada as limitações do local. Qualquer um desses indivíduos que nascesse com uma mutação onde só seria capaz de viver em ambiente oxigenado morreria e não geraria descendentes.

Como foi dito, há agora a perspectiva que sim, pode haver seres mais desenvolvidos em locais fora da Terra, como Europa, a lua gelada de Júpiter. Mas daí a dizer que naves extraterrestres poderão vir aqui um dia, retirar todo o oxigênio da Terra, afim de montarem uma base aqui e exterminar todos os seres humanos, bem… só no reino da ficção científica.

Ou será que…

11 comentários em “Encontrados seres vivos em ambiente sem oxigênio

  1. “…Eles já estão aqui, mas chamam a si mesmo de húngaros?”

    :mrgreen:

    Desde que li sobre os organismos “nucleadores de gelo”, notícias como essas só me deixam mais maravilhado com o que a natureza têm a oferecer – e também com o quanto ela pode ser sacana com quem vive nela.

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  2. Encontraram, moléculas orgânicas no espaço e agora mais essa, seres que não precisam de oxigênio, reforça a teoria de que a vida na terra veio do espaço, sou céptico em relação a isso, mas continuam aparecendo novos indícios.

    Bactérias que consegue ficar latente por milhões de anos, outros seres que encontraram na irlanda que não precisam de luz, bactérias que sobrevivem a temperatura acima de 100 graus, a alta pressão e por ai vai…

    excelente matéria, parabéns André.

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    1. Encontraram, moléculas orgânicas no espaço e agora mais essa, seres que não precisam de oxigênio, reforça a teoria de que a vida na terra veio do espaço

      Non sequitur. Uma coisa não tem nada a ver com outra.

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  3. (sic)”Um exemplo de procariontes são os protozoários, bactérias etc(…)”

    Caro André,

    Protozoários são eucariontes unicelulares e, portanto, fazem parte do domínio Eukaria. Bactérias são, na classificação mais aceita, pertencentes aos dominios Eubacteria e Archeae. No texto você utilizou a classificação de “super-reinos” (que não necessariamente são domínios, não se tratando da classificação mais utilizada) e mesmo nessa, protozoários continuam sendo eucariontes (como haveria de ser) enquanto “bactérias verdadeiras” e as arecheobactérias são agrupadas no mesmo super-reino, o “Prokariota”.

    _______________________________

    Particularmente acho difíceis os pluricelulares “que usam oxigênio” originarem-se dos que não o utilizam. Acho mais provável que o oposto tenha acontecido, ou uma convergência evolutiva onde duas linhagens de seres deram origem a pluricelulares separadamente.

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    1. 1) Verdade, eu cometi um erro com relação aos protozoários.

      2) O que eu escrevi foi “Eukaryota é o império (TAMBÉM chamado de “domínio” ou “supra-reino”) …”

      No mais, obrigado pela correção. Preciso tomar vergonha e gastar mais tempo lendo (e de preferência não escrever tarde da noite).

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  4. Boa noite,
    Encontrei um bicho tipo barata em minha casa. Meti dentro de um frasco há 4 dias. Vive sem oxigénio. Alguém sabe que bicho é?
    obrigada

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