Nem todos puderam ver como funciona uma colmeia. Como toda colônia de insetos, ela funciona de modo muito semelhante a um organismo individual, onde cada membro da colônia age como se fosse uma célula, e um grupo dentro dessa colônia funciona como um órgão.
Colônias assim agem como se fossem um “superorganismo”, e isso não acontece só com abelhas, mas com formigas e outros insetos também, onde o comportamento cooperativo garante a segurança e manutenção otimizada, de forma a garantir a sobrevivência de todo o grupo. Como dito, trata-se de uma similaridade a um organismo vivo individual, onde o todo é muito mais que a soma das partes.
O termo “superorganismo” vem sendo usado por muito tempo, mas não se imaginava o grau de complexidade que isso envolvia. Pesquisadores chefiados pelo Dr. James Gillooly, da Universidade da Flórida, estão estudando como é o processo interno dessas colônias, afim de avaliarem melhor, e de uma forma quantitativa, como se dá a ligação social entre os insetos e como se dá a formação do dito “superorganismo”. A pesquisa será publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
A análise dos resultados dessa pesquisa procura, também, explicar certas “anomalias” que foram encontradas em alguns insetos sociais (como abelhas, vespas, cupins e formigas, por exemplo). Uma dessas anomalias é a longevidade da rainha, que é maior do que seu tamanho ditaria; lembrando que as rainhas são muito maiores que os demais membros da colônia. A melhor explicação seria que a rainha é o que se poderia chamar de “peça mais importante do maquinário”.
Entretanto, antes de prosseguirmos, deve-se fazer uma ressalva: a pesquisa é teórica, feita através de modelos e estudos estatísticos.
Gillooly e seus colegas tomaram equações matemáticas empregadas para descrever a fisiologia e ciclo de vida de um organismo único, e as aplicaram às colônias como um todo. Estas equações, conhecidas como a teoria de escalonamento metabólico [1] [2], prever as taxas de crescimento, reprodução, tempo de vida, e muitos outros fatores para os organismos individuais, com base em que o tamanho do referido ser vivo. Os pesquisadores usaram dados de 168 diferentes espécies de insetos sociais.
As pesquisas sugerem que as colônias de insetos sociais são funcionalmente organizadas e estão usando e consumindo energia para os processos básicos da vida da mesma maneira que um organismo como um todo. Daí a implicação que essas colônias trabalham e funcionam como um único ser vivo.
Obviamente, uma pesquisa científica não seria científica se não houvesse ninguém que se perguntasse se aquilo é realmente válido, afim de testar e reexaminar todos os pormenores, de modo a comprovar os resultados propostos por uma equipe.
Assim, a análise que colônias de insetos possam atuar como um único organismo pode não ser extensivo a outras classes de animais, como o homem, por exemplo. Outros podem criticar o método da pesquisa, onde foram usados cálculos matemáticos, apoiados por análise estatística e observação.
Faz-me lembrar ao que Isaac Asimov chamou de Psicohistória, descrita na trilogia Fundação, onde eventos sociais humanos foram matematizados e, sob análise estatística, podendo servir de previsões futuras em escala macro, mas que sofria de alguns problemas, já que a Psicohistória só funcionava mediante grandes massas sociais, mas que um evento não previsível (como uma mutação) poderia derivar os acontecimentos. Daí, houve o aparecimento do Mulo e… Bem, recomendo a leitura dos 3 livros para entender melhor a trama.
Obviamente, a pesquisa do dr. Gillooly não tem a presunção de usar estes dados para matematizar a sociedade humana, afim de considerá-la um superorganismo.
Pelo menos, por enquanto.
