Os animais tendem a proteger-se dos predadores de formas bastante surpreendentes, às vezes. Seja através de mimetismo, onde fingem ser algo que não s]ao (como no caso do bicho-pau), seja como camuflagem (como os camaleões), mesclando-se com o ambiente. São verdadeiros mestres dos disfarces, mas nada surpreendeu tanto quanto o caso de uma aranha da espécie Cyclosa mulmeinensis, pois a danada (ao que parece) é o primeiro caso de animal que cria uma réplica de si mesma, e em tamanho real, afim de enganar predadores. Não, ela não brota de vagens, portanto, não são extraterrestres invadindo nosso planeta (pelo menos, eu espero).
De acordo com o jornal El Mundo, a descoberta de Ling Tseng e I-Min Tso, que foi publicada na revista Animal Behavior, e da aranha pode ser o primeiro animal que tenha a idéia de construir um manequim do tamanho de seu próprio corpo.
O comportamento desse monstrengo X-Spider também oferece uma explicação de porque muitas aranhas decoram as suas teias de formam tanto estranha. Por mim, inseticida nelas!
O que há de mais bizarro na técnica da C. mulmeineisis é que ela parece atrair os predadores, o que os animais normalmente não fazem, pelo contrário. Mas se isso fosse tão errado, Tio Darwin daria logo um tiro de 12 nela. O que acontece então? A Seleção Natural passou a ser boazinha? Alguma entidade miraculosa atendeu as preces da aranha (serei só eu que estou me lembrando da Dercy Gonçalves?)? Ou há algo mais aí?
Uma hipótese mais provável é que isso distraia o predador, fazendo com que ele ataque a versão “cover” da aramanha, para que ela posa fugir (ou contra atacar). Situação semelhante acontecem com algumas espécies de lagartos, que (quando se sentem ameaçados) largam sua cauda pra lá, para que possam distrair o predador e possam fugir. Ou seja, o lagarto dá o rabo pro seu oponente, afim de continuarem vivos. O contraponto é que eles necessitarão, depois, de maior quantidade de energia para produzirem outra cauda, sem falar no trauma de terem perdido uma parte de seu corpo. A Seleção Natural dá, a Seleção Natural toma.
Aranhas do mesmo gênero que essa decoram suas teias com materiais como detrito, partes de plantas, restos de presas, cascas de ovo etc. Em suma, uma imundície só, mas com a vantagem que estes detritos são muitas vezes de uma cor semelhante ao da aranha, formando uma isca interessante, apesar de nojenta.
“Nós previmos que aranhas com carcaças de presas carcaça servindo de decorações em teias devem receber menos ataques de vespas, porque as aranhas devem estar bem camufladas por esses objetos”, disse TSO. “Para nossa surpresa, aranhas em teias decoradas recebiam muito mais ataques do que as teias sem decoração”.
Isso confirmou que as decorações atraíam predadores, em vez de agir como camuflagem. No entanto, Tseng e TSO suspeitaram que estas decorações também poderiam redirecionar ataques o suficiente para justificar tal procedimento.
Desse modo, eles testaram a idéia sobre outras espécies que vivem em outras espécies de Cyclosa mulmeinensis, que vivem na Ilha das Orquídeas, na costa sudeste de Taiwan. Esta espécie decora sua teia com restos de insetos mortos e cascas de ovos.
Os pesquisadores também descobriram que estas decorações vespas parecia ser a mesma cor, e refletem luz da mesma forma que o corpo da aranha. Em suma, a os “efeites-aranha” foram feitos exatamente para parecerem aranhas de verdade e enganar seus adversários.
Os cientistas procuram responder à pergunta do porque de muitas espécies decoram as suas teias para mais de 100 anos. Tso suspeita que não existe uma única resposta.
“Penso que as funções da decoração das teias podem ser muito diversa e diferem de táxons para táxons. Diferentes aranhas parecem decorar as suas teias por diferentes razões”, diz ele.
Por exemplo, muitas vezes aranhas decoram suas teias com ornamentos feitos por sua seda (cuja tensão é superior à do aço), o que poderá reforçar a teia, impedindo os animais de grande porte acidentalmente destruam a teia, ou para agir como um sinal visual para atrair presas.
Fonte: BBC
