Cientistas estudam o processo infeccioso do Ebola

ebola.jpgSe você curte cinema, deve ter se lembrado do filme Epidemia, onde Dustin Hoffman estava com uma enorme batata quente na mão, tentando descobrir uma vacina para conter o contágio em níveis apocalípticos numa cidade dos Estados Unidos. Como todo filme, o mocinho resolve o problema no final, pegando o macaco que serviu de hospedeiro (o filme é velho, se você ainda não tinha visto, problema seu) e usando seu sangue para fazer a vacina.

Deixando as atrocidades científicas que o filme comete (a única coisa verdadeira lá são os laboratórios do CDC), talvez agora saibamos como age o Ebola, já que pesquisadores da Universidade Estadual de Iowa, Estados Unidos, descobriram como o mortal vírus do Ebola é… bem… é mortal.

O vírus Ebola é oque se pode chamar de vírus fidaputa, causador de febre hemorrágica e, o mais “legal”: não tem cura, vacina, drogas antivirais ou reza brava. Ou seja, contraiu, já era! Isso mostra como ele é um parasita extremamente burro, já que ele vive do hospedeiro e mata quem lhe dá casa, comida e roupa lavada. Não que eu esperasse inteligência de uma proteína de péssimo humor (eu SEI que não é uma proteína).

A patogenicidade exacerbada do vírus Ebola é resultado da inibição simultânea de acolhimento a respostas imunes e o aumento da produção de proteínas virais e RNA. A proteína que causa esta “maravilhosa” atuação é a chamada VP35, a qual é um importante fator de virulência que contribui para o escape viral da imunidade inata.

Antes que vocês me joguem pedras, vamos às explicações simples.

Uma das celeumas a respeito dos vírus é a classificação como ser vivo ou não. Seres vivos devem se reproduzir, autossustentar e possuir evolução biológica. Só que vírus não fazem fuc-fuc e nem se reproduzem por mitose, que nem as bactérias. Aliás, virus sequer são células. Para nós, químicos, vírus são conjuntos de proteínas de TPM, mas imagino que tal definição não aparecerá num periódico científico.

O que os vírus fazem é usar as células como hospedeiras, penetrando nela (ops) e misturando seu código genético como da celula. Assim, a célula começa a produzir mais vírus, e mais, e mais e mais… até dominação mundial!

Para os puristas, é uma definição tosca e absurdamente superficial, mas não estou escrevendo um artigo pra Nature, de qualquer forma.

A equipe liderada pelo Dr. Gaya Amarasinghe, professor assistente de bioquímica, biofísica e biologia molecular da Universidade de Iowa, descobriu que o que deixa o Ebola algo absurdamente letal é que a proteína VP35 age de forma a passar desapercebida pelo sistema imunológico.

Como eu falei, o desgramado do inquilino indesejável mistura seu material genético com o da célula (vírus podem conter RNA ou DNA), a fim de replicar. As células não são tão idiotas assim (licença poética, gente. Células não pensam) e ativam sistemas contra intrusos. Aí, vem o poder do Lado Negro da Força Seleção Natural: Uma cepa de vírus sofreu mutação e começou a produzir a VP35, que inibe esta resposta da célula, impedindo que seja acionado o sistema anti-viral. As cepas que não produziam esta proteína eram chutadas para escanteio e as cepas que produziam conseguiram sobreviver e gerar descendentes possuintes da mesma capacidade.Os descendentes que não produziam esta proteína, eram dizimados, sobrando os que estavam adaptados.

A pesquisa do Dr. Amarasinghe foi publicada na Nature Structural and Molecular Biology e está disponível como uma publicação em linha avançada.

Agora, resta os pesquisadores estudarem como inibir a produção desta proteína, ou contornar sua atuação, de modo que a célula possa reconhecer e combater o vírus, dando chance aos cientistas produzirem medicamentos que possam ajudar na luta contra o Ebola.

2 comentários em “Cientistas estudam o processo infeccioso do Ebola

  1. :twisted: É o macro que se reflete no micro e vice-versa, fazendo uma analogia miserável, é um bando de sem terra (Ebola) invadindo uma fazenda de um governador do Mato Grosso (célula). Agora é inegável como esta batalha de “micros” é duma “inteligência” anormal, e que de doce, só tem alguns açucares, rs.

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  2. Esse é aquele vírus ultrapunk que só de respirar pegou né?! Sinistro pra kct. Tomara que consigam desenvolver remédio pra isso. Lembro de ter visto Epidemia no cinema, é um filme legal, sério, e tem a Rene Russo… :cool:

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