A Antártica tá ficando verde, bicho!

Você já ouviu a música que o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão. O que nenhuma música previu pé que a Antártida iria ficar mais… verde. Er… sim, isso mesmo! A Antártica, conhecida por suas vastas paisagens de gelo e neve, está passando por uma transformação surpreendente. De acordo com um estudo recente, a cobertura vegetal na Península Antártica aumentou mais de dez vezes nas últimas quatro décadas. Mais verde significa coisa boa, né? Não nesse caso!

A Península Antártica faz parte da península maior da Antártida Ocidental, projetando-se 1.300 km (810 milhas) de uma linha entre o Cabo Adams (Mar de Weddell) e um ponto no continente ao sul das Ilhas Eklund. Esta linda região que deveria estar gelada tem experimentado um aquecimento antropogênico considerável nas últimas décadas. Embora as respostas criosféricas sejam bem definidas, as respostas dos ecossistemas terrestres dominados por musgos não foram quantificadas. A análise dos arquivos Landsat (1986–2021) usando um fluxo de trabalho de processamento em nuvem do Google Earth Engine sugere um esverdeamento generalizado na Península Antártica. A área de provável cobertura vegetal aumentou de 0,863 km² em 1986 para 11,947 km² em 2021, com uma taxa acelerada de mudança nos últimos anos (2016–2021: 0,424 km²/ano) em relação ao período de estudo (1986–2021: 0,317 km²/ano).

Essa tendência ecoa um padrão mais amplo de esverdeamento em ecossistemas de clima frio em resposta ao aquecimento recente, sugerindo futuras mudanças generalizadas nos ecossistemas terrestres da Península Antártica e seu funcionamento a longo prazo.

Tá, André. Ok, aposto que este palavrório está na bosta da pesquisa que você vai linkar lá embaixo. O que essa bagaça significa?

Primeiro, um resuminho do pesquisador que eu sempre coloco: o dr. Thomas Roland é pesquisador da Universidade de Exeter, especializado em ecossistemas polares e mudanças climáticas. Seu trabalho busca entender como as regiões mais frias do planeta estão respondendo ao aquecimento global. Junto com outros pesquisadores, o dr. Roland Lero utilizaram dados de satélite para avaliar o quanto a Península Antártica está “esverdeando” em resposta às mudanças climáticas.

Eles descobriram que a área de cobertura vegetal de menos de um quilômetro quadrado em 1986 quase dodecuplicou (obrigado, Senhor! Eu estava esperando uma oportunidade para escrever “dodecuplicou”!) em 2021! E o mais impressionante é que essa tendência de esverdeamento acelerou em mais de 30% nos últimos anos (2016-2021) em comparação com todo o período de estudo (1986-2021).

A análise do aparecimento de plantas na Península Antártica – principalmente musgos, crescem nas condições mais adversas da Terra – está sendo causada pelas mudanças climáticas antropogênicas. À medida que esses ecossistemas se estabelecem e o clima continua a aquecer, é provável que a extensão do esverdeamento aumente ainda mais. Isso pode facilitar a formação de solo e abrir caminho para o crescimento de outras plantas.

Claro, você pode pensar que isso é uma maravilha, ainda mais quando algum imbecil olhar para isso e pensar em terreno para cultivo. No entanto, isso também levanta preocupações sobre a chegada de espécies não nativas e invasoras, possivelmente trazidas por eco-turistas, cientistas ou invasores filhos da puta visitantes do continente.

Os pesquisadores enfatizam a necessidade urgente de mais pesquisas para estabelecer os mecanismos climáticos e ambientais específicos que estão impulsionando a tendência de “esverdeamento” num lugar que não deveria esverdear. O frio da Antártida mantém um sistema de equilíbrio climático do planeta, e se aquela bagaça degelar, vai zoar com o clima, mas você pode ter certeza que os pesquisadores não falaram isso, mas era muito bem isso que pensaram.

Os pesquisadores agora estão investigando como as paisagens recentemente deglaciadas (sem gelo) são colonizadas por plantas e como o processo pode prosseguir no futuro, mas já estuo antevendo que vai dar ruim, muito ruim. Para finalizar, esfreguem isso na fuça do Molion e do Ricardo Felício, duas mulas que sempre disseram que o gelo da Antártida está aumentando.

O trabalho foi publicado no periódico Nature Geoscience.

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